Concarh 2025: Qual a tua voz?

Veja todas tendências que estão moldando o futuro do RH nas empresas e os principais insights do Concarh.

10 de Julho de 2025

Leitura de 10 min

Qual a tua voz?

Foi com essa pergunta provocadora e uma abertura cheia de emoção que começou o primeiro dia do CONCARH, um dos maiores evento de RH do Brasil.

Com performances artísticas, música ao vivo e a energia contagiante da mestre de cerimônia Maryana com Y, o evento deu o tom do que viria pela frente: uma jornada de reflexões profundas sobre os desafios que marcam a sociedade e o universo do RH.

A proposta ficou clara desde o início: entender que ter voz é um ato de coragem. É escolher se posicionar, gerar impacto e transformar realidades — dentro e fora das organizações.

E você? Já parou para pensar qual é a sua voz nesse mundo em constante mudança?

Vem com a gente descobrir os destaques das palestras e, quem sabe, encontrar a força e o propósito por trás da sua própria voz.

Índice:

Qual a tua voz?

“Lugar de fala: não é sobre o que se fala, mas de onde se fala.”

Em um país como o Brasil cuja base econômica foi construída sobre a escravidão, compreender a história é essencial para reconhecer de onde cada pessoa fala.

Foi assim que Djamila Ribeiro, mestra em filosofia política, escritora e coordenadora da Coleção Feminismos Plurais, trouxe à tona uma das reflexões mais potentes do dia: lugar de fala não diz respeito apenas ao conteúdo da fala, mas às estruturas sociais que definem quem deve ser ouvido.

Ela relembrou fatos históricos e destacou como a população negra enfrentou — e ainda enfrenta — restrições de acesso à educação, moradia e oportunidades. “Por que é importante saber disso? Para entendermos de onde se parte”, afirmou. “Nós não partimos todos do mesmo lugar.”

O lugar de fala, segundo Djamila, significa reconhecer que falamos a partir de realidades distintas. E é justamente essa consciência que deve orientar gestores e líderes:

“Do meu lugar social, como posso impactar outras vozes? Estou escutando e lidando com o incômodo que outra voz nos trouxe  ou apenas reprimindo?”

Ela reforçou que achar que sabemos tudo nos empobrece como seres humanos. Ouvir outras vivências não é apenas um ato social, mas uma atitude estratégica. Ambientes diversos são mais criativos, inovadores e adaptáveis  e o papel do RH é garantir que essas vozes tenham espaço para existir e prosperar.

Djamila também destacou que a empatia é um fator fundamental nesse processo, e fez um convite à reflexão sobre seu verdadeiro significado.

Para ela, empatia é uma construção intelectual e de escuta, é preciso conhecer a realidade do outro para poder escutar de fato. E só assim será possível compreender a voz que vem desse outro lugar.

Criar espaços diversos exige mais do que discursos prontos. Exige intenção, coragem e escuta ativa.

E aqui fica o convite de Djamila  e o nosso também:

Como o seu RH tem escutado, acolhido e amplificado diferentes vozes dentro da organização?

Reações Cerebrais à Incerteza: Neurociência para Gerenciar Mudanças e Reduzir Resistências

Com uma abordagem acessível e provocadora, o neurocientista, palestrante e professor Daniel Hosken trouxe ao CONCARH um convite necessário: compreender o funcionamento do cérebro é essencial para compreender e conduzir mudanças.

Segundo ele, toda adaptação passa por um processo de mudança de comportamento, que por sua vez exige uma transformação cerebral. Em tempos de revoluções sociais cada vez mais frequentes e aceleradas, essa habilidade se torna crítica:

“Quanto mais o tempo passa, mais mudanças acontecem acima da nossa capacidade de adaptação.”

Essa pressão constante, explica Hosken, gera uma série de reações: estresse, ansiedade, insegurança, hiperestimulação e desafios para manter um dos recursos mais escassos do mundo atual, a atenção.

