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A era da IA exige profissionais capazes de aprender continuamente, desenvolver novas competências e se adaptar às transformações do mercado....
14 de Setembro de 2026
Leitura de 9 min
A inteligência artificial está transformando o mercado de trabalho em uma velocidade que desafia empresas e profissionais. Novas ferramentas surgem, tarefas são automatizadas e competências que antes pareciam suficientes para uma carreira inteira podem perder relevância em poucos anos.
Mas, diante desse cenário, uma pergunta ganha cada vez mais importância: quais habilidades serão necessárias para continuar relevante no futuro do trabalho?
O tema foi discutido durante o painel de Michele Schneider, Especialista em Futuro do Trabalho e Autora Bestseller, no espaço exclusivo do iFood Benefícios no CONARH26, sobre carreira, inteligência artificial e as transformações no mundo do trabalho.
A partir de uma análise das diferentes revoluções tecnológicas, a discussão mostrou que o profissional do futuro não será definido apenas pelo conhecimento técnico, mas pela capacidade de aprender continuamente, adaptar-se e combinar competências humanas e tecnológicas. Continue lendo!
Para entender o futuro, é preciso olhar para a trajetória do trabalho. A humanidade já passou por grandes transformações, da revolução agrícola às diferentes revoluções industriais. Em cada uma delas, as habilidades mais valorizadas mudaram.
Se, no passado, a força física era um importante diferencial, hoje o conhecimento e a capacidade intelectual ocupam esse lugar. O problema é que o tempo de validade dessas habilidades está diminuindo. Enquanto uma competência podia sustentar uma carreira durante décadas, as transformações tecnológicas atuais fazem com que profissionais precisem atualizar seus conhecimentos com uma frequência cada vez maior.
Agora, a inteligência artificial aparece como uma das principais tecnologias da chamada quarta revolução industrial. Mas ela não está sozinha: biotecnologia, robótica e computação quântica também avançam simultaneamente, criando um cenário de transformação tecnológica ainda mais complexo.
Uma das principais dúvidas sobre o futuro do trabalho é se a inteligência artificial vai eliminar profissões inteiras.
A resposta, porém, pode ser mais complexa do que simplesmente dizer que determinados empregos vão desaparecer. Isso porque um emprego é formado por um conjunto de tarefas. Quando a IA automatiza uma dessas atividades, isso não significa necessariamente que toda a profissão deixa de existir. Em muitos casos, o trabalho tende a ser transformado.
As projeções sobre o impacto da IA no mercado de trabalho ainda apresentam resultados bastante diferentes. Enquanto alguns estudos estimam uma redução significativa de empregos, outros apontam para a criação de novas oportunidades. Essa divergência reforça uma conclusão importante: é difícil prever exatamente como será o mercado de trabalho daqui a alguns anos.
Por isso, mais do que tentar descobrir quais profissões estarão protegidas da tecnologia, profissionais e empresas precisam desenvolver capacidade de adaptação.
Se as tecnologias e os processos mudam constantemente, o aprendizado não pode terminar com a formação acadêmica ou com um curso de capacitação.
O conceito de aprendizado contínuo ganha força justamente porque as habilidades técnicas estão ficando obsoletas mais rapidamente. A experiência apresentada no painel mostra como uma formação considerada atual pode perder conexão com o mercado em poucos anos.
Esse cenário também muda a maneira como pensamos a carreira. Em vez de imaginar uma profissão linear, na qual o profissional aprende uma função e a exerce durante décadas, o futuro pode ser marcado por ciclos sucessivos de aprendizado, adaptação e reinvenção.
Nesse contexto, o valor profissional deixa de estar apenas em “saber fazer” algo e passa a estar também na capacidade de aprender o que será necessário fazer a seguir.
A discussão apresentada no CONARH26 organizou as competências necessárias para o futuro em quatro grandes pilares: mente inovadora, letramento tecnológico, inteligência emocional e saúde mental.
A mente inovadora reúne características como curiosidade, criatividade e aprendizado contínuo.
Em um mercado que muda rapidamente, ser curioso significa estar disposto a explorar novas ferramentas, conhecimentos e possibilidades. Quanto maior o repertório de uma pessoa, maior também tende a ser sua capacidade de estabelecer conexões e encontrar soluções diferentes para os problemas.
A curiosidade, portanto, deixa de ser apenas uma característica pessoal e passa a representar uma competência profissional.
Não basta que a empresa ofereça cursos e ferramentas de IA. O profissional também precisa ter iniciativa para experimentar, testar e aprender. Uma das reflexões apresentadas no painel foi justamente que muitas empresas disponibilizam ferramentas de inteligência artificial, mas uma parcela relativamente pequena dos funcionários realmente as utiliza.
O segundo pilar é a capacidade de compreender e utilizar tecnologias de maneira estratégica.
Isso não significa que todos os profissionais precisem se tornar programadores ou especialistas em inteligência artificial. O ponto é desenvolver familiaridade suficiente para entender as possibilidades da tecnologia e incorporá-la ao próprio trabalho.
