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Conheça métodos que vão ajudar a estruturar um plano alinhado aos desafios mais importantes da sua empresa no próximo ano
Fundadora e CEO da People Company, um ecossistema de educação que desenvolve profissionais de RH, Jessica é idealizadora do RH Cast, videocast de RH que mais cresce no Brasil.
3 de Setembro de 2024
Leitura de 8 min
Mais da metade do ano passou e muitas empresas já estão pensando nos planos para 2025. E você, já esboçou o seu planejamento estratégico de RH? Neste artigo, você terá acesso a frameworks e métodos que vão ajudar você a estruturar um plano robusto e alinhado com os desafios mais importantes da sua empresa para o próximo ano.
De acordo com uma pesquisa da Gartner, apenas 30% das lideranças de RH acreditam que suas estruturas atuais são flexíveis o suficiente para se adaptar rapidamente às mudanças prioritárias do negócio.
Esse dado destaca a necessidade urgente de aprimorar o planejamento estratégico de RH, garantindo que ele seja dinâmico e adaptável, capaz de responder às necessidades em constante evolução da organização e do mercado.
Para além do desafio da flexibilidade, percebemos que um dos grandes equívocos de um bom plano de pessoas está relacionado à falta de antecipação. Muitas vezes as ações são pautadas nos desafios atuais do negócio (quando está), o que limita a oportunidade da área de protagonizar mudanças importantes que geram crescimento e maior sustentabilidade da empresa ao trazer propostas que mitigam riscos, por exemplo. Dentro disso, quero trazer reflexões, metodologias e frames que vão ajudar a levar o seu planejamento de RH para o próximo nível.
Índice:
Antes de mergulharmos no tema, é fundamental que você faça uma leitura clara do estado atual da sua organização. De acordo com uma pesquisa da Gartner, apenas 32% das lideranças de RH afirmam que o seu plano de RH está totalmente integrado com o planejamento estratégico do negócio. Um importante ponto de atenção!
Para isso, é fundamental entender a missão, a estratégia e os objetivos de negócios da sua empresa. Faça combinados e alinhamentos com o CEO para discutir prioridades, além da parceria com o CFO para entender e alinhar sobre as expectativas financeiras para o próximo ano.
Para te ajudar a fazer esse diagnóstico, vou deixar aqui um frame com perguntas que devem ser feitas sobre o negócio para que você consiga ter um mínimo de contexto sobre o ponto A (onde a empresa está), para que seja possível compreender o ponto B (onde a empresa precisa chegar) e, a partir disso, definir como será a contribuição do RH nesse contexto.
Depois desse entendimento, vamos ao plano para que o RH seja capaz de contribuir para a estratégia do negócio. Para isso, alguns pontos podem ser levados em consideração:
Para construir um plano estratégico de RH robusto e alinhado com os objetivos do negócio, é fundamental utilizar metodologias e ferramentas que orientem as ações da área. Nesta seção, vamos explorar algumas dessas técnicas que podem ajudar você na construção do seu plano:
A análise SWOT, que muitos de vocês já conhecem, pode ser uma ferramenta poderosa quando adaptada ao RH. Aqui, a ideia é identificar as Forças (Strengths) e Fraquezas (Weaknesses) internas do time de RH, assim como as Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats) externas no mercado de trabalho e na indústria. Confira alguns exemplos:
Dentro do assunto “metas”, temos a possibilidade de explorar os OKRs (Objectives and Key Results) para definir objetivos claros e mensuráveis para o RH. Essa metodologia, bastante utilizada por empresas “inovadoras”, ajuda a garantir que todos na organização estejam alinhados e trabalhando para o mesmo objetivo.
Você pode definir como um objetivo "aumentar a satisfação dos colaboradores em 20% até o final de 2025", por exemplo, e a partir daí, quebrar esse objetivo em resultados-chave, como "implementar um programa de feedback contínuo" ou "lançar uma nova plataforma de benefícios customizados".
Importante: Os objetivos devem fazer sentido para o negócio e estarem alinhados com as estratégias do negócio. Caso contrário, é provável que tenha problemas para aprovação dos projetos e de engajamento junto aos colaboradores.
Os OKRs não só ajudam a definir o que é sucesso para o RH, mas também oferecem uma maneira de medir esse sucesso ao longo do tempo, garantindo que todos estejam caminhando na mesma direção.
Não podemos falar de um planejamento estratégico funcional sem mencionar People Analytics. Estamos na era dos dados e o RH precisa se valer dessa poderosa ferramenta para tomar decisões mais informadas e estratégicas.
Quais as tendências de rotatividade? Quais os padrões de engajamento dos colaboradores? O quanto temos sido eficientes nas contratações?
Essas são algumas perguntas que podem ser respondidas ao analisar alguns dados.
Aqui, a ideia é simples: ter os dados certos e saber interpretá-los pode ser o diferencial entre um planejamento reativo e um proativo.
Essa metodologia coloca o colaborador no centro de todas as decisões, ajudando a entender melhor suas necessidades e criar soluções mais eficazes.
Você pode usá-la para mapear a jornada do colaborador da integração até o seu desligamento ou talvez realizar workshops colaborativos para cocriar soluções para os desafios do dia a dia. O Design Thinking nos convida a olhar para o RH com uma lente de inovação e empatia.
De acordo com uma pesquisa da Gartner, apenas 40% das lideranças de RH acreditam que sua estrutura atual de RH separa adequadamente as tarefas transacionais das estratégicas. Isso evidencia a necessidade de reavaliar como o RH está estruturado para atender às demandas do negócio.
Dentro disso, dois pontos são fundamentais de serem revisitados para que o planejamento gere resultados reais para a empresa: capacidade do time de RH e alocação de tempo deste time.
Dentro do primeiro ponto, vale reavaliar as habilidades da equipe de pessoas e como cada um dos profissionais envolvidos pode contribuir para a execução do planejamento.
Sobre a alocação de tempo, tenho uma dica. Certa vez, entrevistando uma pessoa de RH, ela nos gerou um bom insight sobre como dividir a energia do time, veja só:
Espero que este conteúdo tenha sido útil para que você avalie como tem direcionado o tempo do seu time de RH e sirva como referência para a estrutura do seu plano de RH para 2025. Importante dizer que o planejamento estratégico de pessoas deve ser um processo contínuo e interativo que evolui com a organização, por isso, encorajo você a adotar de forma definitiva uma mentalidade de crescimento e aprendizado contínuo.
Jessica Martins tem quase 14 anos de experiência em Recursos Humanos e hoje atua à frente da People Company, ecossistema educacional que desenvolve profissionais de RH, gerando negócios para a área. Também lidera o RH Cast, podcast de RH que mais cresce no Brasil, e o People Summit, evento para profissionais de People.