Mas ele alerta: Nem toda adaptação é positiva. Adaptar-se é também resposta ao ambiente, e nem sempre esse ambiente é saudável ou construtivo.

Para Hosken, a adaptabilidade está diretamente ligada à neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de se reorganizar, criar novas conexões e aprender.

E reforçou que, especialmente entre adultos, o aprendizado depende de quatro fatores fundamentais:

  1. Motivação ou necessidade
  2. Ferramentas e estratégias 
  3. Prática e tempo 
  4. Otimização por meio de feedbacks

Os vetores da resistência

Mudar não é simples. E Daniel reforçou que há vários vetores internos que atuam como forças contrárias ao impulso da mudança:

  • Emoções
  • Ambiente
  • Hábitos 
  • Razão
  • Comportamentos 

Entender isso é essencial para criar estratégias de mudança mais realistas e humanas.

Da sobrevivência ao pertencimento: os 4 estágios da motivação

Daniel apresentou os quatro grandes estágios da motivação ao longo da história:

  1. Motivação biológica
    Instintos básicos como sobrevivência, alimentação, reprodução.
     Anos 1900 
  2. Motivação extrínseca
    Recompensas e punições externas, status, cargos.
     Anos 1950 
  3. Motivação intrínseca
    Prazer, propósito, autonomia e excelência.
     Anos 2000
  4. Motivação empática
    Sentimento de pertencimento, conexão e valorização.
     A partir de 2025
     

Segundo ele, estamos entrando na era da motivação empática, e é esse sentimento de fazer parte que será a grande chave para engajar pessoas em tempos de transformação.

Níveis de mudança e caminhos de adaptação

Por fim, Daniel destacou que nem toda mudança acontece no mesmo nível. Elas podem ser:

  • De conhecimento
  • De comportamento
  • De capacidade
  • De modelo mental

E que os caminhos para a adaptação variam quando falamos de indivíduos e organizações:

No indivíduo:

Mentalidade • Habilidade • Atitude • Consciência

Na organização:

Cultura • Competências • Processos • Análises

Se quisermos promover mudanças reais e sustentáveis, seja em nós mesmos, nas equipes ou nas empresas, precisamos parar de enxergar a transformação como um evento externo. Mudar é, antes de tudo, uma reorganização interna. E o cérebro é onde tudo começa.

Felicidade no Trabalho é Possível? -  Lições do Butão e de mais 10 países sobre empresas que inspiram

Com uma fala leve, inspiradora e cheia de propósito, o casal Eduardo e Yara Xavier, fundadores do projeto Caçadores de Bons Exemplos, abriu sua palestra convidando o público a refletir: estamos realmente valorizando as pessoas que trabalham com a gente?

Eles compartilharam um pouco de sua trajetória, marcada pelo desejo genuíno de contribuir com o mundo e logo lançaram a provocação:

"Você nota seus colaboradores? Reconhece o valor real que eles têm?"

O que o Butão tem a ensinar às empresas?

Um dos exemplos que mais chamou atenção foi o do Butão, considerado o país mais feliz do mundo.
Lá, a felicidade é levada a sério, a ponto de ser medida nacionalmente com base em quatro pilares:

  • Boa governança
  • Desenvolvimento socioeconômico e sustentável
  • Preservação e promoção da cultura
  • Conservação ambiental
     

Diante disso, veio o questionamento:

“Na sua empresa, vocês têm pilares bem definidos para cuidar da felicidade dos colaboradores?
Como vocês medem se as pessoas estão realmente felizes no trabalho?”

Felicidade, voluntariado e coragem

Para Yara, felicidade é uma troca mútua. É quando os dois lados ganham juntos.
Ela lembra que o medo é natural, ele nos protege.
Mas alerta: quando o medo vira pânico, ele nos paralisa.

“É preciso coragem para viver. É preciso se jogar.”

Yara também destacou a importância do trabalho voluntário como ferramenta de conexão, propósito e felicidade.
Para ela, o voluntariado ensina e desenvolve exatamente o que as empresas precisam para se tornarem lugares mais humanos e agradáveis de se trabalhar.

