RH Summit 2026: o que já está mudando no trabalho, da estratégia à execução

Os principais aprendizados do segundo dia do RH Summit 2026 sobre liderança, cultura e execução no RH.
7 de Maio de 2026
Leitura de 18 min
O segundo dia do RH Summit 2026 aprofunda uma camada importante das discussões iniciadas no primeiro: menos sobre tendência, mais sobre como executar.
Se no início do evento o foco estava em provocar reflexões, aqui o movimento foi outro, entender como transformar essas reflexões em prática dentro das empresas.
As palestras passaram por temas como integração de áreas, aprendizado conectado ao negócio, convivência entre gerações, sustentabilidade da performance e mentalidade de resultado.
O ponto em comum entre todas elas foi claro: não falta ferramenta, não falta conceito. o desafio está em conectar, priorizar e sustentar.
Índice:

Carol Manciola, CEO e Fundadora da Conectas abriu sua palestra trazendo uma provocação: o problema do RH não é falta de tendência. É excesso de leitura, de informação e pouca conexão.
Ela propõe uma virada de chave: parar de consumir temas isolados e começar a integrar o que já está acontecendo dentro das organizações.
Porque, no fim, resultado não vem de tendência.Vem de coerência.
Logo no início, Carol quebra uma ideia comum: “convergência” não é só um novo nome bonito. É um jeito de operar.
Na prática, significa:
Quando isso acontece, o impacto aparece, não só em clima ou percepção, mas em resultado de negócio.
Um dos pontos mais provocativos da fala foi sobre o uso de relatórios e tendências.
Segundo Carol, os temas são praticamente os mesmos há anos:
Ou seja: não é novidade.
A diferença está em como as empresas interpretam esses dados.
Porque relatório não é diagnóstico. E muito menos solução.
Sem leitura crítica, o RH corre o risco de:
Aqui entra um dos pontos mais fortes da palestra.
Carol mostra o desalinhamento entre narrativa e realidade:
O problema? Falta de integração na análise.
Quando o RH não cruza dados, contexto e percepção real, cria uma ilusão confortável: “isso não acontece aqui”
E aí perde timing de ação.
Ela conecta isso com outro dado relevante:
Enquanto isso, muitas empresas ainda interpretam o problema como “dificuldade de contratar”.
Carol traz um dado direto:
Mas o ponto não é o número.
É a causa.
Ela associa saúde mental a:
E provoca: muitas vezes, os sinais estão claros — mas não viram ação estruturada.
Porque tratar saúde mental como iniciativa isolada não resolve o problema que nasce na gestão.
A palestra também traduz problemas complexos em sinais práticos, aqueles que todo mundo já viu, mas nem sempre nomeia:
No fundo, tudo aponta para a mesma raiz: falta de visão sistêmica.
Aqui vem uma das partes mais diretas da fala.
Cultura e liderança não podem competir com incentivos.
Porque, quando competem, quem ganha é o sistema.
Exemplo claro:
Resultado? A cultura perde.
Carol reforça: se não está em meta, bônus ou feedback, não é cultura, é intenção.
Outro ponto de virada: o RH precisa sair do “campo humano” isolado e assumir um papel mais amplo.
Isso significa:
Além disso, há uma mudança clara:
Ou seja: o valor do RH sobe — mas a exigência também.
Carol apresenta um modelo interessante com dois eixos:
A partir disso, ela mostra quatro cenários:
E é aqui que entra o novo papel do RH:
orquestrar o sistema — não controlar pessoas.
Não falta ferramenta.
Não falta tendência.
Não falta diagnóstico.
O que falta é integração.
Porque, sem convergência:
E o RH segue ocupado, sem necessariamente gerar impacto real.

