CONARH 2026: tudo que rolou no primeiro dia do evento

Gestão humana, IA, liderança afetiva e propósito: os principais aprendizados do primeiro dia do CONARH 2026.

19 de Agosto de 2026

Leitura de 11 min

O maior evento de RH do Brasil abriu suas portas em 18 de agosto de 2026 com uma pergunta que não saiu da cabeça de ninguém: como manter o humano no centro quando tudo ao redor caminha para o digital?

O CONARH 2026, realizado sob o tema Brasil Global: o futuro da gestão humana, reuniu líderes, CEOs, especialistas e profissionais de RH de todo o país no Grande Auditório iFood Benefícios. O que se viu no primeiro dia foi um debate honesto, provocador e necessário sobre o papel das pessoas em um mundo cada vez mais automatizado. Leia mais abaixo.
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Índice:

  • Prêmio Ser Humano 2026
  • Brasil Global: o futuro da gestão é humano
  • Humanidade sob pressão: como liderar em um mundo reinventado pela IA
  • Alta performance com alma: o novo código da liderança
  • O que o primeiro dia do CONARH 2026 deixou como mensagem
  • Gestão humana em tempos de inteligência artificial

    A abertura foi conduzida por Andrea Gaute com uma frase que deu o tom do dia: "Esse congresso surgiu da pluralidade. Muitas vozes, diferentes perspectivas e um só propósito. Criar a Cidade do RH. Nenhuma grande transformação acontece individualmente."

    Em seguida, Leyla Nascimento, presidente da ABRH, subiu ao palco para trazer a questão central do evento: como manter o humano no centro quando tudo ao redor caminha para o digital? A resposta que ela mesma ofereceu foi direta: não somos nós que devemos escolher entre uma coisa ou outra. O fator humano não é opcional. "Por trás de cada resultado há pessoas que sonham, que sentem, que buscam vencer."

    O recado ficou claro desde o início: o RH do futuro não é menos humano. É mais.

    Leia também: O que torna uma empresa um ótimo lugar para trabalhar

    Prêmio Ser Humano 2026

    O Prêmio Ser Humano 2026 destacou personalidades da área de Departamento Pessoal que constroem, dentro do RH, projetos com impacto real no desenvolvimento humano. O prêmio é um reconhecimento de que a área técnica e a área estratégica de pessoas se complementam, e de que profissionais que atuam nos bastidores também transformam organizações.

    Brasil Global: o futuro da gestão é humano

    A primeira palestra magna do dia reuniu Celina Joppert, Marcelo Munerato, Leyla Nascimento e Estevan Sartorelli para debater o que significa ser um país global em gestão de pessoas.

    O Brasil como escola de liderança

    Marcelo Munerato, com 36 anos de trajetória no setor de seguros, colocou o Brasil em perspectiva com uma frase que arrancou aplausos: "O Brasil é uma escola de liderança. Nós temos capacidade de adaptação, relações, improviso e colocamos emoção naquilo que fazemos."

    Ele foi além: algumas multinacionais são sustentadas pelas operações do Brasil. E o cenário mudou. Líderes que antes eram 100% estrangeiros estão sendo substituídos por brasileiros, dentro e fora do país.

    O complexo de vira-lata que precisa acabar

    Estevan Sartorelli, da Dengo Chocolates, trouxe a experiência da internacionalização da marca para Paris em um dos momentos mais provocadores do dia. "A gente não tem que se adaptar ao mercado de fora. A gente precisa ter autenticidade."

    Ele descreveu a vantagem competitiva da marca com clareza: nenhuma outra marca europeia sabe de onde vem o seu cacau. A Dengo sabe. E isso, no mercado mais competitivo e exigente do mundo, faz diferença.

    "O que mais nos diferencia nas nossas lojas é o calor humano que oferecemos. Num mundo frio e individualista, esse fator humano é o nosso diferencial."

    Mas foi o diagnóstico sobre a autocrítica brasileira que ficou: "Nós temos uma característica autodepreciativa que precisa mudar. Nós temos um orgulho muito baixo."

    A ciência da felicidade já é pauta estratégica

    Celina Joppert complementou com um dado que reforça o que os palestrantes vivem na prática: a ciência da felicidade está atrelada à produtividade. O curso "Psychology and the Good Life", da professora Laurie Santos na Universidade de Yale, é o mais popular em mais de 300 anos de história da instituição, com mais de 4,5 milhões de alunos na versão online. A felicidade não é pauta de RH soft. É ciência com resultado mensurável.

    Liderança afetiva e efetiva

    Estevan trouxe o conceito de liderança afetiva e efetiva. A reflexão foi direta:

    "Resultado depende de engajamento. Engajamento necessita de propósito. E que propósito é esse se não o cuidado e o afeto? O que mais me preocupa é o retrocesso humano da capacidade de manter conexões."