A tendência é que o conhecimento tecnológico deixe de ser restrito às áreas de TI. Assim como empresas de diferentes setores passaram a incorporar a tecnologia ao seu negócio, os profissionais também precisarão desenvolver algum nível de letramento tecnológico para acompanhar as transformações.
O avanço da tecnologia não diminui a importância das capacidades humanas. Pelo contrário: competências como autoconhecimento, empatia, motivação e escuta ativa ganham espaço justamente porque não podem ser reduzidas à execução automatizada de tarefas.
A inteligência emocional ajuda profissionais a lidar com mudanças, trabalhar em equipe, compreender diferentes perspectivas e administrar situações de pressão.
Em um ambiente no qual ferramentas tecnológicas podem executar cada vez mais atividades, a capacidade de interpretar contextos, construir relações e tomar decisões considerando fatores humanos tende a ganhar ainda mais relevância.
O quarto pilar reúne resiliência, flexibilidade e agilidade e está diretamente relacionado à saúde mental.
A velocidade das transformações pode gerar ansiedade e sensação de instabilidade. Afinal, profissionais precisam se adaptar continuamente a novas ferramentas, processos, estruturas organizacionais e expectativas.
Nesse sentido, preparar-se para o futuro do trabalho não significa apenas acumular novas competências técnicas. Também é necessário desenvolver recursos para lidar com a velocidade das mudanças, a incerteza e a necessidade constante de adaptação.
A divisão também mostra que não se trata de escolher entre habilidades técnicas e comportamentais. O profissional do futuro precisará combinar as duas dimensões. O letramento tecnológico ganha espaço à medida que a IA passa a fazer parte de diferentes funções, enquanto criatividade, liderança, inteligência emocional, curiosidade e capacidade de adaptação continuam essenciais para orientar o uso dessas ferramentas.
Uma das principais mudanças provocadas pela aceleração tecnológica é a transformação da própria definição de empregabilidade.
Imagine um profissional que passou décadas sendo excelente em uma determinada atividade. Se uma nova tecnologia conseguir executar aquela tarefa de maneira mais rápida, barata e eficiente, parte importante do diferencial construído ao longo da carreira pode desaparecer.
Nesse cenário, a competência mais importante pode não ser aquilo que a pessoa sabe hoje, mas a velocidade com que consegue aprender aquilo que será necessário amanhã.
Isso não significa abandonar a especialização. Pelo contrário: conhecimento e experiência continuam importantes. A diferença é que eles precisam ser acompanhados de flexibilidade para serem atualizados.
A responsabilidade pela preparação para o futuro não é apenas individual. As organizações também precisam criar condições para que seus profissionais acompanhem as transformações.
Uma das experiências discutidas no painel mostra esse desafio. Em uma organização altamente tecnológica, a estratégia adotada não foi simplesmente criar uma área especializada em IA, mas desenvolver diferentes níveis de letramento em inteligência artificial para profissionais de toda a empresa.
Ao mesmo tempo, existe um dilema importante: se a automação eliminar as tarefas mais simples e as empresas deixarem de contratar profissionais em início de carreira, como esses trabalhadores ganharão experiência para ocupar posições mais sêniores no futuro?
A questão mostra que eficiência de curto prazo e desenvolvimento de talentos precisam ser analisados conjuntamente.
As transformações tecnológicas indicam que a ideia tradicional de uma carreira linear pode perder força.
Em vez de passar décadas desenvolvendo essencialmente as mesmas competências, profissionais poderão atravessar diferentes ciclos de aprendizado ao longo da vida. Uma habilidade aprendida hoje pode precisar ser atualizada, complementada ou até substituída em poucos anos.
Isso coloca o lifelong learning, ou aprendizado ao longo da vida, no centro das estratégias de carreira.
Para o profissional, significa assumir maior protagonismo sobre o próprio desenvolvimento. Para as empresas, significa criar ambientes que incentivem aprendizado, experimentação e mobilidade.
Ainda não é possível saber exatamente como será o mercado de trabalho em um cenário de inteligência artificial cada vez mais avançada. As próprias projeções sobre empregos, automação e novas profissões apresentam diferenças importantes.
Mas existe uma conclusão mais consistente: a capacidade de adaptação será fundamental.
O profissional do futuro não será necessariamente aquele que domina todas as tecnologias disponíveis. Será aquele que consegue permanecer curioso, aprender continuamente, desenvolver letramento tecnológico, preservar suas competências humanas e lidar com as mudanças sem perder a capacidade de agir.
Para o RH, o desafio é igualmente grande: mais do que preparar pessoas para as funções de hoje, será necessário criar condições para que elas continuem aprendendo e se reinventando ao longo da carreira. Afinal, em um mercado no qual as habilidades mudam cada vez mais rápido, talvez a competência mais valiosa seja justamente saber continuar aprendendo.
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