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O chatbot Yarin, inteligência artificial usada no Teams da empresa, serve como termômetro de riscos relacionados à saúde mental
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17 de Março de 2025
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A pandemia da Covid-19, a partir do início de 2020, inaugurou uma nova fase no mundo corporativo em relação à saúde dos trabalhadores. Globalmente, empresas passaram a tratar o tema com mais urgência, especialmente a saúde mental, anteriormente negligenciada. Garantir o bem-estar dos funcionários tornou-se estratégico para os negócios.
Na Yara Brasil, filial da multinacional norueguesa de fertilizantes que tem cinco mil funcionários no país, não foi diferente. Desde 2020, as áreas de RH e Saúde Corporativa, com apoio das lideranças e do time de Tecnologia, implementaram vários projetos focados na saúde dos funcionários, reunidos no Programa Viva Yara.
Índice:
O primeiro passo, em 2020, foi a criação do Termômetro do Bem-Estar: o chatbot Yarin, uma inteligência artificial integrada ao Teams da empresa. A Yarin – que, em hebraico, significa “aquela que entende e ouve” – pergunta regularmente “Como você está se sentindo hoje?” aos colaboradores, que podem responder se estão bem ou não. Durante o auge da pandemia, a pergunta era semanal; depois, passou a ser quinzenal. Os colaboradores também podem acionar a Yarin a qualquer momento para expressar como se sentem.
Respostas como “mal” ou “muito mal” são sinalizadas e encaminhadas para profissionais de saúde, que abordam os trabalhadores de forma respeitosa e confidencial.
“Todas as informações colhidas pelo chatbot seguem as diretrizes da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais)”, conta Luiz Setti, gerente de Saúde Corporativa da Yara.
Em outra etapa do Programa Viva Yara, a companhia lançou um projeto de mapeamento dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Ele consiste na capacitação de líderes e funcionários sobre o tema, além de pesquisas para o monitoramento contínuo do bem-estar. Os dados gerados apontam aspectos que precisam de atenção.
Até 2024, houve workshops presenciais e online em dez das 14 unidades da Yara no Brasil, capacitando mais de 150 líderes e seus times sobre o tema da saúde mental. Em 2025, a empresa completará o projeto nas quatro unidades restantes.
Além disso, há uma pesquisa online usando a ferramenta Beetouch. São 50 questões respondidas por todos os funcionários, que coletam dados sobre os pilares de risco psicossocial no trabalho, como estresse, cobranças excessivas, bullying, sensação de medo, sensação de vigilância e falta de reconhecimento.
Para estimular a participação, cada unidade organiza encontros presenciais com o apoio de “influenciadores” internos: pessoas bem relacionadas que ajudam a promover a pauta da saúde mental. Quinze dias depois da reunião, a área de saúde corporativa envia a pesquisa por e-mail. Depois, RH e líderes de cada unidade, junto com a equipe médica, analisam os dados e traçam planos de trabalho. Três meses depois, há uma reunião online de retorno para avaliar os resultados.
“A conversa é sempre muito construtiva e respeitosa, evitando expor alguém. Só abordamos uma pessoa diretamente se é um caso considerado de risco. No mais, cada unidade entende algum ponto a trabalhar, como casos de ansiedade, problemas de comunicação ou estresse”, explica Setti.
Desde sua criação, o Termômetro do Bem-Estar já registrou mais de 60 mil respostas. Em 2023, foram dez mil respostas, sendo 327 “mal” ou “muito mal”, com 108 funcionários precisando de atendimento especializado em saúde mental. Já em 2024, foram 8.650 registros, com 4% precisando de mais atenção. Destes, 150 foram encaminhados para serviços de psicologia e psiquiatria.
“Tivemos casos com potencial risco para a própria vida do colaboradores e conseguimos diagnosticar isso com antecedência. Salvamos 12 vidas”, afirma Setti.
Após cinco anos de ações focadas em saúde, o chatbot Yarin é considerado uma ferramenta essencial no dia a dia da companhia, além de servir de apoio para momentos inesperados.
“Por exemplo, as terríveis enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, afetaram muito os nossos colaboradores. Além de termos abordado diretamente 400 dessas pessoas, entendendo suas necessidades, o chatbot foi essencial para termos mais entendimento de como elas estavam psicologicamente ao longo das semanas e meses, nos alertando para casos mais preocupantes”, diz Setti.
Para 2025, a Yara pretende melhorar a Yarin, aumentando a possibilidade de respostas, criando segmentações mais assertivas e que colherão mais insights sobre a saúde mental dos trabalhadores.
*Conteúdo inédito da Think Work Lab para o Acrescenta, do iFood Benefícios. Em breve, também disponível no Think Work Lab, na área exclusiva para assinantes.