HR4 Results 2026: os aprendizados que estão redesenhando o futuro do RH

Confira os insights do HR4 Results 2026 e como a cultura AI First está redefinindo o papel do RH nas organizações.
19 de Março de 2026
Leitura de 14 min
A programação da tarde do HR4 Results 2026 aprofundou um dos temas mais centrais para o futuro das organizações: o impacto da Inteligência Artificial na forma como trabalhamos, lideramos e estruturamos o RH.
A partir de diferentes perspectivas, os conteúdos apresentados conectam tecnologia, cultura e estratégia, evidenciando que a transformação em curso vai além da adoção de ferramentas e exige uma revisão consistente de mentalidade, processos e modelos de gestão.
Índice:

A agenda de Inteligência Artificial no iFood não começa na tecnologia, mas na cultura.
Camila Pinto, apresentou a estratégia do iFood para se tornar AI first, com foco na transformação organizacional, no desenvolvimento de pessoas e na reinvenção do papel do RH em um cenário cada vez mais orientado por dados e automação.
O ponto de partida é um diagnóstico claro: a IA já executa diversas tarefas com nível de qualidade igual ou superior ao humano, mas ainda existe um grande distanciamento entre o potencial da tecnologia e seu uso real nas organizações.
Diante desse cenário, o desafio deixa de ser técnico e passa a ser comportamental.
Um dos principais entraves para a adoção de IA nas empresas não está na ferramenta, mas na forma como as pessoas se relacionam com ela.
A estratégia apresentada reforça a necessidade de substituir o medo pela curiosidade e desenvolver uma atuação ambidestra, capaz de equilibrar entregas de curto prazo com construção de capacidades para o futuro.
Esse movimento exige mudança de mentalidade em todos os níveis da organização, especialmente na liderança.
No iFood, a agenda de IA foi conectada à cultura já existente, especialmente ao posicionamento de uma empresa orientada à tecnologia e à inovação.
Em vez de tratar a Inteligência Artificial como um tema isolado, a empresa a integrou aos seus valores e práticas, criando artefatos culturais que sustentam a mudança ao longo do tempo.
O Manifesto de IA sintetiza essa direção ao estabelecer princípios claros: a IA é responsabilidade de todos, deve estar no centro de produtos e processos, precisa ser considerada como primeira opção e exige uma postura contínua de auto-disrupção.
Esse tipo de direcionamento reduz ambiguidades e orienta decisões no dia a dia.
A transformação foi estruturada em três pilares principais.
O primeiro envolve o trabalho de mindset organizacional, com foco em sensibilização, comunicação e alinhamento cultural.
O segundo está relacionado ao desenvolvimento de pessoas, garantindo que todos tenham acesso a conhecimento prático e oportunidades de experimentação.
O terceiro trata da reinvenção do próprio RH, que passa a atuar como protagonista na implementação e sustentação dessa agenda.
Essa abordagem integrada permite avançar de forma consistente, conectando cultura, capacidade e execução.
Um dos movimentos mais relevantes foi a mobilização da organização para criação de agentes de IA.
A meta inicial previa milhares de agentes desenvolvidos em um curto período, com incentivo tanto top-down quanto bottom-up.
A estratégia priorizou volume na fase inicial, com o objetivo de reduzir a barreira da perfeição e normalizar o erro como parte do processo.
O resultado foi a criação de mais de 9 mil agentes em menos de um ano.
Com o amadurecimento, o foco evolui para qualidade e impacto, utilizando métricas de interação e adoção entre áreas como indicativos de valor real para o negócio.
A liderança aparece como elemento central para sustentar a transformação.
Mais do que apoiar a estratégia, líderes são responsáveis por criar ambientes seguros para experimentação, reforçar comportamentos alinhados à cultura e garantir que a IA seja incorporada às rotinas de trabalho.
A atuação no front, a capacidade de conduzir conflitos produtivos e a manutenção de um estado constante de curiosidade e vigilância são aspectos destacados como fundamentais nesse contexto.
Sem esse engajamento, a adoção tende a se limitar a iniciativas isoladas.
Outro ponto relevante é a importância da comunicação contínua.
A agenda de IA foi integrada a rituais organizacionais, encontros de liderança e momentos estratégicos de alinhamento, garantindo reforço constante das mensagens e diretrizes.
A repetição, nesse caso, não é redundância, mas mecanismo de consolidação cultural. É ela que transforma intenção em comportamento.
A transformação proposta impacta diretamente o papel do RH.
A área deixa de atuar apenas como suporte e passa a operar em um modelo híbrido, combinando atuação humana com agentes de IA.
Esse novo formato permite automatizar atividades operacionais, ampliar a personalização das experiências e liberar tempo para atuações mais estratégicas, como desenvolvimento de lideranças e tomada de decisão baseada em dados.
Conceitos como “super worker” e “super manager” ilustram essa evolução, em que a tecnologia potencializa a atuação humana, em vez de substituí-la.
