Cultura ou bate-papo de café?

Aprenda a diferenciar o estresse cotidiano do burnout, reconheça os sinais de alerta e entenda o papel do RH na prevenção e no apoio aos col...
7 de Janeiro de 2026
Leitura de 6 min
Todo profissional já passou por dias intensos, semanas aceleradas ou momentos em que o trabalho exige mais que o habitual. O estresse faz parte da vida moderna — e, em doses controladas, pode até impulsionar o desempenho. Mas existe uma linha tênue entre o cansaço comum e um estado de exaustão que acende o alerta vermelho: o burnout.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu oficialmente o burnout como uma síndrome relacionada ao trabalho na CID-11, distinguindo-o claramente do estresse momentâneo. Essa classificação trouxe mais seriedade ao tema, reforçando que não se trata apenas de “uma fase difícil”, mas de uma condição ocupacional que pode comprometer profundamente saúde e produtividade.
E o cenário global mostra por que essa diferenciação precisa entrar de vez na agenda das empresas. Dados da Gallup revelam que 23% dos trabalhadores afirmam se sentir esgotados com frequência ou sempre, enquanto 44% relatam sentir-se esgotados às vezes. Ou seja: quase metade da força de trabalho mundial convive com algum nível de exaustão recorrente.
Mas, afinal, como identificar essa transição do estresse para o burnout? E como o RH pode atuar antes que o limite seja ultrapassado?
Índice:
O estresse faz parte de qualquer rotina que exige foco, decisões, interações e entregas. Ele pode surgir em períodos de maior carga de trabalho, mudanças internas ou pressões pontuais. Em geral, ele:
O estresse, em doses moderadas, é administrável. Ele responde ao contexto e é aliviado quando o contexto muda.
O burnout não nasce da intensidade, mas da constância. É o resultado de um estresse crônico não gerenciado, como definiu a OMS. Não depende apenas do volume de trabalho, mas da combinação de fatores como:
A diferença mais clara é que o burnout não melhora com descanso. Férias viram um alívio momentâneo, mas a exaustão volta logo que a rotina recomeça.
O burnout se manifesta em três dimensões principais:
1. Exaustão emocional e física
É quando o corpo e a mente não acompanham mais a rotina. A pessoa acorda cansada, perde energia e sente que está sempre “no limite”.
O trabalho passa a gerar irritação, indiferença ou sentimento de frustração constante. O colaborador se afasta emocionalmente das atividades e das pessoas.
A performance cai, não por falta de esforço, mas porque o desgaste compromete a capacidade de concentração, decisão e criatividade.
Esses sinais não devem ser ignorados, especialmente porque o burnout gera impactos mais profundos do que muitos imaginam.
Uma pesquisa da Kronos/Future Workplace mostrou que para 95% dos líderes de RH, o burnout prejudica diretamente a retenção, deixando claro que o problema vai além do indivíduo: ele corrói times inteiros, afeta o clima organizacional e aumenta custos.
A exaustão profunda não atinge apenas o lado emocional. O burnout está associado, segundo análises amplamente discutidas na Harvard Business Review, ao risco aumentado de:
Ou seja: a síndrome compromete a saúde física, mental e o desempenho organizacional — ao ponto de muitas empresas terem começado a tratá-la como risco ocupacional, ao lado de acidentes e doenças crônicas.
Por que o burnout acontece?
As causas mais comuns incluem:
O papel estratégico do RH na prevenção
Com a inclusão dos riscos psicossociais nas discussões globais e com o burnout sendo oficialmente reconhecido como condição ocupacional, o papel do RH ganha ainda mais força.
Para enfrentar um cenário em que o esgotamento emocional cresce e os riscos psicossociais se tornam cada vez mais evidentes, não basta reconhecer o problema — é preciso agir de forma estruturada.
A prevenção depende de intencionalidade, consistência e um olhar atento para tudo aquilo que influencia a saúde mental no trabalho. É nesse ponto que o RH assume um papel estratégico, articulando práticas que vão do diagnóstico às intervenções contínuas. E algumas das frentes essenciais para começar esse movimento dentro da organização são:
Avaliações internas, pesquisas de clima, entrevistas individuais e análise de indicadores (turnover, absenteísmo, afastamentos) ajudam a identificar áreas em alerta.
Treinar gestores para:
Grande parte dos casos de burnout nasce na relação com a liderança.
O descanso não é um “extra”: é uma ferramenta de produtividade.
São necessárias políticas que incentivam:
Programas de apoio emocional, parcerias com psicólogos e canais de suporte reduzem estigmas e facilitam pedidos de ajuda.
RH e lideranças devem revisar metas, redistribuir demandas e garantir que o planejamento respeite limites humanos.
Quando o esforço é visível, o burnout perde terreno e a motivação cresce.
Tanto gestores quanto colaboradores devem buscar apoio quando houver:
Burnout não se resolve sozinho. Quanto mais cedo for detectado e tratado, melhor o prognóstico.
O estresse do dia a dia é comum; o burnout, não. A diferença está na intensidade, na duração e no impacto profundo que a exaustão crônica gera na vida e no trabalho. Reconhecer sinais, criar rotinas mais humanas e fortalecer uma cultura de cuidado é responsabilidade compartilhada — mas o RH tem papel decisivo para transformar prevenção em prática, e não apenas discurso.
Quanto mais as empresas entenderem que saúde mental é estratégia de negócio, mais longe suas equipes conseguem ir.
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