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Entenda como funciona o Lucro Real, quais empresas precisam adotá-lo e quais impactos esse regime tem na gestão financeira e de pessoas.
3 de Abril de 2026
Leitura de 4 min
A escolha do regime tributário é uma decisão estratégica que influencia diretamente a saúde financeira e a operação de uma empresa. Entre as opções existentes no Brasil, o Lucro Real se destaca por exigir maior rigor contábil e controle fiscal detalhado. Ao mesmo tempo, pode oferecer vantagens relevantes para empresas com estruturas mais complexas ou com custos operacionais elevados.
Compreender o funcionamento desse regime permite alinhar decisões tributárias à estratégia do negócio, evitando riscos fiscais e ampliando oportunidades de planejamento. E é sobre essa premissa que você confere nosso artigo aqui no Acrescenta!
Índice:
O Lucro Real é o regime em que o cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) considera o lucro efetivamente obtido pela empresa.
Esse lucro parte do resultado contábil e recebe ajustes previstos na legislação fiscal, como adições, exclusões e compensações. A apuração pode ocorrer de duas formas:
• Trimestral: com fechamento em março, junho, setembro e dezembro;
• Anual: com antecipações mensais de imposto;
As alíquotas seguem a regra geral aplicada à maioria das empresas:
• IRPJ: 15% sobre o lucro apurado;
• Adicional de IRPJ: 10% sobre a parcela do lucro que exceder R$ 20 mil por mês;
• CSLL: normalmente 9%.
Outro ponto importante é que, no Lucro Real, PIS e COFINS são calculados no regime não cumulativo, permitindo o aproveitamento de créditos sobre diversas despesas e aquisições.
Quais empresas são obrigadas a adotar o Lucro Real
Embora muitas empresas possam escolher esse regime, a legislação determina que algumas categorias devem adotá-lo obrigatoriamente.
Entre os casos mais comuns estão:
• Empresas com faturamento anual superior a R$ 78 milhões;
• Instituições financeiras, como bancos, corretoras e seguradoras;
• Empresas com lucros ou rendimentos obtidos no exterior;
• Empresas que utilizam determinados incentivos fiscais;
• Cooperativas de crédito, com exceções específicas.
Para empresas que não se enquadram nesses critérios, a escolha entre regimes tributários deve considerar margem de lucro, estrutura de custos e planejamento fiscal.
Para determinados modelos de negócio, o Lucro Real pode gerar benefícios fiscais relevantes e maior aderência à realidade financeira da empresa.
Entre as principais vantagens estão:
• Dedução de despesas operacionais: custos essenciais à atividade podem ser descontados da base de cálculo dos impostos. Isso inclui salários, benefícios, aluguel, energia, insumos e depreciação.
• Compensação de prejuízos fiscais: prejuízos registrados em períodos anteriores podem compensar até 30% do lucro tributável em períodos futuros.
• Acesso a incentivos fiscais específicos: alguns programas governamentais voltados à inovação ou ao desenvolvimento tecnológico exigem enquadramento nesse regime.
• Créditos de PIS e COFINS: no modelo não cumulativo, a empresa pode recuperar parte dos impostos pagos em despesas operacionais.
Empresas com margens menores ou custos elevados costumam se beneficiar mais desse modelo.
Apesar das vantagens, o Lucro Real também exige uma estrutura administrativa mais robusta. Sua complexidade está entre os principais desafios para empresas que optam por esse regime.
Entre os pontos de atenção estão:
• Controle contábil detalhado: todas as operações financeiras precisam ser registradas com precisão.
• Maior número de obrigações acessórias: relatórios e declarações fiscais tornam a rotina administrativa mais intensa.
• Custos operacionais maiores: muitas empresas precisam investir em equipes contábeis especializadas ou consultorias externas.
• Maior exposição a fiscalização: inconsistências na apuração podem gerar autuações fiscais e penalidades.
Por isso, empresas que operam no Lucro Real precisam manter processos internos organizados e acompanhamento profissional constante.
O regime tributário também influencia decisões relacionadas à gestão de pessoas. Despesas operacionais podem ser deduzidas da base de cálculo dos impostos, investimentos em salários, benefícios e desenvolvimento profissional, por isso passam a ter impacto direto no planejamento fiscal.
Alguns reflexos práticos incluem:
• Valorização de benefícios corporativos: despesas com plano de saúde, vale-alimentação, previdência privada e outros benefícios entram como custos dedutíveis.
• Integração entre finanças e RH: políticas de remuneração e bônus precisam estar alinhadas ao planejamento tributário da empresa.
• Necessidade de profissionais qualificados: a gestão do Lucro Real exige equipes contábeis e financeiras bem preparadas para lidar com a complexidade do regime.
Esse cenário torna a gestão de pessoas ainda mais estratégica dentro da organização.
O Lucro Real exige rigor contábil, planejamento estruturado e controle financeiro consistente. Em contrapartida, oferece maior aderência à realidade econômica da empresa e abre espaço para estratégias tributárias mais sofisticadas.
Empresas que estruturam processos sólidos conseguem transformar essa complexidade em vantagem competitiva, reduzindo riscos fiscais e integrando decisões financeiras, operacionais e de pessoas.
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