Quais são os benefícios e desafios da semana de trabalho de 4 dias

Entenda como funciona a semana de trabalho de 4 dias e quais são as principais vantagens e desafios desse modelo de jornada.

10 de Março de 2026

Leitura de 6 min

Nos últimos anos, a discussão sobre novos modelos de trabalho tem ganhado força em diversos países. Entre as propostas mais debatidas está a semana de trabalho de 4 dias, um formato que busca reduzir a carga semanal sem diminuir a produtividade ou os salários. Empresas que testaram esse modelo relatam mudanças na rotina profissional, na organização das equipes e até na satisfação dos funcionários.

Embora a proposta prometa vantagens como melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional, aumento do bem-estar e maior engajamento no trabalho, ela também levanta questionamentos importantes. Entre eles estão os desafios de adaptação das empresas, possíveis impactos na produtividade e as dificuldades de aplicar o modelo em todas as áreas da economia. Falamos mais sobre o assunto neste artigo. Continue lendo!

Índice:

O que é o modelo 100-80-100?

O modelo 100-80-100 é considerado a base da semana de trabalho de quatro dias, em que os profissionais trabalham durante quatro dias e têm três dias de descanso. A proposta ganhou destaque em 2018, quando o empresário Andrew Barnes decidiu testar uma jornada mais curta com os funcionários da empresa Perpetual Guardian, na Nova Zelândia.

De acordo com Barnes, muitos trabalhadores passam longas horas no trabalho, mas isso nem sempre resulta em melhores níveis de produtividade ou bem-estar mental. Para ele, manter jornadas extensas não necessariamente aumenta a eficiência dos funcionários, o que abre espaço para a adoção de formatos mais equilibrados de trabalho.

Nesse contexto surgiu o modelo 100-80-100, que funciona da seguinte forma: os colaboradores recebem 100% do salário, trabalham 80% da carga horária tradicional e precisam manter 100% da produtividade. Na prática, isso significa que os profissionais atuam apenas quatro dias por semana, mas continuam recebendo o mesmo pagamento.

Os defensores dessa proposta afirmam que a implementação pode variar de empresa para empresa. Algumas organizações podem reduzir a quantidade de horas trabalhadas por dia, mantendo os mesmos dias de expediente, enquanto outras podem diminuir o número de dias trabalhados na semana, concentrando a jornada em quatro dias.

Quais os resultados reais: produtividade vs. bem-estar?

experimento sobre a semana de trabalho de quatro dias no Brasil contou com a participação de 19 empresas, principalmente dos setores de tecnologia, comunicação e consultoria, além de um hospital que incluiu funcionários da área administrativa no projeto. O programa passou por três meses de preparação, entre setembro e dezembro de 2023, e a jornada reduzida começou a ser aplicada em janeiro de 2024.

Após um ano de implementação, as empresas registraram mudanças relevantes no desempenho das equipes e nos resultados organizacionais.

Engajamento e produtividade

  • Aumento de 60% no engajamento dos funcionários;
  • Crescimento de 85,4% na colaboração entre equipes;
  • Melhora de 61,5% na execução de projetos;
  • Aumento de 44% na capacidade das equipes de cumprir prazos.

Bem-estar dos trabalhadores

  • Funcionários relataram mais energia para realizar as atividades diárias;
  • Houve redução de sintomas de ansiedade e insônia;
  • Também foi observada melhora no equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Resultados para as empresas

  • Mais de 70% das empresas participantes registraram aumento no faturamento ao longo do período analisado.
  • Apesar dos resultados positivos, algumas organizações demonstraram preocupação sobre a manutenção do modelo no longo prazo, especialmente em períodos de maior demanda ou mudanças internas.

Essas informações fazem parte de um relatório divulgado pela Reconnect Happiness At Work, por meio da iniciativa 4 Day Week Brazil, organização sem fins lucrativos parceira da 4 Day Week Global, responsável por promover e acompanhar testes desse modelo de jornada em diferentes países.