Bruno Leonardo, CRO/CMO na DOT Digital Group abriu a palestra mostrando que a IA em T&D não é apenas uma aliada, ela é fundamental para conectar educação ao negócio.
Elen Cristina, Gerente de Desenvolvimento Comercial na Hinode Group trouxe um pouco do cenário na Hinode, o público não é o colaborador clássico — é autônomo.
Ou seja: não tem líder direto, não tem rotina estruturada, não tem obrigatoriedade.
E aí vem o ponto: como você engaja quem não é obrigado a estar ali?
Um dos caminhos foi atacar um problema real, não um tema genérico de treinamento:
Aqui entra um insight importante: quando o aprendizado resolve um problema concreto, ele deixa de ser “treinamento” e passa a ser ferramenta de crescimento.
Para Elen educação não pode ser uma obrigação, ela precisa influenciar.
Na prática, isso significa:
Porque, quando vira obrigação, vira resistência. Quando vira solução, vira adesão.
Bruno entra trazendo um ponto que amarra bem com isso: cultura não escala por comunicação institucional. Escala por influência.
E essa influência acontece em duas camadas:
Ou seja: não é só top-down.
É rede.
Lorena Martins, Especialista de Negócios na DOT Digital Group traz talvez um dos pontos mais práticos da discussão:
muita empresa ainda mede aprendizado por entrega de conteúdo.
Mas a pergunta certa é outra: isso virou comportamento?
E, na maioria dos casos, não vira.Por isso, ela reforça: não basta criar trilha. É preciso desenhar a jornada de mudança.
Aqui a conversa fica mais estratégica e menos hype.
Lorena posiciona a IA como suporte para um problema real: o volume e a complexidade do aprendizado.
A IA ajuda a:
Ou seja: não é sobre gerar mais conteúdo. É sobre gerar conexão.
Elen reforça um ponto que fecha bem essa linha: dados de educação precisam conversar com dados de negócio.
Porque, sem isso:
Mas, quando há conexão:
Bruno traz um fechamento simples e subestimado: comunidade.
Quando bem construída, ela:
E aqui está o ponto: pessoas aprendem muito mais com pessoas do que com conteúdo isolado.
No fim, a mensagem é menos sobre IA e mais sobre maturidade de aprendizado:
A IA entra como meio. Mas o impacto continua sendo humano.

Tatiana Gracia, Analista Comportamental, professora e autora, trouxe a reflexão sobre as “caixinhas” que colocamos as gerações e como isso impacta as relações.
E para ela não basta ter diferentes gerações na empresa, o desafio é fazer elas funcionarem juntas.
Antes de falar de gerações, Tati dá um passo atrás e mostra o cenário que está moldando tudo:
O Brasil está tendo menos filhos.
E não é só número, é mudança cultural: ter filhos deixou de ser instinto e virou decisão planejada.
Hoje são cerca de 59 milhões de brasileiros acima de 50 anos.
Enquanto a fecundidade cai, a expectativa de vida sobe.
E isso traz novos fenômenos, como:
E uma frase que resume bem o cenário: o maior risco hoje não é morrer cedo, é viver mais do que o dinheiro aguenta.
A geração produtiva também é a geração mais cansada.
Isso aparece no dia a dia:
E aqui vem um alerta importante: times cansados não precisam de resposta rápida.
Precisam de pausa.
Nunca tivemos tanto acesso à informação.
E, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão sobrecarregados.
A “infotoxicação” aparece como:
No meio de tudo isso, Tati traz uma reflexão simples:
o que mais adoece no trabalho é sentir que você não importa.
E isso conecta diretamente com liderança, cultura e gerações.
Esse é o cenário atual e inédito, quatro gerações coexistindo,
E cada grupo chega com repertórios, dores e formas de enxergar o mundo completamente diferentes.
Essa geração:
Dados relevantes:
Na prática:
lidera times de manhã
resolve demandas pessoais à noite
entrega resultado e cuidado ao mesmo tempo
E quase nunca alguém pergunta: “como você está?”
Sim, existem conflitos entre gerações. Mas o ponto da Tati não é esse.
É outro: quando equipes se tornam intergeracionais, elas têm até 45% mais chance de inovar.
Ou seja: o problema não é a diferença. É a falta de integração.
E aqui ela fecha com um bloco bem prático e necessário.
Não é sobre técnica. É sobre postura.
Não estamos lidando com gerações diferentes.
Estamos lidando com realidades diferentes coexistindo ao mesmo tempo.
E liderança que não entende isso:
Porque, no cenário atual, não basta gerir pessoas, é preciso conectar mundos.

