Procura-se: O lugar onde a gente não precisa ser "importante"

Os principais insights do RH Summit 2026 sobre liderança, IA, saúde e estratégia. Veja o que já está mudando no RH.
6 de Maio de 2026
Leitura de 17 min
O RH Summit 2026 reúne algumas das principais lideranças, especialistas e empresas que estão moldando o futuro do trabalho no Brasil. Não é um evento sobre tendência distante, é sobre o que já está acontecendo dentro das empresas e o que precisa ser feito agora.
Ao longo da programação, o foco é claro: conectar estratégia, tecnologia, cultura e, principalmente, pessoas. As discussões passam por liderança, saúde corporativa, uso de dados, inteligência artificial e o papel cada vez mais estratégico do RH dentro do negócio.
E o iFood Benefícios está presente nesse cenário. Durante o evento, a marca conta com um estande próprio para receber clientes, parceiros e convidados, um espaço pensado para troca, conexão e conteúdo. Além disso, a programação inclui palestras e ativações que reforçam o posicionamento da marca como parceira estratégica das empresas na gestão de pessoas.
Mais do que participar, a ideia é estar dentro das conversas que estão, de fato, movimentando o RH hoje.
Índice:

Durante sua palestra, Paulo Camargo, Ex-CEO do McDonald´s, escritor e mentor de alta liderança começou trazendo uma reflexão incômoda: a maioria das pessoas fala de liderança como discurso, mas ele defende liderança como formação. E formação exige ação, não intenção.
Para Paulo, “Liderança não é sobre o cargo que você ocupa, mas sobre o líder que você forma.”
Logo no início, ele compartilhou uma história do período em que serviu ao Exército. Ao olhar para o serviço de alimentação, percebeu um modelo cheio de etapas, esforço e pouca eficiência.
Ao invés de aceitar o processo como “sempre foi assim”, ele fez o oposto: questionou.
A mudança foi simples, todos passaram a se servir, independentemente da hierarquia.
Resultado? Mais eficiência e um time liberado para atividades mais relevantes.
A mensagem ficou clara: não existe processo que não possa ser melhorado, mas alguém precisa ter coragem de mexer.
Na sequência, Paulo trouxe um case forte sobre cultura organizacional.
Ao assumir uma operação internacional, ele encontrou um cenário contraditório: a empresa tinha bons indicadores formais, mas um clima organizacional ruim na prática.
Foi aí que ele fez algo fora do padrão: aproximou o trabalho da vida real das pessoas.
Durante sua gestão, criou encontros que conectavam colaboradores às suas famílias, muitas vezes à distância. Trouxe histórias, vídeos, reconhecimento. Humanizou o ambiente.
O impacto foi direto: mais engajamento, melhora no clima e crescimento nos resultados.
Porque, na visão dele: as pessoas se conectam com o humano, não com o cargo.
Um dos pontos mais fortes da palestra veio como um mantra: “nunca se esqueça dos executantes.”
Paulo reforçou que estratégia sem quem executa é só teoria bonita.
Ele trouxe isso de forma prática ao falar sobre o desafio no McDonald’s, especialmente com o alto turnover.
O caminho não foi improviso. Foi método:
Resultado depois de três anos: redução de 50% no turnover e no absenteísmo.
Sem mágica. Só execução bem feita.
E aqui ele foi direto: estratégia sem execução estruturada não se sustenta.
Outro ponto que ele reforçou foi a importância de transformar problemas em planos.
Nada de tratar desafio como algo abstrato. Ele apresentou um modelo prático de execução:
Paulo também trouxe um recado importante sobre justiça. Segundo ele, liderança não é agradar, é ser justo.
E isso envolve tomar decisões difíceis quando necessário:
Porque liderar é, também, proteger o time e a operação.
Na parte final, ele trouxe a pergunta que amarra tudo: qual é o principal papel de um líder?
A resposta dele foi direta: desenvolver novos líderes.
Se a liderança depende só de você, ela não escala. E mais: ela não se sustenta.
Paulo fechou com uma ideia que resume toda a palestra:
Os números importam, mas são consequência. Pessoas são a causa.

