Guia Completo de Contratação: etapas, documentos e boas práticas no RH

Um passo a passo prático para estruturar contratações eficientes, legais e alinhadas à cultura da empresa, do planejamento ao onboarding.

28 de Janeiro de 2026

Leitura de 8 min

A contratação de novos colaboradores é um dos pilares mais estratégicos para o desenvolvimento e sucesso de qualquer organização. Longe de ser uma mera formalidade burocrática, um processo de contratação eficaz é a porta de entrada para profissionais que não apenas preenchem uma vaga, mas que também agregam valor à cultura, aos objetivos e à inovação da empresa. Para o setor de Recursos Humanos, dominar esse ciclo – desde a atração de talentos até a plena integração – é crucial para construir equipes de alta performance e fortalecer o employer branding.

Este guia prático aborda as etapas essenciais, a documentação obrigatória e as melhores práticas para garantir uma experiência positiva e resultados duradouros no RH.

Índice:

1. Planejamento do processo seletivo: a base de tudo

Antes de qualquer ação de recrutamento, o RH deve atuar de forma estratégica na definição do perfil ideal. Este planejamento meticuloso é o alicerce para atrair os candidatos mais alinhados.

  • Definição da necessidade: entender a fundo por que a vaga existe. É uma substituição, expansão ou um novo projeto? Quais desafios o novo colaborador precisará resolver?
     
  • Mapeamento de competências: quais habilidades técnicas (hard skills) e comportamentais (soft skills) são indispensáveis para a função? Isso inclui conhecimento de softwares específicos, fluência em idiomas, capacidade de liderança, adaptabilidade, etc.
     
  • Alinhamento cultural: além das competências, o candidato deve ter sinergia com a missão, visão e valores da empresa. Como ele se encaixaria na cultura existente ou na cultura que se deseja construir?
     
  • Descrição da vaga: uma descrição clara, atraente e detalhada é crucial. Ela deve comunicar as responsabilidades, os requisitos, o ambiente de trabalho e as expectativas, funcionando como um primeiro filtro e um convite aos talentos certos.

Um planejamento robusto economiza tempo e recursos, direcionando o foco para a atração de profissionais que realmente farão a diferença.

2. Recrutamento e seleção: encontrando o talento certo

Esta etapa envolve a busca ativa e a avaliação dos candidatos, utilizando metodologias que garantam a escolha mais adequada.

  • Divulgação da vaga: a escolha dos canais é estratégica. Podem ser internos (para valorizar a prata da casa e promover o crescimento) ou externos (para buscar novas perspectivas e habilidades no mercado). Utilize plataformas de emprego, redes sociais (LinkedIn, etc.), sites da empresa, consultorias especializadas e indicações. A amplitude e assertividade da divulgação influenciam diretamente a qualidade dos candidatos.
     
  • Triagem de currículos: após o recebimento das candidaturas, a triagem inicial serve para identificar os perfis que atendem aos requisitos mínimos da vaga. É uma etapa de eliminação de incompatibilidades e seleção dos mais promissores.
     
  • Entrevistas: conduza entrevistas estruturadas para avaliar tanto as competências técnicas quanto as comportamentais. Perguntas situacionais, comportamentais e sobre experiências passadas fornecem insights valiosos sobre a capacidade do candidato de performar e se adaptar. Técnicas como a STAR (Situação, Tarefa, Ação, Resultado) podem ser muito úteis.
     
  • Testes e avaliações: dependendo da função, a aplicação de testes pode ser indispensável. Isso inclui: testes de lógica, de idiomas, de conhecimentos técnicos, avaliações psicológicas ou dinâmicas de grupo para observar a interação e as soft skills. Essas ferramentas complementam as entrevistas e oferecem uma visão mais completa do candidato.

Um processo seletivo bem conduzido não é apenas sobre escolher o melhor currículo, mas sobre identificar o profissional que melhor se encaixa na equipe e na organização como um todo.

3. Admissão e documentação obrigatória: a formalização necessária

Com o candidato ideal selecionado, o próximo passo é a formalização da contratação. Esta fase exige atenção rigorosa à legislação para evitar futuros problemas jurídicos e garantir os direitos do novo colaborador.

  • Documentos essenciais: 

    • Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS): física ou digital, deve ser atualizada com as informações do novo emprego.
       
    • Cadastro de Pessoa Física (CPF): documento de identificação fiscal.
    • Registro Geral (RG): documento de identidade.

       

    • Título de Eleitor: comprovante de regularidade eleitoral.
       
    • Certificado de Reservista: para homens entre 18 e 45 anos, comprova a regularidade com o serviço militar.
       
    • Comprovante de residência: atualizado (contas de consumo, etc.).
       