Quais os desafios de implementação na cultura brasileira?

Embora a semana de trabalho de quatro dias apresente diversas vantagens, sua implementação exige planejamento e ajustes internos. Para que o modelo funcione de forma eficiente, é fundamental que a empresa organize processos, alinhe expectativas entre as equipes e prepare os colaboradores para a nova dinâmica de trabalho.

A seguir, estão alguns dos principais desafios que as organizações podem enfrentar ao adotar esse formato de jornada.

Adaptação dos processos e da rotina

Como muitas empresas estruturam suas operações para uma jornada de cinco dias por semana, é necessário revisar a forma como as atividades são organizadas. A liderança e a gestão precisam reavaliar fluxos de trabalho, metas e prioridades para garantir que as tarefas possam ser realizadas em apenas quatro dias.

Nesse processo, também é importante analisar indicadores de desempenho, prazos e a gestão do tempo entre demandas internas e externas, garantindo que a redução da jornada não comprometa os resultados.

Capacitação e preparação das equipes

Independentemente do formato escolhido para implementar a semana reduzida, é essencial preparar os colaboradores para essa mudança. Isso pode incluir workshops, treinamentos e programas de mentoria, que ajudam as equipes a se adaptarem à nova rotina.

Suporte e acompanhamento dos colaboradores

Para que o novo modelo funcione, os profissionais precisam ter clareza sobre suas responsabilidades e conhecer estratégias que ajudem a otimizar as atividades do dia a dia.

Durante a fase de implementação ou testes, a empresa também pode oferecer apoio psicológico e acompanhamento profissional para os funcionários. 

Veja também: 4 dicas essenciais para promover a Segurança Psicológica no ambiente de trabalho

Como preparar a liderança para essa transição?

Para que a implementação da semana de trabalho de quatro dias funcione de forma eficiente, algumas atitudes são consideradas essenciais dentro das empresas. Veja as principais:

1. Planejar a mudança na jornada

O setor de RH, junto às lideranças, deve avaliar se a redução da carga horária é viável, analisando possíveis impactos na produtividade, no fluxo de trabalho e nos resultados da empresa. 

2. Comunicar a mudança com clareza

A empresa precisa explicar o novo modelo de trabalho de forma transparente, abrindo espaço para dúvidas e sugestões dos colaboradores. Reuniões, treinamentos e outros canais de comunicação ajudam a engajar as equipes durante a transição.

3. Ajustar processos internos

A redução da jornada exige revisão de políticas, rotinas e fluxos de trabalho. O RH pode apoiar os gestores na adaptação desses processos para garantir que o novo formato seja funcional.

4. Definir metas e indicadores de desempenho

Com menos horas de trabalho, a avaliação de produtividade deve focar principalmente na qualidade das entregas, no cumprimento de prazos e na eficiência dos processos, e não apenas no tempo trabalhado.

5. Estimular novas formas de trabalhar

Para manter a produtividade, é importante incentivar práticas como priorização de tarefas, delegação de atividades, maior autonomia das equipes e processos mais organizados.

6. Utilizar tecnologia para otimizar tarefas

Ferramentas digitais podem ajudar a organizar atividades, melhorar a comunicação e reduzir reuniões desnecessárias. Plataformas de gestão de tarefas, comunicação e armazenamento de arquivos contribuem para tornar o trabalho mais ágil e produtivo.

Nesse contexto, empresas que buscam modernizar a jornada de trabalho também podem investir em soluções que reforcem o bem-estar e a satisfação dos colaboradores. Plataformas como o iFood Benefícios ajudam a complementar essas iniciativas ao oferecer um cartão flexível para alimentação, refeição, mobilidade, cultura e outras categorias, facilitando a gestão de benefícios e ampliando o poder de escolha dos funcionários.

E, se quiser saber mais dicas sobre gestão de pessoas e as perspectivas para o futuro do trabalho, não deixe de navegar pelas categorias do Acrescenta!

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