Danone estrutura saúde corporativa e poupa R$ 13 milhões ao ano

Investimento da Danone em programa que visa o cuidado integral, com Gympass, telemedicina e saúde mental, reduz problemas sérios de saúde

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Por Think Work

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24 de Fevereiro de 2025

Leitura de 4 min

Às vésperas da pandemia de covid-19, um momento insólito que ninguém podia prever, a Danone decidiu contratar.

Chamou para trabalhar na empresa o médico José Maciel Filho, de perfil executivo, com MBA em gestão em saúde e passagens pela Nissan e pela Porto Seguro, além de uma experiência enriquecedora como missionário no interior da China.

Maciel, como é chamado, chegou em março de 2020 para organizar a área de saúde corporativa na companhia. Praticamente junto com a pandemia. 

“Entrei uma semana antes”, lembra ele, gerente sênior de Saúde e Segurança do Trabalho, dentro da Diretoria de Recursos Humanos da Danone. Mas, se a princípio todo mundo ficou em choque diante do novo vírus, a eclosão da emergência sanitária se mostrou uma missão para o médico. 

Índice:

O caminho

“Eu vim para criar a área de saúde corporativa, idealizando um programa que contemplasse a saúde integral. A pandemia mostrou para a liderança o quanto era importante investir em saúde”, diz Maciel.

E como era importante: a estruturação, apesar do isolamento, avançaria e resultaria no aumento da satisfação das equipes, fazendo da Danone Brasil uma das dez melhores companhias para se trabalhar no mundo. A organização ainda conseguiu reduzir os casos sérios de problemas de saúde e chegou a uma economia de incríveis 13 milhões de reais ao ano. 

A construção do departamento teve como norte o lema “Empoderar o Danoner quanto ao seu autocuidado, tendo a Danone como parceira nesse processo”. Os alicerces do programa Viva Bem eram dois fundamentos teóricos, cada um com quatro pilares, que seriam cruzados para obter os indicadores e as análises necessárias às melhorias. 

De um lado, estava o chamado Quadruple Aim, do Institute for Healthcare Improvement (IHI), instituição americana especializada na área. Trata-se de uma lista formada pelos preceitos: gestão de saúde populacional (um olhar para o todo), custo per capita (visão acurada para os investimentos), qualidade de vida e experiência do usuário (foco na jornada do paciente).

De outro, os quatro pilares de prevenção, aqueles que devem ser considerados dentro de uma cultura profilática, e que também se traduzem pela jornada do paciente: primário, secundário, terciário e quaternário. 

O nível primário é o mais claramente ligado à prevenção: aqui estão a campanha de vacinação, o estímulo à atividade física com Gympass e o programa de saúde mental

O secundário entra em cena quando o funcionário adoece. Nesse caso, a meta é diagnosticar logo para se ter uma solução rápida. Daí a atuação da telemedicina, de questionários de saúde mental e do PAE (Programa de Apoio ao Empregado).

Se o adoecimento evoluir para um quadro crônico, a jornada do paciente avança para o terceiro nível, onde há uma rede para o acompanhamento de hipertensos e diabéticos, além do programa de entrega de medicamentos – o trabalhador compra por aplicativo e recebe direto no seu armário na empresa. 

E se alguém precisar ser afastado, entra em cena uma assistente social, funcionária da organização.

Quando Maciel chegou à Danone, a equipe se restringia a uma pessoa. Em 2023, uma equipe com enfermeira, técnica, médico e nutricionista já tinha se juntado a ele. “O time cresceu porque a liderança entendeu que era preciso investir”, diz.

“Cruzamos os dados dos pilares de prevenção com os de demanda pelo plano de saúde, então temos um mapeamento claro da saúde da Danone e do impacto que os nossos investimentos têm sobre o bem-estar das pessoas. Trabalhamos para manter no nível primário quem já está por lá”, conta o gestor.

Resultados

Segundo José Maciel, foi verificado que aqueles que utilizam o Gympass requerem menos do convênio do que os que não utilizam. Apenas neste quesito, a economia anual da empresa é estimada em 161 mil reais por ano.

Outro exemplo de como o investimento em prevenção reduziu custos se deu com as gestantes. As funcionárias grávidas que participam do programa de saúde corporativa têm menos complicações na gestação e, com isso, precisam menos dos serviços e produtos do plano de saúde. Mais uma economia anual de 350 mil reais.

A menor demanda pelo plano ainda deu maior espaço para a Danone negociar reajustes anuais. “O poder de negociação com as operadoras se deve ao fato de termos uma gestão de saúde, que acompanha e intervém sobre os casos. Isso faz com que eles entendam que a longo prazo o custo do plano deve cair”, explica Maciel.

“Os programas de saúde corporativa foram criados na Danone, que buscou fornecedores para aplicativos e soluções. Nada disso passou pelo convênio, mas acabou tendo impacto sobre ele”, diz ele.

*Conteúdo publicado originalmente na Think Work Lab em 18 de agosto de 2023 com o título “Danone estrutura saúde corporativa e poupa R$ 13 milhões ao ano”. Atualizado em 31 de janeiro de 2025 para o Acrescenta, do iFood Benefícios.

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