Durante a palestra, Vania Ferrari, Especialista em neurociência e Anna Nogueira, Especialista em gestão de processos, curadoria e práticas ESG começaram com uma pergunta simples:
o que, de fato, motiva cada pessoa dentro da sua empresa?
Então Vania trouxe uma virada importante: nem todo mundo trabalha pelo mesmo motivo e ignorar isso é onde o RH começa a errar.
Logo no início, Vania organizou o comportamento humano em três camadas:
As pessoas trabalham porque precisam. Se mantêm porque desejam.Mas só entregam de verdade quando têm vontade.
E aqui está o ponto: vontade não se impõe — se constrói.
Segundo ela, é essa vontade legítima que diferencia alguém que só cumpre tarefa de alguém que realmente performa.
Na sequência, Anna Nogueira complementou trazendo a camada mais prática da coisa.
Se a vontade é o motor, a cultura é o sistema que mantém esse motor funcionando.
E não estamos falando de cultura como frase bonita na parede.
Estamos falando de estrutura mesmo:
Ou seja: engajamento não é sorte, é construção.
Um ponto interessante foi quando elas trouxeram ESG para o centro da conversa.
Não como tendência, mas como ferramenta de execução.
Na visão delas, ESG só existe de verdade quando:
Se não chega na operação, não é ESG. É discurso.
Um dos insights mais fortes veio quando Vania comparou o RH a um cérebro. Porque é ele que interpreta, direciona, regula e decide.
Mas aí vem o problema: muitos RHs ainda operam no automático.
E foi aqui que ela trouxe uma provocação direta: o RH precisa se reprogramar.
Mudar a forma de pensar.
Sair do operacional repetitivo.
Parar de só responder à demanda e começar a direcionar comportamento.
Outro ponto que bateu forte foi sobre produtividade.
Vania foi direta: produtividade não é fazer mais é fazer o que importa.
Lotar o dia de reunião, tarefa e urgência não é performance. É só ocupação bem disfarçada.
Ela trouxe uma lógica simples (e difícil de aplicar):
Porque no fim, produtividade é valor por minuto, não volume por hora.
Talvez o trecho mais necessário da palestra tenha sido esse: o papel do RH como agente de coragem.
Não aquele RH conciliador a qualquer custo. Mas o RH que toma decisão.
Segundo elas, isso se traduz em atitudes concretas:
Porque, no fim, cultura também é aquilo que você tolera.
E aqui está a grande quebra de paradigma da palestra: cuidar de pessoas não é o oposto de gerar resultado.
Na verdade, é o que sustenta o resultado.
Elas reforçaram que indicadores, metas e performance não competem com o cuidado humano, eles organizam esse cuidado.
Quando bem feitos:
A palestra encerra voltando ao ponto inicial: RH precisa ser negócio.
Isso significa:
Mas sem perder a dimensão humana, porque é ela que faz o resultado acontecer.

Bruno Leonardo, CCO e CMO da Dot Digital não começou falando de ferramenta, nem de produtividade. Começou com uma pergunta para provocar a todos:
“Se o trabalho como conhecemos deixa de existir… qual passa a ser o papel das pessoas?”
Para ele, o maior risco da IA não é econômico. É existencial.
Logo no início, Bruno trouxe um conceito central: mattering.
Não é só estar empregado. É sentir que importa. Que contribui. Que tem valor.
E aqui ele joga uma verdade desconfortável: muita gente não está desengajada por falta de estratégia, está desengajada porque não se sente relevante.
Ele reforça isso com uma ideia potente: o potencial não é limitado por falta de talento,
mas pela falta de segurança psicológica para usar esse talento.
Ou seja: não adianta tecnologia de ponta em ambiente onde ninguém se sente visto.
A palestra dá uma virada quando Bruno traz um risco que pouca gente está olhando: a terceirização do pensamento.
Ele questiona se, junto com a evolução da IA, a gente não está criando uma “dívida cognitiva”.
Quanto mais você delega o raciocínio, menos você exercita. E menos você exercita, menos você consegue sustentar pensamento crítico.
Ele cita estudos (incluindo pesquisas com uso assistido de IA) que apontam queda relevante no engajamento cognitivo durante tarefas.
A tradução é simples e preocupante: quanto mais fácil fica, menos o cérebro trabalha.
Bruno defende que a fricção é necessária. A gente foi condicionado a buscar o caminho mais rápido, mais fácil, mais automatizado.
Mas ele traz um contraponto direto: o difícil é o que constrói capacidade.
Ele usa uma analogia forte: se você sempre usa GPS, uma hora perde o senso de direção.
Com o cérebro é igual. Se você terceiriza tudo para IA, você não só ganha velocidade,
você perde profundidade.
Esse raciocínio leva para um princípio simples e quase brutal: use it or lose it.
Habilidade que não é usada, atrofia.
Pensamento crítico, tomada de decisão, criatividade tudo isso precisa de esforço.
E aqui entra uma das provocações mais fortes da palestra: não é só sobre usar IA,
é sobre como você usa.
Bruno apresenta duas formas de usar IA:
O problema não é usar IA.O problema é virar passageiro da própria decisão.
E ele reforça: o maior risco não é perder o emprego é perder a capacidade de pensar.
A palestra também toca em um ponto mais sensível: a solidão. Mesmo com hiperconectividade, as pessoas estão mais sozinhas.
Bruno traz dados e exemplos mostrando que:
Ele chama isso de um contraste perigoso: inteligência artificial vs. intimidade artificial.
Talvez a mudança mais prática venha aqui.
Bruno deixa claro: liderança não é mais sobre gerenciar tarefas.
Agora é sobre: criar condições para humanos e IA funcionarem bem juntos.
Isso envolve:
Porque sem isso, você não tem colaboração, tem dependência.
Ele estrutura essa evolução em três níveis:
A provocação é clara: muita gente já usa IA, mas pouca gente evoluiu o jeito de trabalhar com ela.
Bruno encerra voltando para o ponto central: não é sobre digitalizar o que já existe.
é sobre repensar o que deveria existir.
E deixa três ideias que resumem tudo:
“Saúde é despesa ou decisão estratégica?”
Foi assim que Rafael Magalhães, CPTO da Axenya e Ágatta Marinho, Diretora Comercial da Axenya abriram a conversa. Segundo eles, a maioria das empresas ainda toma decisão sobre saúde no escuro.
Rafael perguntou: você sabe para onde vai cada real do seu plano de saúde?
No Brasil, quem mais usa plano de saúde são justamente os colaboradores que recebem esse benefício via empresa.
Ou seja: saúde corporativa não é custo periférico é um dos maiores centros de impacto financeiro do RH.
E mesmo assim, muitas decisões ainda são tomadas sem base consistente.
Rafael e Ágata foram diretos: o grande desafio do RH hoje não é falta de iniciativa, é falta de dado estruturado.
Porque sem dado:
Eles trouxeram um exemplo claro: analisar índice de afastamento por tipo.
Quando você começa a olhar isso com profundidade, para de tratar saúde como genérico e passa a enxergar padrões:
E aí, sim, dá pra agir com precisão.
Eles trouxeram dados consolidados de uma base ampla de beneficiários corporativos.
Isso não é só um problema de saúde. É um problema de produtividade, afastamento e custo.
E, principalmente: é um problema que já está dentro da empresa mesmo que ninguém esteja olhando.
Outro ponto crítico do painel foi a atualização da NR-01, que agora passa a exigir atenção aos riscos psicossociais.
E aqui não tem mais espaço para improviso.
As empresas passam a ter que:
Na prática? o que antes era “importante”, agora é obrigatório.
E, segundo eles, esse é um dos maiores desafios atuais do RH.
Um insight importante do painel foi que saúde não pode ser tratada como ação pontual.
Campanha isolada não resolve.
O que funciona, segundo eles, é um ciclo estruturado:
Sem esse ciclo, a empresa fica reagindo — nunca antecipando.
Pra fechar, eles trouxeram um dado importante (com base em análises da Axenya):
empresas que fazem gestão ativa de saúde conseguem reduzir a sinistralidade , independentemente do porte.
Mas o direcionamento é claro: quando a empresa sai do reativo e passa a gerir saúde com dado, o custo responde.

