Concarh: O papel do RH no futuro do trabalho

Como a consciência humana, a liderança e a cultura organizacional moldam o futuro do trabalho na era da IA.

14 de Julho de 2025

Leitura de 11 min

No terceiro dia do Concarh, fechamos o ciclo com uma reflexão poderosa: em meio à ascensão das máquinas, o que nos faz profundamente humanos? 

As palestras trouxeram temas como ansiedade, liderança, cultura e propósito. Foi uma jornada que uniu filosofia, dados, cases e provocação, sempre com o humano no centro.

Em meio a algoritmos cada vez mais inteligentes, ficou evidente que a inteligência emocional, a consciência e a capacidade de imaginar cenários ainda são os maiores diferenciais humanos.

Mais do que acompanhar a transformação digital, o papel do RH será liderar a transição cultural, com coragem, presença e propósito. Quer ficar por dentro de cada conteúdo? Segue com a gente!

Índice:

Você não é uma IA, e isso é uma boa notícia

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Emanuel Aragão, filósofo, escritor e psicoterapeuta, iniciou sua palestra definindo o conceito de ansiedade e seus diferentes tipos — entre eles, a ansiedade provocada pela Inteligência Artificial. Essa forma específica pode se manifestar em três estados emocionais: negação, euforia e pânico.

Essa ansiedade nos faz questionar: como a IA vai transformar nossas vidas? Como impactará nosso trabalho? Ela vai garantir nossos empregos ou eliminá-los por completo? Diante de tantas projeções, mergulhamos numa montanha-russa emocional que alterna entre euforia, negação e pânico.

E essa sensação é reforçada por dados do próprio mercado de trabalho, que apontam para a inevitável automação de diversas funções, especialmente em áreas operacionais e administrativas:

  • 85% dos empregos operacionais e de manufatura
     
  • 70% dos cargos de atendimento ao cliente
     
  • 67% dos cargos administrativos
     
  • 46% dos analistas de sistemas
     
  • 44% dos cargos em marketing
     
  • 35% dos cargos em RH
     
  • 29% dos desenvolvedores de software
     

Além disso, a IA já supera os humanos em áreas altamente especializadas, como radiologia e dermatologia. E seu uso tem se popularizado até mesmo na área de saúde mental: cerca de 10% dos brasileiros já utilizam a IA como uma espécie de terapeuta, aproximadamente 12 milhões de pessoas. Muitos relatam, inclusive, redução de sintomas leves de ansiedade e depressão.

Mas, como tudo, a IA também traz suas contrapartidas:

  • Redução da atividade cerebral com o uso excessivo
     
  • Preguiça cognitiva — você não guarda o que aprende com o ChatGPT
     
  • Impactos na memória — você não lembra o que produziu com a IA
     
  • Alto custo ambiental
     
  • Consumo intensivo de água
     

O ponto de virada está na consciência. Enquanto a IA trabalha com:

  • Processamento de dados
     
  • Informações
     
  • Reconhecimento de padrões
     
  • Cálculos e planejamentos
     

Nós, humanos, operamos num outro campo: o da consciência. Algo mais sutil, subjetivo.É a nossa capacidade de:

  • Sentir a qualidade do momento presente
     
  • Ter a experiência de estar vivo
     
  • Se perceber sendo
     
  • Experimentar afetos, sentimentos, estados emocionais
     

E é aí que Emanuel propõe uma analogia provocativa:

Se hoje falamos tanto das LLMs (Large Language Models), ele nos apresenta os MMLs.

🔹 LLM: redes neurais sem tronco cerebral, sem necessidades fundamentais, com reforço por feedback humano.
🔹 MML: redes neurais orgânicas, construídas a partir do tronco cerebral, com necessidades essenciais e aprendizado por vivência.

A grande vantagem humana? A mortalidade.

Justamente porque somos finitos, buscamos sentido. Temos um parâmetro interno que nos faz querer saber se estamos indo bem ou mal.
A consciência da morte nos impulsiona à vida: sentimos medo, projetamos soluções, temos prazer ao encontrá-las. Somos movidos pela busca e encontramos sentido no caminho.

A Inteligência Artificial está aqui para transformar a sociedade, otimizar processos e ampliar a produtividade. Como qualquer evolução, ela traz aspectos positivos e negativos. Mas é nossa consciência, nossa capacidade de imaginar, sentir e buscar que continuará nos diferenciando.

E as recomendações de Emanuel para lidar com esse cenário?

