Humanos, IA e decisões irracionais: como tecnologia está mudando a forma como pensamos, compramos e trabalhamos

Painéis no SXSW mostram como trajetórias fora do padrão, foco estratégico e uso inteligente de IA estão redefinindo inovação, negócios e lid...

Acompanhe a cobertura de um dos principais encontros globais de inovação, criatividade e cultura do mundo e confira os insights do evento
15 de Março de 2026
Leitura de 6 min
Durante o SXSW 2026, um painel reuniu líderes de empresas como Spotify, Rivian e Madison Reed para discutir um ponto em comum entre suas trajetórias: quase todos começaram como outsiders em suas indústrias.
Executivos vindos da política, da gastronomia, do venture capital e de outros setores mostraram que, muitas vezes, a inovação surge justamente de quem não foi formado dentro do mesmo modelo de sempre.
A conversa trouxe reflexões sobre três temas centrais para o futuro dos negócios:
Índice:
Amy Errett, fundadora da empresa de beleza Madison Reed, contou que sua jornada começou longe do setor de beleza.
Antes de criar a empresa, ela trabalhou por anos como investidora de venture capital. Foi justamente dessa posição que percebeu uma oportunidade pouco explorada: reinventar o mercado de coloração capilar.
A ideia parecia improvável para muitos investidores.
Errett recebeu inúmeros “nãos” ao tentar levantar capital. Muitos investidores simplesmente não enxergavam o tamanho da oportunidade — em parte porque o mercado não fazia parte de sua realidade.
O curioso é que os números mostravam o contrário.
Nos Estados Unidos, mais de 85 milhões de mulheres pintam o cabelo regularmente, criando um mercado gigantesco para inovação em produto e experiência.
Para ela, a lição é clara:
Muitas oportunidades passam despercebidas quando quem toma decisões não vive o problema.
Outra trajetória pouco convencional foi a de Dustee Jenkins, executiva do Spotify.
Ela iniciou sua carreira trabalhando em política, no Capitólio americano, antes de migrar para o setor corporativo e, posteriormente, para a indústria da música.
Quando chegou ao Spotify, sentiu o peso de ser uma outsider em um setor altamente especializado.
Em uma entrevista de emprego com Daniel Ek, fundador da empresa, ela imaginava que teria de provar seu conhecimento musical.
Mas um conselho do marido mudou sua perspectiva:
“Você não precisa competir com especialistas em música. Eles não sabem fazer o que você sabe.”
A partir daí, ela passou a enxergar sua trajetória diferente como uma vantagem.
Segundo Jenkins, curiosidade é uma das habilidades mais importantes para entrar e aprender em novas indústrias.
Outro ponto destacado no painel foi o papel da autenticidade e da paixão na construção de marcas fortes.
Para Amy Errett, a autenticidade é um elemento central da relação entre empresa e consumidor.
Quando fundou a Madison Reed, seu objetivo era desenvolver produtos de coloração capilar com menos químicos agressivos.
Na época, muitas pessoas questionavam se isso realmente importava para o consumidor.
Hoje, mais de uma década depois, o movimento de clean beauty se tornou uma tendência dominante no setor.
Segundo a fundadora:
Quando a equipe acredita no propósito do produto, os clientes percebem isso imediatamente.
Inovação é essencial para empresas em crescimento — mas pode facilmente virar distração.
Esse equilíbrio apareceu várias vezes na discussão.
Amy Errett contou que, no início da empresa, sua postura era aceitar quase todas as ideias. Isso ajudou a construir um negócio inovador e disruptivo.
Mas à medida que a empresa cresceu, a lógica precisou mudar.
Hoje, o desafio passou a ser dizer mais “não” do que “sim”.
O motivo é simples: foco estratégico.
Quando uma empresa encontra seu modelo de negócio e sua proposta de valor, expandir em muitas direções pode diluir sua identidade.
A lógica adotada pela empresa hoje é simples:
A inteligência artificial foi outro tema central nas discussões.
Para muitos líderes presentes no SXSW, o debate atual sobre IA ainda está muito focado em produtividade e redução de custos.
Mas o impacto real pode ser muito maior.
No caso do Spotify, por exemplo, a empresa vê a IA como uma forma de aprofundar a experiência de descoberta musical.
Novas funcionalidades permitem que usuários criem playlists usando linguagem natural, descrevendo o tipo de música que desejam ouvir.
Em vez de depender apenas de algoritmos baseados em comportamento, o sistema passa a entender intenção e contexto.
Isso abre caminho para experiências mais personalizadas.
Ao mesmo tempo, a tecnologia também levanta questões importantes para o setor criativo.
Executivos do Spotify destacaram que a IA pode gerar músicas e remixes usando obras de artistas reais — algo que levanta debates sobre direitos autorais e remuneração.
A posição da empresa é clara: artistas devem continuar sendo remunerados pelo uso de suas obras, inclusive quando elas são reinterpretadas por tecnologias.
O objetivo, segundo os executivos, é criar um caminho onde:
A discussão sobre IA também apareceu no setor automotivo.
Claire McDonough, executiva da Rivian, explicou que os veículos da empresa foram projetados desde o início como plataformas definidas por software.
Isso permite que novas funcionalidades sejam adicionadas continuamente, mesmo após o carro estar nas mãos do consumidor.
Com a evolução da IA, o próximo passo será o que ela chama de veículos definidos por inteligência artificial.
Isso inclui recursos como:
No futuro, motoristas poderão escolher se desejam dirigir ou deixar o carro conduzir o trajeto.
Ao final do painel, uma reflexão apareceu repetidamente entre os executivos.
Em um mundo cheio de novas tecnologias, tendências e ideias, o verdadeiro desafio da liderança não é apenas inovar.
É saber onde focar energia e recursos.
Empresas que tentam seguir todas as tendências acabam diluindo sua identidade.
Já aquelas que mantêm clareza sobre:
conseguem navegar melhor pelas mudanças do mercado.
Apesar das trajetórias diferentes, os líderes presentes no SXSW convergiram em um ponto importante.
Empresas que conseguem inovar de forma consistente geralmente compartilham três características:
No fim das contas, inovação raramente nasce de trajetórias lineares.
Ela costuma surgir exatamente quando alguém olha para um setor inteiro e pergunta:
“E se fizéssemos isso de um jeito completamente diferente?”








