O futuro do trabalho exige mais do que tecnologia: sua empresa está preparada?

CONARH 2026: A IA transforma o trabalho, mas o diferencial está em unir tecnologia, pessoas, cultura de inovação e aprendizado contínuo.

15 de Setembro de 2026

Leitura de 8 min

A inteligência artificial está mudando rapidamente a forma como as empresas trabalham, tomam decisões e organizam suas equipes. Mas, à medida que novas ferramentas se tornam mais acessíveis, surge uma questão importante para o RH e para as lideranças: onde estará o diferencial competitivo quando todo mundo tiver acesso à mesma tecnologia?

Esse foi um dos temas discutidos em um painel sobre o futuro do trabalho no CONARH26, com participação de Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios, Maíra Habimoradi, CEO do Inteli, e Ivan Martinho, CEO da WSL. A conversa, que reuniu diferentes perspectivas sobre inteligência artificial, inovação, liderança e transformação organizacional, mostrou que adotar ferramentas de IA é apenas uma parte da mudança.

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Para realmente capturar seu potencial, as empresas precisam desenvolver pessoas, rever processos, criar espaço para experimentação e construir uma cultura capaz de acompanhar a velocidade das transformações. Veja mais a seguir!

A inteligência artificial será uma commodity?

A popularização da inteligência artificial pode fazer com que as próprias ferramentas deixem de representar um diferencial competitivo. Isso, porém, não significa que todas as empresas terão o mesmo nível de aproveitamento da tecnologia.

Ter acesso a uma ferramenta não significa necessariamente saber utilizá-la de maneira eficiente. Assim como a disponibilidade de softwares não transforma automaticamente todos os profissionais em especialistas, o acesso à IA não garante que as equipes saibam incorporá-la ao trabalho e gerar resultados a partir dela.

Nesse cenário, ganha importância a capacidade de aprender continuamente, testar novas possibilidades e até desaprender práticas que deixaram de fazer sentido. Afinal, em um ambiente no qual processos e tecnologias mudam rapidamente, insistir em modelos que funcionaram no passado pode ser mais arriscado do que experimentar novas alternativas.

Confira também: CONARH 2026 encerra com RH global, cultura e governança

O papel do RH na preparação para a IA

A transformação provocada pela inteligência artificial não deve ficar restrita a especialistas ou a uma área específica da empresa. Uma das experiências apresentadas no painel mostrou a importância de desenvolver diferentes níveis de letramento em IA para que profissionais de áreas distintas possam utilizar a tecnologia em suas próprias atividades.

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Isso significa pensar em uma força de trabalho aumentada pela IA, em que ferramentas tecnológicas ampliam a produtividade de profissionais de RH, finanças, jurídico, marketing e outras áreas.

Ao mesmo tempo, existe um desafio de longo prazo. Se a automação assumir grande parte das tarefas mais simples e as empresas deixarem de contratar profissionais iniciantes, pode surgir uma dificuldade na formação dos futuros profissionais seniores. Por isso, decisões de eficiência precisam ser analisadas também sob a perspectiva do desenvolvimento de talentos e da sustentabilidade da carreira.

IA sozinha não transforma uma empresa

Outro ponto levantado durante a discussão é que a tecnologia, por si só, não garante eficiência. Para que a inteligência artificial funcione de maneira estratégica, é necessário combinar dados estruturados, conhecimento especializado e expertise humana.

A tendência é que as organizações passem a trabalhar com equipes formadas por pessoas e recursos tecnológicos, incluindo diferentes agentes e soluções de IA. Nesse modelo, profissionais não apenas utilizam ferramentas: eles também precisam aprender a gerenciar, supervisionar e combinar esses recursos com sua própria experiência.

Isso muda também o perfil das competências valorizadas pelas empresas. Curiosidade, capacidade de aprender, adaptabilidade e disposição para experimentar passam a ter um papel ainda mais importante.

Inovação exige tolerância ao erro

Não existe transformação sem experimentação. E experimentar significa aceitar que algumas iniciativas não vão funcionar como planejado.

Para as lideranças, portanto, não basta dizer que a empresa valoriza a inovação. É preciso criar condições para que as pessoas possam testar ideias sem transformar cada erro em uma punição. Um dos caminhos apontados durante o painel é estabelecer limites claros de atuação, ou guardrails, que permitam experimentar sem colocar a organização em risco.

Também é importante definir como a empresa reage quando um projeto não dá certo. Se um erro bem-intencionado é tratado apenas como fracasso, os profissionais podem concluir que é mais seguro não tentar. Por outro lado, quando a organização analisa o que aconteceu e transforma a experiência em aprendizado, cria-se um ambiente mais favorável à inovação.

Segurança para experimentar não significa ausência de responsabilidade

Criar uma cultura de experimentação não significa permitir que qualquer iniciativa seja conduzida sem critérios. A ideia é oferecer autonomia dentro de limites bem definidos.

Isso pode envolver alçadas de decisão, indicadores, orçamento, cronogramas e critérios claros para interromper uma iniciativa. Dessa maneira, o erro deixa de ser sinônimo de negligência e passa a fazer parte de um processo estruturado de aprendizado.

Confira: Metas que funcionam: como definir, comunicar e acompanhar resultados reais

Projetos-piloto ajudam a tirar ideias do papel

Uma estratégia apresentada durante o painel foi começar pequeno. Em vez de implementar uma grande mudança imediatamente, a empresa pode transformá-la em um projeto-piloto, com objetivos, responsáveis, cronograma, hipóteses e metodologia definidos previamente.

Esse formato reduz os riscos e permite testar uma ideia antes de ampliá-la. Se funcionar, a organização ganha evidências e aprendizados para levar a iniciativa a uma escala maior. Se não funcionar, pode identificar rapidamente o que precisa ser ajustado.

Para o RH, essa lógica pode ser aplicada a diferentes projetos: implantação de ferramentas de IA, novos formatos de treinamento, modelos de trabalho, programas de benefícios ou iniciativas de desenvolvimento.

Incentivos também moldam a cultura

Uma empresa pode declarar que deseja inovação, mas seus sistemas de reconhecimento e recompensa podem transmitir uma mensagem completamente diferente.

Se profissionais são recompensados apenas por resultados previsíveis e de curto prazo, existe um incentivo natural para evitar riscos. Por isso, iniciativas de inovação precisam estar acompanhadas de mecanismos de reconhecimento, que podem incluir recompensas financeiras, visibilidade, oportunidades de desenvolvimento ou outras formas de valorização.

Essa lógica também se aplica aos processos tradicionais de gestão de pessoas. Contratar, promover e desligar profissionais são decisões que comunicam à organização quais comportamentos são valorizados, mesmo quando a empresa não declara isso explicitamente.

Ambidestria: inovar sem deixar de entregar

Um dos conceitos importantes apresentados na conversa foi o de ambidestria organizacional: a capacidade de explorar novas possibilidades enquanto a empresa continua executando bem aquilo que já sustenta seu negócio.

Na prática, isso significa equilibrar dois movimentos. De um lado, está o core business, que precisa manter qualidade, eficiência e resultados. Do outro, estão os experimentos que podem gerar novos produtos, serviços e modelos de negócio.

O desafio está justamente em não exigir que iniciativas em diferentes estágios sejam avaliadas pelas mesmas métricas.

Um negócio consolidado pode ser cobrado por receita, margem, crescimento e eficiência. Já um projeto experimental talvez precise ser avaliado por indicadores como aprendizado, adesão dos usuários, validação da proposta e capacidade de desenvolver um produto que tenha potencial de mercado.

A lógica do “jet ski”: comece pequeno antes de mudar o rumo do transatlântico

Para explicar essa estratégia, o painel utilizou uma analogia interessante: uma grande empresa funciona como um transatlântico, difícil de mudar de direção rapidamente. Os projetos inovadores seriam como jet skis: pequenos, ágeis e capazes de explorar diferentes caminhos.

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A lógica é testar uma possibilidade em menor escala, entender se ela funciona e, somente depois, ampliar o investimento. Foi dessa forma que o iFood Benefícios foi apresentado no painel: como uma iniciativa que começou com métricas próprias de experimentação e validação antes de ganhar escala.

Essa abordagem mostra que inovação não precisa começar com uma grande transformação. Muitas vezes, o primeiro passo é criar espaço para pequenos experimentos bem estruturados.

O futuro do trabalho é uma combinação de pessoas, tecnologia e cultura

A principal mensagem da discussão é que a transformação tecnológica não acontece apenas pela aquisição de novas ferramentas. A vantagem competitiva estará cada vez mais relacionada à capacidade de combinar tecnologia, conhecimento humano e uma cultura organizacional preparada para aprender e mudar.

Para o RH, isso significa olhar para além da implementação da inteligência artificial. É necessário preparar profissionais, repensar incentivos, desenvolver novas competências, preservar caminhos de carreira, criar ambientes seguros para experimentação e estabelecer métricas adequadas para diferentes tipos de trabalho.

Em um cenário de mudanças aceleradas, talvez a pergunta mais importante não seja “qual ferramenta de IA devemos usar?”, mas sim: “que tipo de organização precisamos construir para conseguir aprender e evoluir junto com a tecnologia?”

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