A jornada apresentada reforça que a transformação não se encerra na adoção da tecnologia.
O avanço real acontece quando a IA passa a impactar decisões, otimizar processos e gerar valor concreto para o negócio.
Isso exige mudança de métricas, foco em resultados e capacidade de revisar continuamente práticas e estruturas.

A conversa entre Leandro Rubio, CEO da Starbem, e Cesar Pasquariello, Gerente de Produtos na Pluxee, trouxe uma leitura atual sobre a transformação dos modelos de benefícios corporativos diante de um cenário mais complexo, diverso e pressionado por custos.
O debate partiu de um ponto comum entre diferentes pesquisas de mercado: os pacotes tradicionais de benefícios vêm perdendo efetividade. Dados apresentados indicam que apenas parte dos profissionais percebe valor real nas ofertas atuais, enquanto as organizações enfrentam o desafio de equilibrar investimento, engajamento e retorno.
Nesse contexto, a discussão avançou para um novo direcionamento: benefícios deixam de ser um conjunto estático de ofertas e passam a ser uma experiência dinâmica, orientada por dados, comportamento e contexto.
Um dos principais pontos da conversa foi a inadequação dos modelos padronizados frente à diversidade atual das organizações.
Ambientes corporativos convivem hoje com múltiplas gerações, diferentes formatos de trabalho e realidades regionais distintas. Nesse cenário, a lógica de um pacote único tende a gerar baixa aderência e subutilização.
O impacto é direto. Investimentos relevantes deixam de gerar valor percebido, enquanto indicadores como engajamento, atração e retenção são afetados.
A mudança proposta passa pela construção de um “fit de benefícios”, no qual as ofertas se adaptam às necessidades reais dos colaboradores ao longo do tempo.
Mais do que oferecer benefícios, o desafio está em garantir que eles sejam utilizados.
A baixa adesão, muitas vezes situada entre 15% e 20%, evidencia uma lacuna na ativação e na comunicação das soluções disponíveis.
A conversa destacou que o onboarding é um dos momentos mais determinantes nesse processo. Experiências estruturadas, com presença ativa e comunicação clara, demonstram potencial de alterar significativamente esse cenário.
Casos apresentados indicam que, quando bem executado, o onboarding pode gerar níveis elevados de engajamento logo nas primeiras horas de contato com o benefício.
Esse dado reforça a necessidade de tratar ativação como estratégia, e não como etapa operacional.
Outro ponto relevante foi a dificuldade de manter a comunicação efetiva em um ambiente saturado de estímulos.
E-mails, mensagens instantâneas e múltiplos canais competem pela atenção dos colaboradores, o que exige uma abordagem mais estruturada e recorrente.
A recomendação passa por construir jornadas de comunicação ao longo do tempo, com reforços em momentos-chave e adaptação da mensagem conforme o perfil do público.
Nesse modelo, a comunicação deixa de ser pontual e passa a atuar como elemento contínuo de engajamento.
A pauta de saúde mental ganhou destaque ao longo da discussão, especialmente diante do aumento da demanda por apoio psicológico e da pressão regulatória relacionada ao risco psicossocial.
A abordagem apresentada vai além da oferta de serviços, como terapia ou acompanhamento psiquiátrico. O ponto central está no alinhamento entre essas iniciativas e a cultura organizacional.
Sem um ambiente que promova segurança psicológica e liderança preparada, a tendência é que os benefícios sejam percebidos como desconectados da realidade do dia a dia.
Nesse sentido, a responsabilidade pela agenda de bem-estar se amplia, deixando de ser exclusiva do RH e passando a integrar a estratégia da companhia como um todo.
Embora a personalização seja apontada como caminho, sua implementação traz complexidade.
A oferta de múltiplas opções, combinada com a necessidade de gestão orçamentária e governança, exige estrutura, processos e tecnologia adequados.
Modelos baseados em modularização e bolsas de benefícios surgem como alternativas, permitindo maior flexibilidade sem perder controle financeiro.
Ainda assim, a efetividade depende da capacidade de integrar dados, acompanhar uso e ajustar a oferta de forma contínua.
A utilização de dados e Inteligência Artificial aparece como elemento central para sustentar esse novo modelo.
A captura contínua de feedbacks, por meio de pesquisas, indicadores de satisfação e comportamento de uso, permite uma leitura mais precisa das necessidades dos colaboradores.
A IA, nesse contexto, atua na síntese e interpretação desses dados, transformando volume em insights acionáveis.
Mais do que tecnologia, o ponto destacado foi o papel dessas ferramentas na tomada de decisão. A capacidade de medir ROI, engajamento e impacto passa a orientar ajustes mais rápidos e assertivos no portfólio de benefícios.
Outro aspecto abordado foi a importância da relação com fornecedores na construção de soluções mais eficientes.
A renegociação de contratos, a integração de serviços e a atuação conjunta na ativação dos benefícios ampliam o potencial de entrega.
