Job shadowing: o que é e como aplicar na sua empresa

Entenda o que são vagas afirmativas, como implementá-las com consistência e quais erros evitar para não comprometer a estratégia de D&I.
14 de Maio de 2026
Leitura de 6 min
Vagas afirmativas são um dos assuntos mais comentados no RH brasileiro. E também um dos mais mal implementados. Enquanto o número de oportunidades afirmativas cresceu 37% no Brasil entre 2023 e 2024, chegando a 4.730 vagas publicadas só na Gupy, o debate sobre como fazer isso direito ainda está longe de ser encerrado. Publicar a vaga é a parte fácil. O desafio é o que vem antes e depois. Leia mais no artigo abaixo.
Índice:
Uma vaga afirmativa é um processo seletivo direcionado, exclusiva ou preferencialmente, a grupos historicamente sub-representados no mercado de trabalho: pessoas negras, mulheres, pessoas com deficiência, pessoas LGBTQIAPN+, pessoas acima de 45 anos, entre outros. O objetivo não é contratar alguém menos qualificado. É garantir que pessoas qualificadas que enfrentam barreiras estruturais tenham, de fato, acesso à candidatura.
O que não é: cota por cota, cumprimento burocrático de relatório ESG, foto de campanha de novembro ou de junho. Quando a vaga afirmativa existe só para aparecer bem em ranking de diversidade, ela deixa de ser ação afirmativa e vira diversity washing. E o mercado, os candidatos e os próprios colaboradores percebem.
Segundo a Pesquisa Ethos/Época de Diversidade, Equidade e Inclusão 2024/2025, realizada com 224 organizações brasileiras, 83 delas já incluem DEI em seus planejamentos estratégicos. A presença de mulheres em programas de contratação subiu de 55,88% para 59,38% entre 2024 e 2025. Pessoas com deficiência passaram de 67,16% para 69,2%.
Ao mesmo tempo, uma pesquisa da to.gather mostra que 72,1% das organizações realizaram ao menos uma ação afirmativa em 2024, mas quando se exclui o cumprimento obrigatório da Lei de Cotas para PCDs, esse número cai para 57,7%. Ou seja: pouco mais da metade das empresas faz ações afirmativas voluntárias. E apenas 35,1% investem em desenvolvimento afirmativo, como mentoria e capacitação para grupos sub-representados.
A frase de Vernā Myers, vice-presidente de Estratégia de Inclusão da Netflix, resume bem o problema: "Diversidade é quando todos estão convidados para a festa. Inclusão é quando todos são convidados a dançar." Publicar vaga afirmativa é o convite. O que acontece depois é a dança. E é aí que muita empresa tropeça.
Contratar uma pessoa negra para uma equipe em que nenhum líder é negro, em que a cultura não foi trabalhada e em que o ambiente não é seguro psicologicamente é jogar a pessoa numa briga que ela não pediu para travar. Ação afirmativa sem cultura organizacional preparada é uma armadilha disfarçada de oportunidade.
Tokenismo é o nome bonito para isso: incluir uma pessoa de grupo minorizado como símbolo, sem garantir voz, desenvolvimento ou condições reais de crescimento. Uma pessoa no time não faz diversidade. Diversidade é quando o grupo sub-representado tem espaço em todos os níveis da organização, incluindo a liderança.
3. Criar critérios que excluem quem a vaga quer incluir
Exigir inglês fluente para uma vaga técnica que não precisa de inglês. Pedir diplomas de faculdade para funções que se aprendem na prática. Essas barreiras filtram exatamente os perfis que a vaga afirmativa tenta alcançar. Rever os requisitos antes de abrir o processo é parte do trabalho.
Segundo a pesquisa DEI sob pressão, da TeamHub, 42,5% das empresas brasileiras ajustam suas práticas de DEI diante de pressões externas. Mas ajustar sem dados é agir no escuro. Taxa de contratação, tempo de permanência, promoções e clima entre grupos sub-representados precisam ser acompanhados. O que não é medido não é gerenciado.
A Bayer passou de 7% de admissões de pessoas negras em 2022 para 28% em 2024. A Vivo treinou mais de 400 mulheres para funções técnicas de campo com o programa Mulheres de Fibra, sem exigir experiência prévia. A C&A investiu R$ 8,1 milhões em projetos de inclusão produtiva em 2024. Esses números têm uma coisa em comum: não vieram de uma vaga publicada. Vieram de programas estruturados com metas acompanhadas pela alta liderança.
Algumas práticas que fazem a diferença:
A pesquisa da to.gather aponta que 48,5% das empresas brasileiras citam o engajamento da alta liderança como principal desafio para avançar na agenda DEI. E não é por acaso. Quando a diversidade é pauta do RH sem ser pauta do CEO, ela vira projeto paralelo. Boa intenção, resultado limitado.
A agenda de diversidade e inclusão precisa aparecer nos objetivos estratégicos, nos indicadores de desempenho da liderança e na alocação de orçamento. Não como slogan. Como meta.
Como resumiu Ana Lúcia Melo, diretora-adjunta do Instituto Ethos: "A diversidade, equidade e inclusão impactam diretamente a capacidade de dialogar com clientes, de acessar novos mercados, responder às expectativas dos investidores, dos reguladores." Quando a liderança entende isso, DEI deixa de ser custo e vira alavanca.
Publicar uma vaga afirmativa é um passo importante, mas é o menor deles. O que transforma uma empresa de verdade é o que acontece depois: se a pessoa contratada tem condições de crescer, se a cultura é preparada para recebê-la, se os dados são acompanhados e se a liderança está comprometida com o processo.
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