Como o humor turbina conexões e aprendizado

Como a consciência humana, a liderança e a cultura organizacional moldam o futuro do trabalho na era da IA.
14 de Julho de 2025
Leitura de 11 min
No terceiro dia do Concarh, fechamos o ciclo com uma reflexão poderosa: em meio à ascensão das máquinas, o que nos faz profundamente humanos?
As palestras trouxeram temas como ansiedade, liderança, cultura e propósito. Foi uma jornada que uniu filosofia, dados, cases e provocação, sempre com o humano no centro.
Em meio a algoritmos cada vez mais inteligentes, ficou evidente que a inteligência emocional, a consciência e a capacidade de imaginar cenários ainda são os maiores diferenciais humanos.
Mais do que acompanhar a transformação digital, o papel do RH será liderar a transição cultural, com coragem, presença e propósito. Quer ficar por dentro de cada conteúdo? Segue com a gente!
Índice:
Emanuel Aragão, filósofo, escritor e psicoterapeuta, iniciou sua palestra definindo o conceito de ansiedade e seus diferentes tipos — entre eles, a ansiedade provocada pela Inteligência Artificial. Essa forma específica pode se manifestar em três estados emocionais: negação, euforia e pânico.
Essa ansiedade nos faz questionar: como a IA vai transformar nossas vidas? Como impactará nosso trabalho? Ela vai garantir nossos empregos ou eliminá-los por completo? Diante de tantas projeções, mergulhamos numa montanha-russa emocional que alterna entre euforia, negação e pânico.
E essa sensação é reforçada por dados do próprio mercado de trabalho, que apontam para a inevitável automação de diversas funções, especialmente em áreas operacionais e administrativas:
Além disso, a IA já supera os humanos em áreas altamente especializadas, como radiologia e dermatologia. E seu uso tem se popularizado até mesmo na área de saúde mental: cerca de 10% dos brasileiros já utilizam a IA como uma espécie de terapeuta, aproximadamente 12 milhões de pessoas. Muitos relatam, inclusive, redução de sintomas leves de ansiedade e depressão.
Mas, como tudo, a IA também traz suas contrapartidas:
O ponto de virada está na consciência. Enquanto a IA trabalha com:
Nós, humanos, operamos num outro campo: o da consciência. Algo mais sutil, subjetivo.É a nossa capacidade de:
E é aí que Emanuel propõe uma analogia provocativa:
Se hoje falamos tanto das LLMs (Large Language Models), ele nos apresenta os MMLs.
🔹 LLM: redes neurais sem tronco cerebral, sem necessidades fundamentais, com reforço por feedback humano.
🔹 MML: redes neurais orgânicas, construídas a partir do tronco cerebral, com necessidades essenciais e aprendizado por vivência.
A grande vantagem humana? A mortalidade.
Justamente porque somos finitos, buscamos sentido. Temos um parâmetro interno que nos faz querer saber se estamos indo bem ou mal.
A consciência da morte nos impulsiona à vida: sentimos medo, projetamos soluções, temos prazer ao encontrá-las. Somos movidos pela busca e encontramos sentido no caminho.
A Inteligência Artificial está aqui para transformar a sociedade, otimizar processos e ampliar a produtividade. Como qualquer evolução, ela traz aspectos positivos e negativos. Mas é nossa consciência, nossa capacidade de imaginar, sentir e buscar que continuará nos diferenciando.
E as recomendações de Emanuel para lidar com esse cenário?
Piero Franceschi, palestrante e Partner StartSe trouxe uma reflexão para o mundo do trabalho e como estamos vivendo. Vivemos tempos acelerados. Mas a verdade é que somos nós que aceleramos o tempo: pulamos vídeos, aceleramos áudios, queremos que tudo passe mais rápido.
Estamos imersos na sociedade da distração, da ansiedade e do cansaço. Segundo Piero, entramos na era da economia do atalho com "4 passos para o sucesso", "5 caminhos para a felicidade", sempre pequenos passos para se obter o que deseja,sempre conectados, com o cérebro acoplado a uma máquina.
Nesse contexto, o trabalho deixou de ser espaço de realização e passou a ser sinônimo de sofrimento: aprisionamento, lentidão, tédio, excesso de controle, opressão. O trabalho, que antes era lugar de conquista, virou um campo de desgaste.
Vivemos o maior desencaixe da cultura corporativa.
E ainda há um dilema atual na área de Gente & Gestão: a hiperpersonalização. A verdade é que nenhuma empresa conseguirá agradar 100% dos colaboradores.