Além disso, a governança sobre dados e processos, com atenção à privacidade e conformidade regulatória, se torna parte essencial da operação.

Encerrando a programação do HR4 Results 2026, Diego Barreto, CEO e sócio do iFood, trouxe uma reflexão que conecta tecnologia, comportamento humano e estratégia organizacional.
Diego trouxe uma leitura macro sobre a evolução da sociedade e resgatou alguns padrões históricos de inovação para explicar o momento atual.
A evolução tecnológica não ocorre de forma linear, mas em ciclos que se retroalimentam. O capital gerado em uma fase financia as transformações da seguinte, criando ondas sucessivas de disrupção.
Apesar dessa previsibilidade estrutural, há um ponto de tensão.
O comportamento humano permanece essencialmente o mesmo, enquanto a tecnologia avança em ritmo exponencial.
Essa diferença cria um descompasso. Organizações tendem a subestimar a velocidade das mudanças e, com isso, perdem capacidade de resposta.
Esse fenômeno ajuda a explicar por que empresas líderes em um ciclo dificilmente mantêm protagonismo no seguinte.
Diante desse contexto, o iFood iniciou, ainda em 2018, um movimento estruturado para se tornar uma empresa orientada por Inteligência Artificial.
A estratégia começou com um posicionamento claro da liderança, assumindo publicamente essa direção como prioridade do negócio.
A partir daí, a transformação foi sustentada por três pilares principais: capacitação, cultura e aplicação prática.
Programas internos de desenvolvimento foram criados para ampliar o letramento técnico da organização, incentivando o uso de dados e ferramentas mais avançadas no dia a dia.
Ao mesmo tempo, mecanismos de incentivo foram implementados para reforçar comportamentos alinhados à nova estratégia, incluindo critérios objetivos de performance conectados à adoção dessas práticas.
Um dos pontos mais enfatizados por Diego, foi o papel da cultura organizacional.
Mais do que direcionar a estratégia, a cultura garante a velocidade e a consistência da execução.
No caso do iFood, a construção de uma cultura orientada à curiosidade, ao aprendizado contínuo e à adaptação constante foi determinante para viabilizar a adoção de IA em escala.
Esse movimento também implicou decisões difíceis, incluindo a necessidade de alinhar o time a novos padrões de atuação, com impacto direto em performance e permanência na organização.
Diego também trouxe exemplos concretos de aplicação da Inteligência Artificial nas operações da empresa.
A criação de uma plataforma interna que permite a construção de agentes por profissionais não técnicos ampliou significativamente o uso da tecnologia no dia a dia.
Esses agentes passaram a atuar como uma camada adicional de execução, automatizando processos, acelerando análises e ampliando a capacidade de resposta das equipes.
Casos como a otimização do planejamento comercial e a automação do onboarding de restaurantes evidenciam ganhos relevantes de eficiência, redução de custos e melhoria na experiência.
Nesse contexto, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e passa a operar como uma nova forma de trabalho.
Outro avanço relevante está na aplicação de modelos para apoiar decisões organizacionais.
O uso de análises baseadas em redes de interação permite maior precisão em processos como avaliação de desempenho, reduzindo vieses e aumentando a consistência das decisões.
Essa abordagem reforça o papel dos dados como elemento central na gestão de pessoas, ampliando a capacidade analítica das organizações.
A liderança aparece, novamente, como elemento crítico.
A transformação não ocorre apenas pela adoção de tecnologia, mas pela capacidade de direcionar comportamentos, alinhar expectativas e sustentar um nível elevado de exigência.
Isso inclui desde a definição clara de visão até o envolvimento direto nos processos de contratação, garantindo aderência cultural e preparo para atuar em um ambiente orientado por IA.
Diego Barreto propôs uma reflexão sobre o papel das empresas e dos profissionais brasileiros diante das oportunidades trazidas pela tecnologia.
A crítica à complacência e a defesa de uma postura mais ambiciosa reforçam a necessidade de elevar o nível de exigência, tanto individual quanto coletivo.
O acesso a ferramentas tecnológicas cada vez mais avançadas reduz barreiras e amplia possibilidades, mas exige uma mudança de postura para que esse potencial se traduza em impacto real.
O primeiro dia do HR4 Results 2026 evidenciou, sob diferentes perspectivas, os caminhos que estão redesenhando o RH e as organizações. Da disciplina, consistência e liderança. O futuro do trabalho já está em movimento e ele exige mais do que adaptação. Exige protagonismo.
Entre tecnologia, dados e transformação cultural, um ponto se destaca: não é a IA, isoladamente, que muda o jogo, mas a forma como as organizações escolhem utilizá-la. E isso passa, necessariamente, por liderança, clareza de direção e capacidade de execução.
Mais do que tendências, o que vimos no primeiro dia foi um convite à ação. Um chamado para que empresas e profissionais assumam um papel ativo na construção de um RH mais estratégico, conectado ao negócio e preparado para operar em um cenário cada vez mais dinâmico e exponencial.
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