Quebrando barreiras, construindo soluções: conheça os agentes que estão transformando a inovação em saúde

Reflexões do diretor no SXSW 2026 mostram como criatividade, intuição, colaboração e disciplina podem inspirar novas formas de liderar.

Acompanhe a cobertura de um dos principais encontros globais de inovação, criatividade e cultura do mundo e confira os insights do evento
14 de Março de 2026
Leitura de 7 min
No SXSW 2026, Steven Spielberg compartilhou reflexões que vão muito além do cinema, em um dos painéis mais aguardados do evento. Durante a conversa, o diretor falou sobre criatividade, processo criativo, tecnologia e colaboração, temas que também dizem muito sobre liderança, gestão de equipes e cultura organizacional.
Em um momento em que empresas discutem inteligência artificial, aceleração do trabalho e novas formas de colaboração, suas ideias oferecem um contraponto interessante: a inovação continua profundamente ligada à intuição, à confiança entre pessoas e à capacidade de construir histórias coletivas.
Embora o contexto seja o cinema, muitos dos aprendizados dialogam diretamente com desafios atuais de líderes e profissionais de RH.
Índice:
Um dos pontos mais interessantes da conversa é a forma como Spielberg descreve o próprio processo criativo. Apesar de dirigir alguns dos maiores blockbusters da história, ele afirma que muitos de seus filmes mais importantes não foram rigidamente planejados.
Produções como Schindler’s List e Saving Private Ryan, por exemplo, foram filmadas sem storyboard detalhado. Ele chegava ao set sabendo qual parte da história precisava ser filmada naquele dia, mas sem ter todas as decisões visuais completamente definidas.
Para ele, parte da magia do processo está justamente nisso: descobrir soluções durante a criação.
Segundo o diretor, essa abertura permite que novas ideias surjam no momento da filmagem e que a própria equipe contribua com interpretações e caminhos inesperados para a história.
Essa lógica tem um paralelo direto com o mundo corporativo. Em muitas organizações, existe uma busca intensa por previsibilidade e controle absoluto dos processos. No entanto, ambientes criativos costumam funcionar melhor quando existe um equilíbrio entre planejamento e liberdade.
Planejar é essencial. Mas a inovação frequentemente nasce no espaço entre o plano e a experimentação.
Outro tema recorrente na fala de Spielberg é o papel da intuição nas decisões criativas. Ele explica que, muitas vezes, sabe onde posicionar uma câmera ou como construir uma cena antes mesmo de conseguir racionalizar o motivo.
Por isso, em muitos momentos do processo ele pede algo à equipe primeiro e só depois explica a lógica por trás da decisão. Para que isso funcione, existe um elemento fundamental: confiança da equipe no líder.
Esse tipo de liderança baseada em experiência e instinto não substitui planejamento ou análise. Mas reconhece que, em contextos complexos e criativos, nem todas as decisões podem ser totalmente racionalizadas antes de acontecerem.
No ambiente organizacional, isso também é verdade. Líderes frequentemente precisam agir com rapidez, baseando-se em repertório, sensibilidade e experiência acumulada. O desafio está em construir uma cultura em que as pessoas confiem no processo e nas decisões, mesmo quando elas não vêm acompanhadas de explicações imediatas.
Apesar da imagem muitas vezes associada ao diretor como a principal mente criativa de um filme, Spielberg insiste em reforçar que cinema é essencialmente um trabalho colaborativo. Um filme envolve centenas de profissionais e diferentes tipos de talento. Atores, produtores, técnicos, roteiristas e compositores influenciam diretamente o resultado final.
Ele conta que, quando o elenco é bem escolhido, os atores não apenas interpretam personagens: eles também trazem novas leituras e ideias para a história.
Esse princípio também aparece em histórias clássicas de sua carreira. Durante a produção de Jaws, por exemplo, ele só percebeu o impacto real do filme quando assistiu à reação do público em uma sessão de teste. A resposta da audiência revelou que a história realmente funcionava.
Essa ideia reforça um ponto importante: criações relevantes raramente são fruto de uma única mente. Elas se desenvolvem a partir da contribuição de diferentes perspectivas. Nas empresas, isso se traduz em ambientes onde a colaboração é incentivada, ideias circulam livremente e pessoas têm espaço para contribuir com sua visão.