Alessandro Bonorino, CHRO da XP Inc, começou com uma provocação: RH estratégico não é sobre o RH, é sobre o negócio.
Para Alessandro não adianta dizer que é estratégico, precisa ser reconhecido como tal.
Segundo ele, ainda existe uma distância entre:
E essa distância custa relevância.
Um dos momentos mais importantes da fala foi quando ele quebra uma lógica comum:
RH não começa pela agenda de RH. Começa pela estratégia do negócio.
Ele define estratégia de forma bem objetiva:
E ele destaca que o RH não precisa ser “especialista em estratégia” como um CEO, mas precisa entender o suficiente para gerar impacto real.
Sem isso, vira suporte. Não parceiro.
Alessandro foi claro: você não convence o board dizendo que é estratégico.
Você resolve problemas de negócio. E aí, naturalmente, passa a ser chamado para a conversa.
Ele trouxe uma visão bem alinhada com a evolução do papel do CHRO, conectando com referências como Dave Ulrich.
Mas trouxe isso de forma prática, não teórica.
O RH hoje precisa atuar como:
E tem um detalhe importante: o operacional não some, mas precisa ser automatizado ou simplificado.
Porque, se não for, ele engole o estratégico.
Alessandro trouxe um conjunto de dimensões bem práticas para avaliar se o RH está, de fato, operando em nível estratégico:
Ou seja: não é sobre projeto isolado. É sobre a consistência do sistema.
Um RH estratégico não é sobre grandes projetos. É sobre:
E principalmente: ser mais proativo do que reativo.
Antecipar necessidade de talento, por exemplo, ao invés de correr atrás quando o problema já explodiu.
Outro ponto importante foi sobre automação e dados.
Segundo ele:
Ele traz um exemplo claro:dados de turnover, quando bem usados, não são relatório,
são argumentos de negócio.
E reforça: dado bom é o que orienta decisão, não o que enfeita apresentação.
A grande virada da palestra é essa: RH estratégico não é um título. É uma consequência.
Consequência de:
Se existe um fio condutor entre todas as palestras do primeiro dia, ele é bem claro:RH deixou de ser suporte e passou a ser peça central na estratégia do negócio.
Falamos sobre liderança que forma líderes, não apenas gere pessoas. Sobre cultura que precisa sair do discurso e virar prática. Sobre dados como base para decisão, seja em saúde, performance ou experiência. Sobre IA como aliada, mas não substituta do pensamento humano.
E sobre um RH que precisa ser mais corajoso, mais analítico e mais conectado ao que realmente gera impacto.
No fim, tudo converge para o mesmo ponto: não é sobre fazer mais iniciativas, é sobre fazer o que realmente move o negócio e as pessoas.
Esse foi só o primeiro dia.
👉 Acompanhe a cobertura completa aqui no Acrescenta e continue com a gente para ver os principais insights do segundo dia do RH Summit 2026.





