Crise de saúde mental no Brasil afasta mais de 500 mil trabalhadores

Pressão no trabalho, jornadas exaustivas e insegurança profissional elevam o número de afastamentos por saúde mental a níveis recordes.

11 de Fevereiro de 2026

Leitura de 6 min

Em 2025, o Brasil registrou o maior volume de afastamentos do trabalho por motivos de saúde dos últimos cinco anos, somando aproximadamente 4 milhões de casos, conforme informações obtidas pelo G1 junto ao Ministério da Previdência Social. Além de causas físicas já conhecidas, como dores na coluna e lesões musculares, os transtornos mentais, entre eles depressão e ansiedade, ganharam destaque, sendo responsáveis por mais de 500 mil licenças. 

O número representa um recorde histórico e reforça a importância de discutir a saúde mental no ambiente de trabalho no país. Leia mais sobre o assunto neste artigo!

Índice:

Problema vai além dos números oficiais

Entre 2021 e 2024, o número de auxílios-doença concedidos por esgotamento profissional cresceu de forma expressiva, passando de menos de mil para quase 5 mil registros. Apenas no primeiro semestre de 2025, mais de três mil novos casos já haviam sido contabilizados. Esse avanço indica que o sofrimento mental deixou de ser algo pontual e passou a integrar a rotina de muitos brasileiros que dependem do próprio trabalho para sobreviver.

O cenário, porém, é ainda mais amplo do que revelam as estatísticas oficiais. Milhões de trabalhadores informais, terceirizados ou inseridos na chamada “uberização” também adoecem, mas não aparecem nos dados, seja por não contribuírem com o INSS, seja por não conseguirem comprovar a relação entre a atividade profissional e a doença. Como consequência, muitos seguem trabalhando mesmo debilitados ou acabam perdendo renda sem qualquer tipo de amparo.

Quadros como burnout, reconhecido como doença ocupacional pela Organização Mundial da Saúde desde janeiro de 2022, além de ansiedade e depressão, tornam-se cada vez mais frequentes no ambiente de trabalho, evidenciando o avanço da crise de saúde mental no mundo profissional.

Profissões que tiveram mais afastamentos

Mais de duas mil ocupações no Brasil já registraram afastamentos do trabalho motivados por transtornos mentais. Entre as funções com maior número de casos estão vendedor do comércio varejista, faxineiro e auxiliar de escritório, profissionais que lidam diretamente com o público, garantem o funcionamento de serviços básicos e sustentam grande parte da dinâmica das cidades.

A lista também inclui professores, enfermeiros, assistentes administrativos e trabalhadores de linhas de produção, categorias marcadas por rotinas intensas e alta demanda diária. De acordo com especialistas, essas atividades compartilham características semelhantes, como vínculos empregatícios mais instáveis, cobrança constante por resultados, jornadas extensas e maior exposição a situações de risco, como a violência enfrentada por motoristas e vigilantes.

Para os estudiosos, o crescimento dos afastamentos por problemas de saúde mental não é pontual, mas resultado de um problema estrutural relacionado à forma como o trabalho vem sendo organizado no país. Não por acaso, as profissões mais afetadas são justamente aquelas com menor poder de negociação, pouca autonomia sobre a própria rotina e forte dependência do trabalho contínuo para assegurar a renda.

Como funciona o afastamento por problemas psicológicos?

Se a sua saúde mental estiver prejudicando sua capacidade de trabalhar, ainda que por um período limitado, você pode ter direito ao Auxílio por Incapacidade Temporária, benefício destinado a segurados que precisam se afastar para tratamento.

O afastamento é recomendado quando há crises frequentes que comprometem o desempenho profissional, diagnóstico confirmado por psiquiatra ou psicólogo, uso contínuo de medicação ou terapia, necessidade de ficar mais de 15 dias consecutivos longe do trabalho (no caso de empregados com carteira assinada) ou quando não há condições de exercer nenhuma atividade laboral.

Previsto na Lei 8.213/1991, o benefício garante proteção a segurados do Instituto Nacional do Seguro Social com quadros como ansiedade ou depressão. Para ter direito, é preciso comprovar incapacidade para o trabalho por mais de 15 dias seguidos e ter contribuído para a Previdência por, pelo menos, 12 meses antes do afastamento.

O pedido pode ser feito de forma digital, por meio do sistema Atestmed, disponível no Meu INSS. Nessa modalidade, os documentos médicos são enviados online, o que pode agilizar a análise e reduzir a necessidade de perícia presencial, diminuindo o tempo de espera.

Como solicitar

  • Acesse o Meu INSS ou ligue para o telefone 135;
  • Clique em “Pedir Benefício por Incapacidade”;
  • Escolha o tipo de perícia e siga as instruções da tela;
  • Envie atestado médico e demais documentos que comprovem a condição de saúde.

Toda a documentação será avaliada pela Perícia Médica Federal, que definirá a duração do benefício. Se a incapacidade persistir, é possível pedir prorrogação mediante novo atestado, respeitando o limite máximo de 180 dias.

NR-1 e avaliação dos riscos psicossociais no trabalho

Com a atualização da NR-1, editada pelo Ministério do Trabalho e Emprego e com início de vigência em 26 de maio de 2026, as empresas passarão a lidar com exigências mais rígidas relacionadas à proteção da saúde mental no ambiente profissional. A norma amplia o foco da prevenção de acidentes físicos e passa a incluir, de forma explícita, os impactos psicológicos do trabalho na rotina dos empregados.

A seguir, veja os principais pontos:

Programa de Gestão de Riscos (PGR)

Uma das principais ferramentas para atender às novas exigências é o Programa de Gestão de Riscos (PGR). O documento, que já contemplava agentes físicos, químicos, biológicos, riscos de acidentes e fatores ergonômicos, deverá agora incluir também os riscos psicossociais ligados ao trabalho.

Ter um PGR bem estruturado, atualizado e aplicado corretamente se torna um diferencial importante para prevenir problemas, reduzir afastamentos e garantir conformidade com a legislação.

Leia também: Nova NR-1 e o gerenciamento de riscos psicossociais no trabalho

Penalidades pelo descumprimento da NR-1

O descumprimento da NR-1 pode trazer diferentes consequências, conforme a gravidade da infração. Entre elas estão multas administrativas aplicadas pela Superintendência Regional do Trabalho, com valores que podem chegar a cerca de R$7 mil e até dobrar em caso de reincidência. Também há possibilidade de responsabilização civil e trabalhista, com ações judiciais movidas por empregados que aleguem prejuízos à saúde, inclusive pedidos de indenização por danos morais ou materiais relacionados a doenças ocupacionais, como transtornos mentais.

Em situações mais graves, quando a negligência resultar em acidentes ou enfermidades sérias, a empresa pode ainda responder na esfera penal. Além disso, o não cumprimento das medidas de proteção pode gerar reclamações individuais de trabalhadores ou ações coletivas propostas pelo Ministério Público do Trabalho, ampliando os riscos financeiros e jurídicos para as organizações.

Para promover mais qualidade de vida e equilíbrio emocional no dia a dia das equipes, o iFood Benefícios oferece soluções flexíveis que reduzem pressões cotidianas e dão mais autonomia para que cada colaborador organize melhor sua rotina. Afinal, cuidar do bem-estar também é parte essencial do trabalho, e com iFood Benefícios, isso se torna mais simples e prático.

Já no Acrescenta, é possível acessar trilhas de aprendizagem, guias e conteúdos especializados sobre saúde mental, clima organizacional e prevenção de riscos psicossociais, com materiais desenvolvidos para ajudar empresas a criar ambientes mais humanos, saudáveis e sustentáveis.

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