Insalubridade x Periculosidade: entenda a diferença entre os adicionais

Entenda por que profissionais estão recuando na ambição de carreira e como o RH pode responder de forma estratégica e humana.
18 de Fevereiro de 2026
Leitura de 5 min
Nos últimos anos, o mundo do trabalho passou por uma série de transformações profundas. Depois de movimentos como quiet quitting, great resignation e career cushioning, um novo termo começa a ganhar espaço nas conversas sobre gestão de pessoas: Career Shrekking. Embora ainda pouco difundido no Brasil, o conceito já aparece como um sinal claro de mudança na relação entre profissionais, carreira e expectativas de crescimento.
Entender o que está por trás do Career Shrekking é essencial para o RH que deseja atuar de forma preventiva, estratégica e conectada à realidade emocional e profissional dos colaboradores.
Índice:
Career Shrekking descreve o movimento de profissionais que deliberadamente reduzem suas ambições de carreira, abrindo mão de promoções, cargos de liderança ou trajetórias tradicionais de crescimento. Diferente de desmotivação pura ou baixa performance, trata-se de uma escolha consciente.
Esses profissionais seguem entregando resultados, cumprem suas responsabilidades e mantêm a qualidade do trabalho, mas optam por não avançar hierarquicamente. O motivo não é falta de capacidade, e sim a percepção de que o custo emocional, mental e pessoal do crescimento não compensa os benefícios oferecidos.
Em muitos casos, o Career Shrekking surge como resposta a experiências negativas anteriores, como burnout, sobrecarga crônica, lideranças tóxicas ou a sensação de que subir na carreira significa perder qualidade de vida.
O Career Shrekking não surge do nada. Ele é reflexo direto de um contexto em que o trabalho passou a ocupar um espaço excessivo na vida das pessoas por muito tempo.
Alguns fatores ajudam a explicar esse movimento:
Para muitos profissionais, recuar na ambição não é desistir, mas uma forma de se proteger.
Quando não compreendido, o Career Shrekking pode ser interpretado de forma equivocada pelas lideranças, como falta de comprometimento ou acomodação. Esse olhar limitado tende a gerar ruídos, julgamentos injustos e até perda de talentos.
Por outro lado, quando ignorado, o fenômeno pode causar impactos estruturais na organização:
O problema não é o profissional que recua. O problema é um modelo de carreira que deixou de ser desejável.
Um ponto essencial é diferenciar Career Shrekking de apatia ou baixa performance. Em muitos casos, esses profissionais são altamente competentes, experientes e conscientes do próprio valor.
Eles não rejeitam o trabalho. Rejeitam o modelo de crescimento baseado apenas em hierarquia, carga horária maior e pressão constante. Isso exige do RH uma leitura mais sofisticada sobre motivação e engajamento.
Ambição hoje pode significar outras coisas:
O papel do RH não é combater o Career Shrekking, mas entender o que ele revela sobre a organização.
Algumas ações estratégicas fazem diferença:
Nem todo crescimento precisa ser vertical. Trilhas em Y, carreiras especialistas e movimentos laterais permitem desenvolvimento sem sobrecarga gerencial.
Se apenas cargos de liderança são reconhecidos, a empresa empurra pessoas para funções que elas não desejam. Valorizar impacto, contribuição e expertise amplia as possibilidades de engajamento.
Se liderar é sinônimo de exaustão, ninguém vai querer crescer. Investir em suporte, formação e redistribuição de responsabilidades é essencial.
Conversas de carreira precisam ser honestas e livres de julgamento. O colaborador deve sentir que pode dizer “não quero crescer agora” sem sofrer consequências invisíveis.
Planos de crescimento que ignoram saúde mental tendem a fracassar. Desenvolvimento sustentável precisa caminhar junto de limites claros e respeito ao tempo humano.
Essa tendência não aponta para uma geração menos comprometida, mas para um mercado mais consciente. O Career Shrekking expõe uma pergunta incômoda, mas necessária: crescer para quê, e a que custo?
Empresas que insistirem em modelos rígidos de ascensão tendem a enfrentar resistência silenciosa. Já aquelas que conseguirem redesenhar a experiência de carreira, oferecendo crescimento com equilíbrio, sairão na frente na atração e retenção de talentos.
O Career Shrekking não é um problema individual. É um sintoma organizacional. Ele revela quando o crescimento deixou de ser aspiracional e passou a ser percebido como risco.
Cabe ao RH interpretar esse sinal com maturidade, usando-o como ponto de partida para rever políticas, práticas e narrativas sobre carreira. Em vez de forçar ambição, o desafio agora é reconstruir o desejo de crescer, de forma mais humana, sustentável e alinhada às novas expectativas do trabalho.
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