Bia Nóbrega, CHRO as a service, abre com uma provocação: não é que as pessoas não estão dando conta, é que o sistema deixou de fazer sentido.
A sensação de sobrecarga não nasce só do volume, nasce da forma como o trabalho está estruturado.
Bia apresenta o conceito de efetivismo como um fenômeno organizacional.
Na prática, ele aparece assim:
Resultado?
A gente vive em um nível de exigência maior do que consegue sustentar.
Não falta esforço. Falta condição.
Aqui vem a virada de chave: as empresas estão operando em modo eficiência. o tempo todo.
Mas eficiência sem critério vira desgaste.
Por isso, Bia propõe sair do modo quase automático (e, muitas vezes, patológico)e voltar para um conceito mais sustentável: efetividade
Se o sistema pressiona, alguém precisa regular. E esse alguém é a liderança.
No modelo de efetividade, o líder deixa de ser só cobrador de resultado e passa a ser:
Ou seja: não é só entregar. É garantir que continue sendo possível entregar.
Bia estrutura a efetividade em quatro dimensões bem práticas:
Sem clareza, tudo vira urgente.
Aqui entra um ponto pouco falado: energia é recurso estratégico.
O líder protege o time quando:
Porque time cansado até entrega, mas não sustenta.
Efetividade não acontece em isolamento.
Depende de:
Sem isso, o custo emocional sobe e o desempenho cai depois.
Esse é o filtro final.
Não é sobre o que foi feito hoje. É sobre o que permanece.
Como a própria Bia define: impacto é o que fica quando você não está mais na sala.
Se tivesse que reduzir a palestra a uma frase, seria essa: liderança efetiva é sustentar performance sem quebrar pessoas, nem comprometer o futuro.
No fim, o ponto não é reduzir ambição. É ajustar o modelo.
Porque hoje, em muitos contextos:
E isso não escala.
Efetividade não é fazer menos.É fazer com consciência, critério e sustentabilidade.
Michel Mendes, Gerente de Produto, Design e Inovação no iFood, começa com um ponto importante:
inovação não é linear. é curva, ajuste, erro e aprendizado contínuo.
E esse é o pano de fundo para entender o que ele traz depois.
Ao falar sobre o crescimento do iFood, ele não aponta uma única alavanca.
Ele organiza em quatro pilares:
A leitura é clara: resultado não vem de uma iniciativa isolada, vem de consistência entre esses elementos.
Michel reforça que a cultura não é discurso, é prática.
No caso do iFood, ela se estrutura em alguns pilares centrais:
E para tornar isso operacional, criaram um modelo interno (JIT) que traduz o jeito de trabalhar.

Esse modelo se desdobra em comportamentos claros:
Ou seja: não é só intenção, é direcionamento concreto de comportamento.
Um ponto importante da fala: resultado não é avaliado apenas pelo “quanto”, mas também pelo “como”.
Inclui:
Alta performance, nesse contexto:
Michel traz um ponto que costuma ser ignorado: nem toda boa ideia deve ser executada.
Porque:
E muitas vezes, dizer “não” para boas ideias é o que permite avançar nas que realmente movem o negócio.
Na visão apresentada, liderança não está ligada à posição.
Está ligada à influência e ao impacto gerado.
A expectativa sobre líderes inclui:
Ele organiza isso de forma bem objetiva:
Aqui vem a conexão final: se resultado é cultura + execução, o RH tem papel direto nisso.
Isso implica:
Mentalidade de resultado não é sobre pressionar mais.
É sobre alinhar:
Porque no fim: resultado consistente não vem de esforço isolado, vem de sistema bem desenhado e bem executado.
Ao longo do segundo dia, um padrão começa a se formar.
Não estamos lidando com falta de informação. Estamos lidando com excesso e pouca integração.
Falamos sobre:
No fim, tudo converge para o mesmo ponto: resultado sustentável não vem de acelerar mais, vem de organizar melhor.
E isso exige um RH menos reativo e mais intencional.
Essa foi a cobertura do segundo dia do RH Summit 2026.
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