Neurodiversidade no trabalho: inclusão e desempenho

Entenda o que é neurodiversidade, por que ela importa para os negócios e como o RH pode criar ambientes mais inclusivos e produtivos.

26 de Fevereiro de 2026

Leitura de 4 min

diversidade no ambiente corporativo evoluiu. Se antes o foco estava apenas em gênero, raça e faixa etária, hoje as empresas mais conscientes ampliam o olhar para algo igualmente estratégico: a neurodiversidade. Transtornos do neurodesenvolvimento, como autismo, TDAH, dislexia e discalculia, fazem parte da realidade de milhões de profissionais — muitos deles já atuando nas organizações, ainda que invisíveis.

Para o RH, falar de neurodiversidade não é apenas cumprir uma agenda de inclusão. É reconhecer diferentes formas de pensar, aprender e resolver problemas, transformando isso em vantagem competitiva, inovação e performance sustentável.

Índice:

  • O grande desafio: empresas pouco preparadas
  • Por que neurodiversidade é também estratégia de negócio?
  • O papel do RH na inclusão neurodivergente
  • Inclusão que retém, engaja e desenvolve
  • Neurodiversidade e futuro do trabalho
  • O que é neurodiversidade?

    Neurodiversidade é o conceito que reconhece que variações neurológicas fazem parte da diversidade humana. Pessoas neurodivergentes podem apresentar formas diferentes de comunicação, concentração, percepção sensorial, organização e processamento de informações — sem que isso represente menor capacidade profissional.

    No ambiente corporativo, essas diferenças, muitas vezes, são vistas como “dificuldades”, quando, na prática, podem se traduzir em habilidades únicas, como alto nível de foco, pensamento lógico apurado, criatividade, memória visual ou capacidade analítica profunda.

    Leia também: Como será o futuro da diversidade e inclusão nas empresas?

    O grande desafio: empresas pouco preparadas

    Apesar da relevância do tema, a maioria das organizações ainda está distante de uma atuação estruturada. Pesquisa recente da Consultoria Maya, em parceria com a Universidade Corporativa Koru, revelou que 86,4% dos profissionais nunca participaram de treinamentos ou programas sobre neurodiversidade no trabalho.

    Esse dado evidencia uma lacuna crítica: empresas querem ser inclusivas, mas ainda não capacitaram lideranças, RHs e times para lidar com o tema de forma prática, respeitosa e eficiente. Sem preparo, é alto o risco de exclusão velada, vieses inconscientes e perda de talentos.

    Por que neurodiversidade é também estratégia de negócio?

    A inclusão de profissionais neurodivergentes não gera impacto apenas social. Ela afeta diretamente os resultados. Segundo a Ordem dos Psicólogos Portugueses, equipes que incluem pessoas neurodivergentes podem ser até 30% mais produtivas do que equipes exclusivamente neurotípicas.

    A diversidade cognitiva amplia repertórios, melhora a resolução de problemas complexos e estimula a inovação. Em um cenário onde criatividade, análise de dados e pensamento crítico são ativos estratégicos, ignorar a neurodiversidade é desperdiçar potencial humano.

    O papel do RH na inclusão neurodivergente

    O RH é o principal agente de transformação quando o assunto é neurodiversidade. Algumas frentes são essenciais:

    1. Sensibilização e educação interna

    Antes de qualquer política, é preciso informação. Treinar lideranças e times para entender o que é neurodiversidade, quebrar estigmas e promover empatia é o primeiro passo para um ambiente verdadeiramente inclusivo.

    2. Processos seletivos mais acessíveis

    Dinâmicas em grupo, entrevistas extremamente subjetivas ou avaliações pouco claras podem excluir talentos neurodivergentes. O RH pode:

    • Adaptar formatos de entrevistas;
    • Oferecer instruções objetivas;
    • Avaliar competências reais, não apenas performance social.

    3. Adaptação do ambiente de trabalho

    Pequenos ajustes fazem grande diferença:

    • Flexibilidade de horários;
    • Redução de estímulos sensoriais excessivos;
    • Clareza na comunicação e nas expectativas;
    • Possibilidade de trabalho remoto ou híbrido.

    Inclusão não é tratamento especial — é equidade.

    4. Liderança preparada para gerir diferenças

    Gestores precisam aprender a liderar pessoas diferentes de si. Isso envolve feedbacks mais claros, combinados explícitos, acompanhamento próximo e respeito às formas individuais de trabalhar.

    5. Cultura de segurança psicológica

    Pessoas neurodivergentes só performam bem quando se sentem seguras para ser quem são. O RH deve garantir ambientes onde o erro não gera punição imediata e onde pedir apoio não seja visto como fraqueza.

    Inclusão que retém, engaja e desenvolve

    Quando a empresa reconhece e valoriza a neurodiversidade, ela não apenas amplia o acesso ao trabalho, mas cria times mais completos, inovadores e engajadosInclusão real reduz turnover, melhora o clima organizacional e fortalece o employer branding.

    Mais do que adaptar processos, trata-se de repensar a forma como o trabalho é organizado, colocando as pessoas — com todas as suas diferenças — no centro da estratégia.

    Neurodiversidade e futuro do trabalho

    A inclusão da neurodiversidade nas companhias não é uma tendência passageira, mas um reflexo da evolução das organizações rumo a modelos mais humanos, inteligentes e sustentáveis. Empresas que entendem isso saem na frente, não apenas por serem mais justas, mas por serem mais eficientes.

    O RH tem a responsabilidade — e a oportunidade — de liderar essa transformação, criando ambientes onde diferentes formas de pensar não só são respeitadas, mas reconhecidas como vantagem competitiva.

    Incluir também é cuidar. Benefícios flexíveis, que respeitam diferentes rotinas, necessidades e estilos de vida, ajudam a criar ambientes mais acolhedores e humanos.

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    Diversidade e inclusão

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