O terceiro e último dia da NRF Big Show 2026, em Nova York, fechou o evento com uma mensagem clara: o varejo está entrando em uma nova era, em que tecnologia, cultura, inovação e economia caminham juntas.
Mais do que tendências isoladas, o terceiro dia mostrou mudanças estruturais na forma como marcas criam valor, se relacionam com consumidores e tomam decisões de longo prazo.
A seguir, reunimos os 5 principais aprendizados do terceiro dia da NRF 2026, acompanhados de exemplos práticos apresentados no evento.
Índice:
1. A Revolução da IA e do “Agentic Commerce”
A Inteligência Artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta de eficiência para se tornar o motor de novos comportamentos de consumo.
- Mudança na descoberta: O varejo está migrando de buscas baseadas em palavras-chave para buscas baseadas em intenção, em que plataformas como o ChatGPT impulsionam a descoberta personalizada.
- Comércio Agêntico (Agentic Commerce): Estamos entrando na era dos agentes autônomos que não apenas auxiliam, mas podem transacionar em nome do comprador com “zero cliques”. O “comércio agêntico” é visto como a maior inovação desde a invenção da internet.
- Dados como alicerce: Para prosperar nesse cenário, o investimento em feeds de produto limpos, estruturados e robustos é a prioridade número um para garantir que as marcas sejam encontradas pelos robôs.
2. Varejo como cultura e o fator humano
A tecnologia deve servir para amplificar, e não substituir, a conexão humana e o propósito da marca.
- Cultura como sistema operacional: O varejo se torna uma extensão da cultura. Para empresas como a Authentic Brands Group (ABG), a cultura guia todas as decisões de marketing e parcerias com criadores.
- O toque humano como luxo: Em um mundo saturado de telas, a conexão humana e a empatia serão cada vez mais vistas como diferenciais de luxo. O contato físico e as pessoas completam a experiência iniciada no digital.
- IA no suporte ao colaborador: A tecnologia (como o uso de IA na Stitch Fix) deve ser usada para fazer o “trabalho pesado”, permitindo que os colaboradores (ou estilistas) foquem na criatividade e na tomada de decisões.
3. Estratégias de inovação e marketplaces
O crescimento sustentável no varejo moderno exige agilidade e a resolução de problemas reais do consumidor.
- Inovação focada no problema: O sucesso da SharkNinja baseia-se em resolver problemas que os consumidores nem sabiam que tinham, utilizando pesquisa etnográfica profunda.
- Marketplaces como testes de baixo risco: Varejistas como Target, Nordstrom e Best Buy utilizam marketplaces para preencher lacunas de sortimento e testar novas marcas sem o custo (e risco) do estoque próprio, transformando vendedores 3P em 1P após o sucesso comprovado.
- Varejo como plataforma de serviços: O valor hoje não é criado apenas no momento do pagamento, mas ao longo de toda a jornada. O futuro aponta para a monetização de ativos, como logística (Walmart GoLocal) e serviços financeiros.
O Retail Media está amadurecendo para além da busca e performance direta.
- Foco em dados primários (1st-party data): As redes de Retail Media possuem dados transacionais específicos e acionáveis que são muito mais valiosos do que os dados demográficos tradicionais.
- Storytelling e funil superior: Marcas da indústria agora buscam redes de Retail Media para contar histórias e gerar consciência de marca, utilizando espaços físicos (lojas) como telas para ativações imersivas.
5. Perspectiva econômica e desafios fiscais
O cenário macroeconômico nos EUA apresenta uma resiliência notável, mas com disparidades crescentes.
- Economia baseada em ativos: Há uma transição de uma economia baseada em renda para uma baseada em ativos (imóveis e ações), o que amplia o abismo de riqueza entre quem possui investimentos e quem depende apenas de salários.
- Bifurcação do consumo: O crescimento está concentrado nos consumidores de alta renda, enquanto a classe média e baixa permanece cautelosa e focada em valor.
- Riscos de longo prazo: Taxas de juros elevadas (para os padrões locais) devem persistir devido ao déficit fiscal e à insustentabilidade da dívida governamental.
O que o maior evento mundial de varejo ensinou?
O encerramento da NRF 2026 reforça que o futuro do varejo não será definido por uma única tecnologia ou canal. Ele será construído pela integração entre IA, cultura organizacional, estratégia de inovação, eficiência operacional e leitura econômica de longo prazo.
Mais do que acompanhar tendências, as empresas precisarão repensar seus modelos, suas relações com consumidores e, principalmente, com seus colaboradores.
O varejo do futuro será mais inteligente, mais humano e mais estratégico. Um varejo que usa a tecnologia para escalar decisões, mas entende que pessoas, cultura e propósito continuam sendo o centro de tudo.
É justamente nessa interseção entre tecnologia, bem-estar, eficiência e gestão que as decisões corporativas ganham impacto real.
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