Bench Day iFood Benefícios: Futuro do Trabalho

O que o BenchDay revelou sobre IA, futuro do trabalho e o novo papel do RH na tomada de decisões estratégicas.

14 de Abril de 2026

Leitura de 9 min

O futuro do trabalho deixou de ser uma discussão distante, ele já está sendo construído, testado e, em muitos casos, recalculado em tempo real.

Foi exatamente esse o pano de fundo da 4ª Edição do BenchDay do iFood Benefícios, realizado em parceria com a Alice: um encontro que reuniu lideranças do iFood, especialistas do mercado e vozes que estão, de fato, colocando a mão na massa para transformar o RH.

Mais do que tendências, o evento trouxe bastidores reais.

De um lado, reflexões provocativas sobre o impacto da inteligência artificial no trabalho, questionando até a própria existência dos empregos como conhecemos hoje.

Do outro, exemplos concretos de como o RH já está operando com IA para ganhar escala, reduzir subjetividade e apoiar decisões mais estratégicas.

Michelle Scheneider.jpeg

Índice:

Seu emprego vai existir daqui a 5 anos? 

O painel conduzido por Michelle Schneider, palestrante, escritora e sócia da Signal and Cipher começou com uma provocação: “O seu emprego vai existir daqui a 5 anos?”

Michelle trouxe um ponto importante: nem os próprios CEOs concordam sobre o futuro do trabalho.

De um lado, há quem defenda que o trabalho pode se tornar opcional. Do outro, quem acredita que a IA vai criar mais empregos do que destruir.

Ou seja: não existe consenso  e isso já diz muito.

Na prática, os dados atuais mostram um cenário bem menos apocalíptico do que parece:

  • Cerca de 60% das empresas já usam ou testam IA
  • taxa de desemprego segue abaixo da média histórica
  • não há evidência concreta de eliminação massiva de empregos até agora

E aqui entra um conceito importante que ela trouxe:

AI Washing:  Empresas usando a IA como justificativa para layoffs, mesmo quando a causa real pode ser outra, como cenário econômico ou juros.

Tradução direta: nem toda demissão “por IA” é, de fato, por IA.

O verdadeiro impacto não é onde todo mundo está olhando

Se não é a demissão em massa, então qual é o impacto real?

Michelle foi direta:

“O primeiro grande impacto da IA pode não ser o fim dos empregos,
mas o desaparecimento dos cargos de entrada.”

Ela trouxe um termo que resume bem o momento: Automation Anxiety, que é a ansiedade gerada não pelo que a IA já fez, mas pelo que ela claramente está prestes a fazer.

E com um dado que acelera essa sensação:

A capacidade da IA de executar tarefas de forma autônoma dobra a cada ~7 meses

Ou seja: não é só evolução. É aceleração.

Outro ponto que quebra expectativas:

  • O investimento em IA está explodindo
  • Mas 95% das empresas ainda não tiveram retorno financeiro relevante

E a produtividade?

Também não disparou.

Michelle compara esse momento com algo bem específico:

“Esse é o nosso momento da eletricidade.”

tecnologia já existe. Mas o redesenho do trabalho ainda não aconteceu.

IA não elimina empregos. Ela elimina tarefas.

Aqui entra uma virada de chave essencial. Emprego, no fim das contas, é um conjunto de tarefas.

E o que a IA faz? Elimina (ou automatiza) partes dessas tarefas.

Resultado?

  • O profissional não desaparece
  • Ele se transforma
  • E pode até se tornar mais produtivo e valioso

A nova arquitetura do trabalho

A partir disso, Michelle desenha três grandes shifts:

1. De executar para arquitetar

Antes: você fazia o trabalho
Agora: você desenha o fluxo que a IA executa

2. De especialista para generalista criativo

Os profissionais mais valiosos serão:

  • Curiosos
  • Multidisciplinares
  • Capazes de conectar pontos

Porque a IA te dá profundidade. Mas quem conecta ainda é você.

3. De emprego para trabalho (gig economy 2.0)

Não é mais sobre ter um emprego.

É sobre operar em múltiplos formatos:

  • CLT
  • Freelancer
  • Projetos
  • Trabalho fracionado
  • E até agentes de IA trabalhando “com você”

Esse modelo já está acontecendo.

No Brasil, por exemplo:

  • 38,5 milhões de pessoas estão na informalidade (~37% da força de trabalho)

Times mudam. Liderança também.

Se o trabalho muda, a estrutura muda junto.

  • Times fixos → times dinâmicos
  • Hierarquia rígida → estruturas mais horizontais
  • Gestão → orquestração

O líder deixa de ser controlador
e passa a ser designer de contexto.

O ponto mais importante do painel

Depois de tudo isso, Michelle volta para a pergunta inicial.

E corrige:

A pergunta não é se o seu emprego vai existir.
É como ele vai se transformar.

Se a IA está eliminando tarefas, acelerando a autonomia e mudando a estrutura do trabalho, a pergunta que fica não é sobre o futuro do mercado, a pergunta é: 

 “Você está esperando a mudança chegar  ou já está redesenhando o seu próprio trabalho?”

Michel Mendes.jpeg

Do RH operacional ao RH como inteligência ativa: o que o iFood já está construindo

como o RH já está mudando — na prática.

Michel Mendes, Gerente de Produto e Inovação no iFood e Juliana Alves, Cientista de Dados no iFood, iniciaram seu painel com a provocação: 

“Quais problemas de People só são resolvidos com IA?”