    • Exame médico admissional: obrigatório, atesta a aptidão física e mental do candidato para a função.
       
    • Outros documentos: cópia de certidão de nascimento ou casamento, comprovante de escolaridade, dados bancários, entre outros.

É responsabilidade do RH coletar, conferir e garantir que todos os documentos estejam em conformidade com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e demais legislações vigentes, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no manuseio das informações.

4. Registro e formalização: garantindo a legalidade

Após a coleta dos documentos, a etapa de registro é crucial para a conformidade legal.

A formalização correta assegura os direitos e deveres tanto para a empresa quanto para o colaborador, estabelecendo uma relação transparente e segura.

5. Integração e onboarding: acolhimento e engajamento

A experiência do novo colaborador nos primeiros dias e meses é determinante para sua adaptação, produtividade e retenção. Um programa de onboarding bem estruturado é vital.

  • Apresentação da empresa: histórico, missão, visão, valores, cultura e estrutura organizacional. Onde o novo colaborador se encaixa?
     
  • Treinamento inicial: orientações sobre políticas internas, procedimentos, uso de ferramentas e sistemas, normas de segurança e principais processos da área.
     
  • Acompanhamento e mentoria: designar um "padrinho" ou mentor para auxiliar nas dúvidas iniciais, apresentar a equipe e facilitar a integração social.
     
  • Definição de expectativas: deixar claro quais são as metas, os indicadores de desempenho e as expectativas para o período de experiência.

Uma integração eficaz acelera a curva de aprendizadoaumenta o engajamento e a probabilidade de retenção do talento a longo prazo.

6. Período de experiência: avaliando a adaptação

O período de experiência, geralmente de 90 dias, é uma fase de avaliação mútua: a empresa avalia o desempenho e a adaptação do colaborador, e o colaborador avalia se a empresa atende às suas expectativas.

  • Estabelecimento de metas claras: definir objetivos específicos e mensuráveis para o período.
     
  • Feedback Contínuo: fornecer retornos regulares sobre o desempenho, pontos fortes e áreas para desenvolvimento. Não espere o final do período para dar um feedback significativo.
     
  • Avaliação formal: ao final do período, realizar uma avaliação formal para decidir sobre a efetivação ou não. Esta decisão deve ser baseada em critérios objetivos e no acompanhamento realizado.

7. Boas práticas no processo de contratação: a imagem da empresa

A forma como a empresa conduz o processo de contratação reflete sua cultura e afeta sua reputação no mercado.

  • Transparência: mantenha os candidatos informados sobre as etapas do processo e os prazos.
     
  • Respeito ao candidato: trate todos com profissionalismo e cortesia, independentemente do resultado.
     
  • Confidencialidade: proteja as informações pessoais dos candidatos, em total conformidade com a LGPD.
     
  • Feedback construtivo: para os candidatos não selecionados, um feedback educado e construtivo, quando possível, contribui para uma experiência positiva e fortalece o employer branding.

Manter-se atualizado com a legislação trabalhista é fundamental para a saúde da empresa.

  • Atualização contínua: o RH deve estar sempre atento às mudanças na legislação trabalhista e previdenciária.
     
  • Auditorias internas: realize revisões periódicas dos processos de contratação e admissão para identificar e corrigir possíveis falhas antes que se tornem problemas.
     
  • Consultoria jurídica: em casos de dúvidas ou situações complexas, a consulta a profissionais especializados em direito trabalhista é indispensável.

Contratar bem é construir o futuro da empresa

Um "Guia Completo de Contratação" vai muito além de preencher vagas. Ele é uma bússola para o RH que busca construir equipes sólidas, engajadas e alinhadas aos objetivos estratégicos da organização. Ao seguir etapas bem definidas, garantir a conformidade legal e adotar boas práticas, as empresas não apenas contratam talentos, mas investem na sua própria longevidade, inovação e no desenvolvimento de um ambiente de trabalho que valoriza e retém seus profissionais. É a certeza de que cada nova contratação é um passo estratégico rumo ao sucesso.

Contratar é, também, cuidar da experiência de quem chega. Processos bem estruturados ganham ainda mais força quando o RH consegue simplificar a vida do colaborador desde o primeiro dia. Com o iFood Benefícios, a empresa oferece autonomia e flexibilidade logo na entrada, ajudando o novo talento a organizar sua rotina com mais tranquilidade e foco no que importa.

Para quem quer seguir aprofundando práticas de RH, legislação, desenvolvimento de pessoas e gestão estratégica, o Acrescenta reúne conteúdos que ajudam a transformar cada etapa da jornada do colaborador em uma experiência mais clara, humana e eficiente. Um apoio contínuo para quem leva a contratação a sério como parte da estratégia do negócio.

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