As 10 competências do voluntariado — que toda empresa deveria valorizar:

  1. Trabalho em equipe
  2. Otimização do tempo
  3. Comunicação
  4. Assertividade
  5. Consciência cidadã
  6. Ética
  7. Proatividade
  8. Criatividade
  9. Comprometimento
  10. Automotivação

Essas habilidades, muitas vezes desenvolvidas em contextos sociais e comunitários, são cada vez mais exigidas nas organizações modernas.

A palestra se encerrou com uma pergunta simples, mas poderosa.

"Suas equipes estão felizes... ou só no happy hour?"

Mulheres na Liderança

Em um painel inspirador, quatro mulheres com trajetórias potentes compartilharam suas vivências, desafios e conquistas no palco do CONCARH. Estavam presentes:

Regina Zimmermann abriu a conversa falando sobre o poder da voz feminina:

“A voz da mulher brasileira é a voz de que ela pode estar onde quiser, ser quem quiser e conquistar o que quiser.”

Vanessa Olímpia e Daniela Sagaz concordaram e reforçaram que a voz da mulher tem poder de ecoar longe e de transformar realidades.

Leyla Nascimento seguiu conduzindo o painel com uma pergunta direta:

“Quais foram os principais desafios que vocês enfrentaram por serem mulheres?”

Daniela Sagaz compartilhou um episódio marcante da sua formação como psicóloga. Durante uma entrevista de estágio, mesmo com experiência e competência, foi recusada. O motivo? A empresa não tinha acessibilidade para receber uma pessoa com deficiência física.

Ela lembrou que o cuidado com a diversidade não é apenas uma responsabilidade do RH, mas um compromisso de todos, individual e coletivo.

Leyla reforçou essa reflexão, destacando que o acolhimento e a preparação para receber pessoas com deficiência não devem esperar a situação acontecer para então agir. A inclusão começa com intencionalidade.

Vanessa Olímpia, lembrou a todos que contratar diversidade não significa que se está promovendo inclusão.

Ela pontuou que os Recursos Humanos precisam refletir sobre o quão acessíveis são seus ambientes e o quanto, de fato, estão preparados para receber a diversidade de forma genuína.

Vanessa também falou dos desafios enfrentados como mulher negra no mercado de trabalho, e como o apoio de outras mulheres foi essencial para que ela pudesse ocupar o espaço onde está hoje.

Segundo ela, o sucesso começa com o autoconhecimento, o reconhecimento da própria identidade, acolhimento, amor-próprio e percepção das próprias necessidades.

Regina Zimmermann compartilhou que seu maior desafio persiste até hoje. Atuando na área da engenharia, ela costuma ser a única mulher nas reuniões, em mesas compostas majoritariamente por homens. Ainda assim, nunca permitiu que isso a constrangesse ou a impedisse de avançar.

Ela relatou um episódio delicado, em que sofreu ofensas, disputas e comparações de um colega homem, que se sentia ameaçado pelo seu crescimento. Foi o RH, com um olhar atento e sensível, que percebeu o que estava acontecendo e interveio.

Leyla Nascimento lançou uma nova provocação:

“Se tivéssemos que participar de uma reunião para falar sobre diversidade e liderança feminina, qual seria o primeiro item da pauta?”

Daniela Sagaz destacou a importância de conhecer a demografia da empresa para sair dos achismos, e conhecer o cenário real para agir com efetividade.

Vanessa Olímpia complementou, dizendo que também acredita na importância dos dados demográficos, mas que isso deve vir alinhado à estratégia do negócio:

“É preciso entender para onde queremos ir e o que estamos construindo.”

Para Regina Zimmermann, a pauta ESG deve estar conectada à estratégia, mas, acima de tudo, ela reforçou que quem entrega resultados são as pessoas. E portanto, o primeiro tema deve ser sempre as pessoas, e a valorização delas.

 

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