Starbem Summit 2026: quando o bem-estar deixa de ser benefício e se torna estratégia de negócio

O que o BenchDay revelou sobre IA, futuro do trabalho e o novo papel do RH na tomada de decisões estratégicas.
14 de Abril de 2026
Leitura de 9 min
O futuro do trabalho deixou de ser uma discussão distante, ele já está sendo construído, testado e, em muitos casos, recalculado em tempo real.
Foi exatamente esse o pano de fundo da 4ª Edição do BenchDay do iFood Benefícios, realizado em parceria com a Alice: um encontro que reuniu lideranças do iFood, especialistas do mercado e vozes que estão, de fato, colocando a mão na massa para transformar o RH.
Mais do que tendências, o evento trouxe bastidores reais.
De um lado, reflexões provocativas sobre o impacto da inteligência artificial no trabalho, questionando até a própria existência dos empregos como conhecemos hoje.
Do outro, exemplos concretos de como o RH já está operando com IA para ganhar escala, reduzir subjetividade e apoiar decisões mais estratégicas.

Índice:
O painel conduzido por Michelle Schneider, palestrante, escritora e sócia da Signal and Cipher começou com uma provocação: “O seu emprego vai existir daqui a 5 anos?”
Michelle trouxe um ponto importante: nem os próprios CEOs concordam sobre o futuro do trabalho.
De um lado, há quem defenda que o trabalho pode se tornar opcional. Do outro, quem acredita que a IA vai criar mais empregos do que destruir.
Ou seja: não existe consenso e isso já diz muito.
Na prática, os dados atuais mostram um cenário bem menos apocalíptico do que parece:
E aqui entra um conceito importante que ela trouxe:
AI Washing: Empresas usando a IA como justificativa para layoffs, mesmo quando a causa real pode ser outra, como cenário econômico ou juros.
Tradução direta: nem toda demissão “por IA” é, de fato, por IA.
Se não é a demissão em massa, então qual é o impacto real?
Michelle foi direta:
“O primeiro grande impacto da IA pode não ser o fim dos empregos,
mas o desaparecimento dos cargos de entrada.”
Ela trouxe um termo que resume bem o momento: Automation Anxiety, que é a ansiedade gerada não pelo que a IA já fez, mas pelo que ela claramente está prestes a fazer.
E com um dado que acelera essa sensação:
A capacidade da IA de executar tarefas de forma autônoma dobra a cada ~7 meses
Ou seja: não é só evolução. É aceleração.
Outro ponto que quebra expectativas:
E a produtividade?
Também não disparou.
Michelle compara esse momento com algo bem específico:
“Esse é o nosso momento da eletricidade.”
A tecnologia já existe. Mas o redesenho do trabalho ainda não aconteceu.
Aqui entra uma virada de chave essencial. Emprego, no fim das contas, é um conjunto de tarefas.
E o que a IA faz? Elimina (ou automatiza) partes dessas tarefas.
Resultado?
A partir disso, Michelle desenha três grandes shifts:
Antes: você fazia o trabalho
Agora: você desenha o fluxo que a IA executa
Os profissionais mais valiosos serão:
Porque a IA te dá profundidade. Mas quem conecta ainda é você.
Não é mais sobre ter um emprego.
É sobre operar em múltiplos formatos:
Esse modelo já está acontecendo.
No Brasil, por exemplo:
Se o trabalho muda, a estrutura muda junto.
O líder deixa de ser controlador
e passa a ser designer de contexto.
Depois de tudo isso, Michelle volta para a pergunta inicial.
E corrige:
A pergunta não é se o seu emprego vai existir.
É como ele vai se transformar.
Se a IA está eliminando tarefas, acelerando a autonomia e mudando a estrutura do trabalho, a pergunta que fica não é sobre o futuro do mercado, a pergunta é:
“Você está esperando a mudança chegar ou já está redesenhando o seu próprio trabalho?”

como o RH já está mudando — na prática.
Michel Mendes, Gerente de Produto e Inovação no iFood e Juliana Alves, Cientista de Dados no iFood, iniciaram seu painel com a provocação:
“Quais problemas de People só são resolvidos com IA?”
A reflexão não era onde é possível usar IA, mas onde ela resolve, onde ela vira estratégia.
A construção apresentada segue uma lógica clara (e replicável):
IA deve qualificar a decisão e não ser entendida como agente da decisão.
E com esse olhar para Inteligência Artificial e uso de agentes que no iFood segudno Michel:
“Paramos de organizar o caos… e começamos a reinar dentro dele”
Essa frase resume o espírito do painel.
Porque RH sempre lidou com variáveis complexas:
A diferença agora é: ao invés de tentar simplificar tudo, eles estão operando melhor dentro da complexidade.
Os testes não estão no laboratório, estão no dia a dia:
Ou seja: o core do RH já está sendo redesenhado.
O processo é simples, mas ao mesmo tempo exige seriedade e olhar analitico.:
Mas o diferencial não está no processo. Está na disciplina de execução.
“RH não precisa virar engenheiro de software.” afirmou Juliana, demonstrando em seguida o que é necessário para o RH usar a IA no dia a dia.
Upskilling inteligente:
E um ponto que a Juliana trouxe que vale ouro: Documentação é o divisor de águas da IA
Sem clareza de:
a IA não performa.
Simples assim.
O caminho não é só técnico. É estrutural:
E isso só funciona com três bases bem feitas:
Sem isso, vira só projeto piloto bonito.
Objetivo claro: Dar autonomia para o time acessar dados de RH sem depender de intermediários
Na prática:
Desafios reais:
O Alli funciona como um sistema de múltiplos agentes que:
Resultado? Experiência mais ágil, mais assertiva e menos dependente de processos manuais.
Talvez o ponto mais importante de todo o painel: O RH está deixando de operar por políticas para operar por experimentos.
Isso muda:
E coloca o RH num lugar novo:menos controle, mais inteligência.
Mas tem um limite e ele é humano
Mesmo com tudo isso, uma coisa ficou muito clara: A decisão continua sendo do líder.
A IA:
Mas não decide. E isso não permite que se terceirize a responsabilidade para a tecnologia.
O painel termina com provocações que valem mais do que qualquer framework:
Se o RH não souber responder isso, a tecnologia não resolve.

Se existia alguma dúvida de que o RH está no centro das transformações do trabalho, o BenchDay deixou isso evidente.
Mas talvez o ponto mais importante não seja sobre tecnologia. É sobre postura.
Porque enquanto a IA avança, automatiza tarefas e amplia possibilidades, o que realmente diferencia as empresas e os profissionais, é a forma como escolhem responder a esse movimento.
Os painéis mostraram dois lados complementares dessa mudança:
No fim, não é sobre substituir pessoas.É sobre redefinir o papel delas.
E para isso é necessário fazer algumas escolhas:





