Pesquisa de engajamento: do diagnóstico ao plano de ação

Como a IA transforma o trabalho e quais competências humanas ganham mais valor: pensamento crítico, criatividade, adaptabilidade e mais.
28 de Setembro de 2026
Leitura de 8 min
A inteligência artificial não vai substituir as pessoas. Vai substituir as pessoas que não souberem trabalhar com ela. Essa distinção importa porque muda o que as organizações e os profissionais precisam desenvolver agora.
À medida que a IA assume tarefas repetitivas, analíticas e de processamento de dados, as habilidades que ficam com os humanos são exatamente as que os algoritmos não conseguem replicar: julgamento, empatia, criatividade e a capacidade de navegar ambiguidade. Leia mais no artigo abaixo.
A inteligência artificial é extraordinariamente eficiente em tarefas com padrão definido: processar grandes volumes de dados, identificar tendências, automatizar fluxos repetitivos, gerar relatórios e até redigir textos dentro de parâmetros claros.
O que ela não consegue fazer é julgar contexto com nuance, construir confiança genuína, tomar decisões éticas complexas ou criar algo verdadeiramente original a partir do nada. Essas são capacidades humanas, e é exatamente por isso que elas se tornam mais valiosas à medida que a automação avança.
O Future of Jobs Report 2025 do World Economic Forum, baseado em pesquisa com mais de 1.000 empresas representando 14 milhões de trabalhadores em 55 economias, aponta que pensamento analítico, resiliência, liderança e criatividade figuram entre as competências mais valorizadas pelos empregadores para os próximos anos. Não por acaso, todas são habilidades essencialmente humanas.
Segundo o mesmo relatório do WEF, o pensamento analítico lidera a lista de competências essenciais pelo terceiro relatório consecutivo, com 7 em cada 10 empresas apontando-o como indispensável. A razão é simples: o mundo ficou mais complexo, e a capacidade de decompor problemas, enxergar o todo e tomar decisões informadas com rapidez é o que diferencia quem resolve de quem apenas reage.
A IA processa dados com velocidade e escala que nenhum humano consegue acompanhar. Mas interpretar esses dados, questionar os pressupostos por trás deles e decidir o que fazer com as conclusões ainda requer julgamento humano. O profissional que sabe fazer as perguntas certas para um sistema de IA vale mais do que o que aceita as respostas sem questionamento.
Esse é o perfil que o Acrescenta chama de profissional da era da IA: não aquele que compete com a tecnologia, mas o que a usa de forma estratégica, com senso crítico sobre seus limites e seus resultados.
A criatividade é uma das capacidades mais difíceis de automatizar. Criar algo genuinamente novo, que não existia antes, requer uma combinação de experiência, intuição, emoção e perspectiva cultural que os modelos de IA atual não possuem. Eles combinam e recombinam padrões do passado. A inovação real exige romper com esses padrões.
O Future of Jobs Report 2025 coloca o pensamento criativo entre as cinco competências mais em ascensão para os próximos anos. Isso não significa que só artistas e designers precisam desenvolver criatividade. Em qualquer função, a capacidade de propor soluções novas, enxergar oportunidades não óbvias e adaptar abordagens a contextos inéditos é um diferencial crescente.
Organizações que investem em ambientes que estimulam a criatividade, com espaço para experimentação, tolerância ao erro e diversidade de perspectivas, constroem times mais resilientes e mais inovadores. O que não é pouca coisa em um mercado que muda na velocidade que muda.
A inteligência emocional, a capacidade de reconhecer, compreender e gerenciar as próprias emoções e as emoções dos outros, é uma das habilidades mais citadas como insubstituível na era da automação. E por boas razões.
Relacionamentos de confiança se constroem com presença, empatia e consistência. Um sistema de IA pode simular respostas empáticas, mas não pode genuinamente sentir o que outra pessoa sente, nem tomar decisões que considerem o peso emocional de uma situação com a profundidade que um humano consegue.
Em contextos de liderança, negociação, gestão de conflitos e atendimento a clientes, a inteligência emocional é o que determina se uma interação gera confiança ou atrito. Profissionais com alta inteligência emocional tendem a construir equipes mais coesas, a lidar melhor com pressão e a manter relacionamentos que resistem a momentos difíceis.
O desenvolvimento de lideranças que inclui inteligência emocional como competência central, e não apenas como complemento, é uma das apostas mais consistentes para organizações que querem estar preparadas para o futuro.
O mundo do trabalho vai continuar mudando. O profissional mais preparado para o futuro não é necessariamente o que tem mais conhecimento técnico hoje. É o que consegue aprender, desaprender e reaprender com velocidade.
O relatório do WEF destaca resiliência, flexibilidade e agilidade como competências em ascensão acelerada. Não por acaso: ambientes de alta incerteza exigem pessoas que consigam operar sem todas as respostas, ajustar o rumo quando o plano muda e manter a capacidade produtiva mesmo diante do desconforto.
A adaptabilidade não é um traço de personalidade fixo. É uma competência que pode ser desenvolvida, especialmente em organizações que criam cultura de aprendizado contínuo, que toleram o erro como parte do processo e que investem em treinamento e desenvolvimento de forma consistente.
À medida que as tarefas de execução são assumidas pela IA, o trabalho humano se concentra cada vez mais em atividades que exigem interação: alinhar perspectivas diferentes, construir consenso, comunicar ideias complexas de forma acessível e coordenar esforços em times diversos.
A comunicação eficaz, tanto oral quanto escrita, tanto presencial quanto digital, é uma das competências mais transversais e mais escassas no mercado. Saber estruturar um argumento, adaptar a linguagem ao interlocutor e ouvir com atenção genuína são habilidades que se tornam mais raras justamente porque parecem naturais demais para serem desenvolvidas intencionalmente.
O Future of Jobs Report 2025 inclui empatia e escuta ativa entre as dez principais competências para o futuro do trabalho. Em um ambiente onde a comunicação mediada por tecnologia se multiplica, a capacidade de criar conexão real, mesmo à distância, é um diferencial concreto.
Trabalhar com a IA, e não apenas ao lado dela, exige um tipo específico de habilidade que o mercado passou a chamar de fluência em IA. Não se trata de saber programar algoritmos, mas de entender como esses sistemas funcionam, onde são confiáveis, onde precisam de supervisão e como usá-los de forma estratégica para ampliar o próprio trabalho.
O mesmo relatório do WEF aponta que a busca por fluência em IA cresceu mais de 10 vezes nos últimos anos. Esse número reflete uma mudança de percepção: a tecnologia não é mais algo que o time de TI opera em separado. É uma ferramenta que todos os profissionais precisam saber usar com critério.
Organizações que investem em letramento em IA para todos os colaboradores, não apenas para as áreas técnicas, criam times mais eficientes e mais preparados para extrair valor real da tecnologia. Como discutido no artigo do Acrescenta sobre IA e automação na gestão de pessoas, o papel do RH nessa transição é central: cabe à área identificar as lacunas de competência, estruturar os programas de desenvolvimento e garantir que a transformação aconteça de forma inclusiva.
Competências não se desenvolvem sozinhas. O profissional tem responsabilidade pelo próprio aprendizado, mas a organização tem responsabilidade pelo ambiente que torna esse aprendizado possível.
Empresas que criam culturas de aprendizado contínuo, que oferecem programas de upskilling e reskilling, que constroem ambientes psicologicamente seguros para experimentar e errar, e que reconhecem o desenvolvimento como parte do trabalho, e não como algo que acontece fora do expediente, constroem times mais preparados para o que ainda está por vir.
O futuro do trabalho exige líderes que desenvolvem pessoas com a mesma atenção que dedicam a resultados. Porque os resultados de amanhã dependem das competências que estão sendo construídas hoje.
A inteligência artificial vai continuar avançando. As tarefas que ela consegue executar vão continuar se expandindo. O que não vai mudar é a necessidade de pessoas que pensam com profundidade, se relacionam com empatia, criam com originalidade e se adaptam com agilidade.
Essas são as habilidades que nenhum algoritmo substitui. E são exatamente essas as que mais valerão no mercado que está sendo construído agora.
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