Embora valorize improvisação e descoberta, Spielberg também descreve uma rotina extremamente disciplinada. Ele costuma chegar ao set por volta das 6h30 da manhã, antes do restante da equipe.
Esse momento inicial serve para observar o espaço, pensar sobre o dia de trabalho e preparar mentalmente as decisões que virão. Ele descreve esse ritual de forma quase meditativa: um momento em que um dia inteiro de possibilidades ainda não descobertas está prestes a começar.
Esse ponto revela algo importante sobre criatividade: ela raramente surge apenas de momentos espontâneos. Na maioria das vezes, depende de estrutura, foco e preparação.
Nas organizações, isso se reflete na necessidade de criar ambientes que combinem autonomia com organização, permitindo que as pessoas experimentem sem perder a direção.
Outro tema abordado foi a aceleração da cultura contemporânea. Spielberg observa que os filmes hoje são muito mais rápidos do que eram décadas atrás.
Segundo ele, essa mudança começou com os videoclipes musicais dos anos 1980, depois foi ampliada pela linguagem da publicidade e, mais recentemente, pelas redes sociais e pelo consumo digital acelerado.
Ele até contou que instalou o Instagram no celular por duas semanas e teve a sensação de que o tempo havia simplesmente desaparecido. Como se tivesse sido “abduzido por alienígenas”. Apesar dessa aceleração cultural, o diretor acredita que boas histórias ainda precisam de espaço para respirar.
Essa reflexão também dialoga com o ambiente de trabalho atual. A velocidade das decisões, das comunicações e das mudanças tecnológicas nunca foi tão alta. Ainda assim, criatividade, pensamento estratégico e colaboração continuam exigindo tempo.
Quanto mais rápido o mundo se torna, mais valiosos se tornam os momentos de profundidade e reflexão.
Durante a conversa, Spielberg também comentou sobre inteligência artificial. Ele não se posiciona contra a tecnologia em si, reconhecendo que ela pode trazer benefícios para diferentes áreas. Mas ele faz uma distinção clara quando o assunto é criação.
Para ele, a tecnologia não deve substituir pessoas criativas. Em seus projetos, as salas de roteiristas continuam sendo ocupadas por profissionais, não por algoritmos.
Esse debate está no centro de muitas discussões sobre o futuro do trabalho. À medida que novas ferramentas tecnológicas surgem, o desafio não é escolher entre tecnologia ou pessoas.
O verdadeiro desafio é construir ambientes onde a tecnologia amplifique a capacidade humana de criar, em vez de substituí-la.
Talvez o momento mais simbólico da conversa tenha sido quando Spielberg falou sobre o poder coletivo do cinema.
Ele descreveu a experiência de assistir a um filme em uma sala cheia de pessoas. No início, todos são estranhos uns para os outros. Mas, ao final da história, existe algo compartilhado entre todos: emoção, reflexão e empatia.
Essa experiência coletiva transforma o cinema em algo mais do que entretenimento. Ele se torna um espaço de conexão humana. Segundo o diretor, esse mesmo fenômeno acontece em concertos, peças de teatro e outros eventos culturais. Histórias têm a capacidade de criar comunidade.
Esse princípio também vale para organizações. Narrativas compartilhadas, sobre propósito, missão e cultura, ajudam a conectar pessoas e dar significado ao trabalho.
Apesar de ser um dos cineastas mais influentes da história, Spielberg terminou a conversa falando sobre algo simples: família. Ele conta que hoje tem sete filhos e seis netos, e que dirigir filmes passou a ocupar o segundo lugar em sua vida. A família se tornou a prioridade.
Mesmo assim, ele afirma que nunca vai parar de contar histórias. Porque contar histórias sempre fez parte de quem ele é, desde quando inventava narrativas para seus filhos antes de dormir.
Essa conclusão resume bem o espírito de toda a conversa.
Tecnologia evolui.
Mercados mudam.
Formas de consumo se transformam.
Mas a criatividade, a colaboração e as histórias que compartilhamos continuam sendo profundamente humanas.
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