Nos dados apresentados por Piero:
E, enquanto colaboradores e líderes tentam se reencontrar, chegaram as máquinas: elas têm fome de trabalho, não criam expectativas, aprendem rápido.
O modelo tradicional de trabalho humano entrou em disrupção. Potanto, é hora de empreender um novo caminho.
Só haverá futuro do trabalho se resgatarmos o seu significado humano, afirma Piero.
No fim das contas, pessoas seguem pessoas. Para ele, é preciso resgatar a liderança porque ela é a principal responsável por ressignificar o trabalho. E para isso, apresentou o que entende ser o novo algoritmo para a liderança.
Humanos estarão onde perguntas forem feitas, onde ideais forem discutidos
e limites forem quebrados. Humanos estarão no lugar de humanos.
E para isso, será preciso desenvolver três novas dimensões do trabalho na humanidade:
Sofia Kaloustian, HRBP Manager no iFood Pago apresentou a cultura do iFood e seus valores:
E junto com os valores, com o crescimento, desenvolvimento e evolução do iFood a organização criou o J.I.T, o Jeito iFood de Trabalhar. Que é a cultura refletida em princípios que traduzem os comportamentos esperados do nosso time. Entre eles:
“Não tem uma discussão que eu participe, que não tenha conflitos produtivos, que não tenha pessoas preocupadas em ser ágeis [..] somos provocados todos os dias com nossa cultura.”
Para Sofia, a cultura do iFood é provocadora e realmente colocada em prática todos os dias. Na empresa os colaboradores são estimulados a desapegar do não funciona mais e inovar. Ela se viu numa verdadeira cultura de alta performance, que investe em inovação e não perde o olhar de cuidado com os colaboradores.
Com a pergunta provocadora “Hype midiático ou revolução verdadeira?” Guilherme Dias nos convidou a refletir sobre o impacto real da Inteligência Artificial no mundo do trabalho, especialmente no RH.
Na Gupy, a escolha tem sido clara: olhar além do barulho e focar nas perguntas certas. A principal delas: como a IA pode, de fato, apoiar o RH?
Um dos grandes desafios da área continua sendo atrair e engajar times de alta performance, e os dados mostram isso com nitidez:
Guilherme fez um alerta: as mudanças estão acontecendo numa velocidade sem precedentes.A capacidade computacional dobra a cada dois anos.
E ele afirma: isso não é apenas hype midiático. É uma revolução. Um marco na forma como trabalhamos.
Mas se agora todos têm acesso à tecnologia de ponta, o que vai diferenciar uma empresa da outra?
A resposta está na conexão. Quem conseguir unir tecnologia e pessoas de forma estratégica vai destravar um novo patamar de resultados. E o RH tem papel central nesse processo.
Segundo estudos, 76% das funções do RH terão impacto direto da IA até 2030.
Até agora, usamos a IA como aceleradora:
Mas o próximo passo é ainda mais ambicioso: usar a IA como agente de transformação. Não é sobre fazer mais rápido. É sobre fazer diferente.
A IA do futuro executa, decide, propõe. Ela lida com complexidades, trabalha com você, aprende com o processo e atua como parceira.
E quem protagoniza esse novo cenário? Os agentes de IA.
Agentes inteligentes têm três superpoderes:
No RH, os agentes de IA já podem atuar em diversas frentes:
“ O nosso papel como RH vai ser arquitetar essa estrutura para saber o que será executado por uma pessoa e o que será executado por agentes [...] a força de trabalho será mista.”
Durante três dias de Concarh, percorremos um caminho que começou pela compreensão da ansiedade gerada pela Inteligência Artificial, passou pela crise da liderança e da cultura corporativa, e terminou com um convite à consciência: o que ainda nos torna insubstituíveis nesse novo mundo?
Todos os painéis, palestras e workshops deixaram um mensagem potente:
O futuro do trabalho não será definido apenas por códigos, algoritmos e automação, mas por quem tiver coragem de sentir, conectar, imaginar e transformar.
Não estamos diante de uma era de substituição, mas de transição. A tecnologia veio para somar — mas cabe a nós, humanos, decidir o que fazemos com esse novo poder.
Mais do que uma tendência, o futuro exige de todos nós uma postura ativa: de líderes que se colocam à disposição, de RHs que constroem pontes, de empresas que sustentam culturas vivas e coerentes.
Porque, no fim, é a nossa humanidade que molda o progresso. E o progresso que não considera as pessoas, não vale o caminho.
O futuro do trabalho já começou — e o iFood Benefícios está nele.
Estamos sempre à frente dos principais eventos de RH, acompanhando de perto as transformações, inovações e tendências que moldam o mundo do trabalho.
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