A reflexão não era onde é possível usar IA, mas onde ela resolve, onde ela vira estratégia.

A nova lógica: dados → contexto → agentes → decisão

A construção apresentada segue uma lógica clara (e replicável):

  1. People Data
    Dados organizacionais, histórico, movimentações
  2. Contexto
    Estrutura, comportamento, relações
  3. Agentes
    Sistemas que interpretam, organizam e sugerem
  4. Decisão
    Continua sendo humana,  mas agora informada

IA deve qualificar a decisão e não ser entendida como agente da decisão.

E com esse olhar para Inteligência Artificial e uso de agentes que no iFood segudno Michel:

“Paramos de organizar o caos… e começamos a reinar dentro dele”

Essa frase resume o espírito do painel.

Porque RH sempre lidou com variáveis complexas:

  • comportamento
  • contexto
  • subjetividade
  • múltiplas fontes de informação

A diferença agora é: ao invés de tentar simplificar tudo, eles estão operando melhor dentro da complexidade.

Onde isso já está acontecendo

Os testes não estão no laboratório, estão no dia a dia:

  • Workforce Planning
  • Talent Allocation
  • Performance & Feedback
  • Mobilidade Interna
  • Copiloto da Liderança

Ou seja: o core do RH já está sendo redesenhado.

Como nasce um agente de IA dentro do RH

O processo é simples, mas ao mesmo tempo exige seriedade e olhar analitico.:

  1. Ideação
  2. Hipótese 
  3. Refinamento

Mas o diferencial não está no processo. Está na disciplina de execução. 

“RH não precisa virar engenheiro de software.” afirmou Juliana, demonstrando em seguida o que é necessário para o RH usar a IA no dia a dia.

Upskilling inteligente:

  • Saber fazer boas perguntas
  • Entender o básico de prompt
  • Pensar de forma estruturada

E um ponto que a Juliana trouxe que vale ouro: Documentação é o divisor de águas da IA

Sem clareza de:

  • processo
  • objetivo
  • conceito

a IA não performa.

Simples assim.

Os pilares da transformação 

O caminho não é só técnico. É estrutural:

  • Conhecer
  • Criar
  • Usar
  • Mensurar
  • Escalar

E isso só funciona com três bases bem feitas:

  • Comunicação e cultura
  • Desenvolvimento
  • Ferramentas e mecanismos

Sem isso, vira só projeto piloto bonito.

Case 1: Self Service AI 

Objetivo claro: Dar autonomia para o time acessar dados de RH sem depender de intermediários

Na prática:

  • Um agente conectado aos dados do iFood
  • Responde perguntas
  • Organiza informações
  • Acelera decisões

Desafios reais:

  • Segurança de dados (altíssima prioridade)
  • Qualidade das perguntas

Alli — o multiagente que já está mudando a experiência

O Alli funciona como um sistema de múltiplos agentes que:

  • responde
  • orienta
  • executa
  • aprende com interações

Resultado? Experiência mais ágil, mais assertiva e menos dependente de processos manuais.

A grande virada do RH: de política para experimento

Talvez o ponto mais importante de todo o painel: O RH está deixando de operar por políticas  para operar por experimentos.

Isso muda:

  • velocidade
  • mentalidade
  • tomada de decisão

E coloca o RH num lugar novo:menos controle, mais inteligência.

Mas tem um limite e ele é humano

Mesmo com tudo isso, uma coisa ficou muito clara: A decisão continua sendo do líder.

A IA:

  • organiza
  • sugere
  • estrutura

Mas não decide. E isso não permite que se terceirize a responsabilidade para a tecnologia.

As perguntas que ficam (e que deveriam guiar qualquer RH agora)

O painel termina com provocações que valem mais do que qualquer framework:

  • O que ainda precisa ser humano?
  • O que nunca deveria ter sido humano?
  • O que estamos medindo errado?
  • Como evitar automatizar decisões ruins?
  • Qual é o limite ético?

Se o RH não souber responder isso, a tecnologia não resolve.

Sarita.jpeg

O futuro não é sobre IA  é sobre decisão

Se existia alguma dúvida de que o RH está no centro das transformações do trabalho, o BenchDay deixou isso evidente.

Mas talvez o ponto mais importante não seja sobre tecnologia. É sobre postura.

Porque enquanto a IA avança, automatiza tarefas e amplia possibilidades, o que realmente diferencia as empresas e os profissionais, é a forma como escolhem responder a esse movimento.

Os painéis mostraram dois lados complementares dessa mudança:

  • Um futuro em que o trabalho será redesenhado, exigindo profissionais mais adaptáveis, curiosos e capazes de conectar diferentes áreas
  • E um presente onde o RH já começa a operar com dados, agentes e experimentação para tomar decisões melhores e mais rápidas

No fim, não é sobre substituir pessoas.É sobre redefinir o papel delas.

E para isso é necessário fazer algumas escolhas: 

  • Escolher aprender antes de ser forçado a mudar.
  • Escolher experimentar antes de precisar correr atrás.
  • Escolher liderar essa transformação  em vez de apenas reagir a ela.

 

 

 

Gente e gestão

Compartilhe esse post

Copiar Link
Compartilhar no Whatsapp
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no Twitter
Compartilhar no Facebook

Últimas publicações

Mais sobre: Gente e gestão