  • Transformar o medo em confiança
     
  • Estimular a imaginação
     
  • Viabilizar caminhos

Fim do trabalho e a extinção da liderança

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Piero Franceschi, palestrante e Partner StartSe trouxe uma reflexão para o mundo do trabalho e como estamos vivendo. Vivemos tempos acelerados. Mas a verdade é que somos nós que aceleramos o tempo: pulamos vídeos, aceleramos áudios, queremos que tudo passe mais rápido.

Estamos imersos na sociedade da distração, da ansiedade e do cansaço. Segundo Piero, entramos na era da economia do atalho com "4 passos para o sucesso", "5 caminhos para a felicidade", sempre pequenos passos para se obter o que deseja,sempre conectados, com o cérebro acoplado a uma máquina.

Nesse contexto, o trabalho deixou de ser espaço de realização e passou a ser sinônimo de sofrimento: aprisionamento, lentidão, tédio, excesso de controle, opressão. O trabalho, que antes era lugar de conquista, virou um campo de desgaste.

Vivemos o maior desencaixe da cultura corporativa.

  • Colaboradores que não colaboram: entediados, ansiosos, desconectados do propósito.
     
  • Líderes que não lideram: cansados de correr, ansiosos para fugir, obcecados por controle, sem tempo (ou paciência) para desenvolver pessoas.

E ainda há um dilema atual na área de Gente & Gestão: a hiperpersonalização. A verdade é que nenhuma empresa conseguirá agradar 100% dos colaboradores.

Nos dados apresentados por Piero:

  • 39% das pessoas não querem mais ser líderes.
     
  • O trabalho virou, para muitos, um lugar sem futuro.

E, enquanto colaboradores e líderes tentam se reencontrar, chegaram as máquinas: elas têm fome de trabalho, não criam expectativas, aprendem rápido.
O modelo tradicional de trabalho humano entrou em disrupção. Potanto, é hora de empreender um novo caminho.

Só haverá futuro do trabalho se resgatarmos o seu significado humano, afirma Piero.

No fim das contas, pessoas seguem pessoas. Para ele, é preciso resgatar a liderança  porque ela é a principal responsável por ressignificar o trabalho. E para isso, apresentou o que entende ser o novo algoritmo para a liderança.

O novo algoritmo da liderança

  1. Posição
    Farol em meio ao caos. Lidera pelo exemplo, assume julgamentos éticos e faz escolhas difíceis.
     
  2. Potência
    Governa por perguntas poderosas. Estimula a experimentação contínua e o pensamento não-linear.
     
  3. Perspectiva
    Domina a narrativa do dia a dia. Cria nexo no desconexo. Transforma o impossível em pequenas missões possíveis.
     
  4. Presença
    Cultiva abertura e transparência. Está disponível, atua como mentora individualmente e reconhece até o que parece pequeno.

Mas afinal, qual é o futuro do trabalho humano?

Humanos estarão onde perguntas forem feitas, onde ideais forem discutidos
limites forem quebrados. Humanos estarão no lugar de humanos.

E para isso, será preciso desenvolver três novas dimensões do trabalho na humanidade:

  • Desafio: espírito de conquista e valorização da coragem
     
  • Descoberta: curiosidade incansável, aprendizado contínuo, erros inteligentes
     
  • Diálogo: senso de pertencimento, construção de autoestima e (re)conexão humana
     

90 Dias de Cultura: O que faz o iFood ser o iFood, promovida por iFood

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Sofia Kaloustian, HRBP Manager no iFood Pago apresentou a cultura do iFood e seus valores:

  • Empreendedorismo
  • Resultados
  • Inovação
  • All together

E junto com os valores, com o crescimento, desenvolvimento e evolução do iFood a organização criou o J.I.T, o Jeito iFood de Trabalhar. Que é a cultura refletida em princípios que traduzem os comportamentos esperados do nosso time. Entre eles:

  • Sonhe Grande - Ser movido por propósito e apetite constante de conquistar o impossível.
  • Conflitos Produtivos - Encarar os problemas de frente, ser brutal com os fatos, não com as pessoas.
  • Mentalidade de Dono - Assumir a responsabilidade e pensar no iFood em primeiro lugar.
  • Ambidestria - Valorizar a inovação como motor do crescimento do iFood. Criar soluções escaláveis.
  • Ágil: Falhe Rápido e Aprenda -  Aprenda fazendo. Teste,erre, corrija rápido e mantenha o ritmo para chegar mais longe - sem medo de ajustar a rota.
  • Priorize 80/20 - Descomplique o caminho e transforme problemas em soluções que geram resultados de impacto.
  • Gente - Acredite na força das nossas pessoas. Valorize a equidade e diversidade — de pessoas, trajetórias e ideias,

“Não tem uma discussão que eu participe, que não tenha conflitos produtivos, que não tenha pessoas preocupadas em ser ágeis [..] somos provocados todos os dias com nossa cultura.”

Para Sofia, a cultura do iFood é provocadora e realmente colocada em prática todos os dias. Na empresa os colaboradores são estimulados a desapegar do não funciona mais e inovar. Ela se viu numa verdadeira cultura de alta performance, que investe em inovação e não perde o olhar de cuidado com os colaboradores.

A revolução da IA: desenhando o futuro do RH no Brasil hoje

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Com a pergunta provocadora “Hype midiático ou revolução verdadeira?” Guilherme Dias nos convidou a refletir sobre o impacto real da Inteligência Artificial no mundo do trabalho, especialmente no RH.

Na Gupy, a escolha tem sido clara: olhar além do barulho e focar nas perguntas certas. A principal delas: como a IA pode, de fato, apoiar o RH?

Um dos grandes desafios da área continua sendo atrair e engajar times de alta performance, e os dados mostram isso com nitidez:

  • 75% das empresas, globalmente, enfrentam escassez de talentos
  • 69% dos candidatos desistem no meio de um processo seletivo — os principais motivos? Falta de clareza, demora e ausência de feedback.

Guilherme fez um alerta: as mudanças estão acontecendo numa velocidade sem precedentes.A capacidade computacional dobra a cada dois anos.

E ele afirma: isso não é apenas hype midiático. É uma revolução. Um marco na forma como trabalhamos.

Mas se agora todos têm acesso à tecnologia de ponta, o que vai diferenciar uma empresa da outra?

A resposta está na conexão. Quem conseguir unir tecnologia e pessoas de forma estratégica vai destravar um novo patamar de resultados. E o RH tem papel central nesse processo.

Segundo estudos, 76% das funções do RH terão impacto direto da IA até 2030.

Até agora, usamos a IA como aceleradora:

  • Escrevendo descrições de vagas
  • Ordenando currículos
  • Distribuindo vagas
  • Validando documentos
  • Analisando dados

Mas o próximo passo é ainda mais ambicioso: usar a IA como agente de transformação. Não é sobre fazer mais rápido. É sobre fazer diferente.

A IA do futuro executa, decide, propõe. Ela lida com complexidades, trabalha com você, aprende com o processo e atua como parceira.

E quem protagoniza esse novo cenário? Os agentes de IA.

Agentes inteligentes têm três superpoderes:

  • Perceber: captam o ambiente e interpretam o contexto;
  • Decidir: tomam decisões com base em objetivos definidos;
  • Agir: executam ações de forma autônoma.

No RH, os agentes de IA já podem atuar em diversas frentes:

  • Aquisição de talentos
  • Gestão de talentos
  • Planejamento de carreira e sucessão
  • Feedback e engajamento
  • Gestão de contingências
  • Processos de pagamento e recompensas
  • Análises de produtividade
  • Relações jurídicas e trabalhistas

“ O nosso papel como RH vai ser arquitetar essa estrutura para saber o que será executado por uma pessoa e o que será executado por agentes [...] a força de trabalho será mista.”

O que vimos em três dias sobre futuro

Durante três dias de Concarh, percorremos um caminho que começou pela compreensão da ansiedade gerada pela Inteligência Artificial, passou pela crise da liderança e da cultura corporativa, e terminou com um convite à consciência: o que ainda nos torna insubstituíveis nesse novo mundo?

Todos os painéis, palestras e workshops deixaram um mensagem potente:

O futuro do trabalho não será definido apenas por códigos, algoritmos e automação, mas por quem tiver coragem de sentir, conectar, imaginar e transformar.

Não estamos diante de uma era de substituição, mas de transição.  A tecnologia veio para somar — mas cabe a nós, humanos, decidir o que fazemos com esse novo poder.

Mais do que uma tendência, o futuro exige de todos nós uma postura ativa: de líderes que se colocam à disposição, de RHs que constroem pontes, de empresas que sustentam culturas vivas e coerentes.

Porque, no fim, é a nossa humanidade que molda o progresso. E o progresso que não considera as pessoas, não vale o caminho.

 

O futuro do trabalho já começou — e o iFood Benefícios está nele.

Estamos sempre à frente dos principais eventos de RH, acompanhando de perto as transformações, inovações e tendências que moldam o mundo do trabalho.

Continue acompanhando o Acrescenta — nosso hub de conteúdos — e mantenha-se conectado ao que realmente importa: pessoas, propósito e futuro.

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