    Ele foi honesto sobre o desgaste do conceito de amor no ambiente corporativo, e propôs o afeto como substituto mais preciso: "Conversas difíceis, claras e honrosas são mais efetivas do que conversas difíceis, tortas e distorcidas."

    O desengajamento como epidemia

    Marcelo Munerato trouxe o dado mais citado da palestra: o desengajamento custa caro. Segundo o State of the Global Workplace 2026 da Gallup, o desengajamento resultou em mais de US$10 trilhões em perda de produtividade global em 2024, equivalente a 9% do PIB mundial. "O desengajamento é uma epidemia global. Falta de afeto, liderança não humanizada está adoecendo mentalmente os colaboradores."

    O recado final dos quatro palestrantes foi unânime: precisamos causar intencionalmente uma revolução humana. A tecnologia é bem-vinda. O diferencial é humano.

    Aprofunde-se: Produtividade sustentável: trabalhar mais não é produzir mais

    Humanidade sob pressão: como liderar em um mundo reinventado pela IA

    O segundo bloco do dia reuniu Marie Bendelac, Maria Antonieta Russo e Júlio Cardoso, mediados por Luiz Edmundo, para enfrentar a pergunta que mais assusta os líderes de RH hoje: o que será humano quando a IA fizer tudo o mais?

    Confiança como vantagem competitiva

    Marie Bendelac abriu com uma provocação: a IA pode facilitar processos. Mas não vai consertar a cultura de um ambiente de trabalho.

    Ela citou um dado: segundo o Edelman Trust Barometer 2024, empresas com confiança mútua entre líderes e times entregam resultados consistentemente superiores. E trouxe um alerta a partir da própria experiência: viveu em 2021, como diretora de uma multinacional, um dos casos mais graves de assédio que já enfrentou. O episódio terminou com o maior escândalo financeiro da empresa na França.

    A lição que ela deixou foi clara: "O contrário de liderança tóxica não é uma liderança boazinha. É uma liderança humana. Ela não é fofinha. É eficiente."

    Ela também lembrou de um dado desafiador da neurociência: 85% das pessoas, mesmo diante de situações de vida ou morte, não conseguem mudar seu comportamento. A mudança começa pela consciência dos próprios padrões.

    A líder que faz as melhores perguntas

    Maria Antonieta Russo, da TIM Brasil, trouxe uma das viradas de perspectiva mais práticas do dia: "Antes, o líder era o modelo que tinha todas as respostas. Hoje ele é o que faz as melhores perguntas."

    Ela contou como enfrentou o medo de que a evolução tecnológica substituísse pessoas. A resposta foi a Onda Digital: um programa de letramento tecnológico para todos os colaboradores, seguido de uma academia permanente de liderança. A pergunta que guiou o processo não era sobre capacidade técnica, mas sobre algo mais fundamental: "A questão não era se o líder tinha capacidade de gerir uma equipe. Era se tinha a capacidade de gerir a si mesmo."

    O único entrave identificado ao longo do processo foi o medo. E a estratégia foi seguir construindo, capacitando e desenvolvendo a inteligência humana junto com a tecnológica.

    Gratidão como estratégia de liderança

    Júlio Cardoso, CEO da Supergasbras, trouxe o relato mais pessoal do dia. Após perder parte da visão, aprendeu a valorizar os 30% que restaram. A lição virou princípio de gestão:

    "Cuide e seja feliz com o que você tem. A gratidão é a forma de você ser feliz com a vida de hoje."

    Ele foi direto sobre o papel do líder: "A capacidade que a gente tem com nossas ações e decisões de afetar a vida das pessoas é uma responsabilidade. E não existe produtividade sem colaboradores felizes."

    Na Supergasbras, o letramento em IA foi democratizado para todos. A estratégia: identificar os Superusers, aqueles que naturalmente criam interfaces e soluções para ajudar os colegas, e deixar que a tecnologia potencialize o trabalho de cada pessoa. "A IA gera mais resultado, menos retrabalho e menos sobrecarga. Mas precisa ser usada da forma correta."

    Saiba mais: Saúde integrativa: a abordagem preventiva que o RH precisa conhecer

    Alta performance com alma: o novo código da liderança

    O encerramento do dia trouxe Adriana Aroulho, da SAP, e Fábio Barbosa, do Natura&Co, mediados por Paulo Sardinha e com a participação de Pierre Lucena.

    O profissional que vem com uma pessoa junto

    Fábio Barbosa abriu com uma das frases polêmica: "Eu sempre tentei contratar um profissional, mas sempre veio uma pessoa junto." O recado é simples e profundo: não existe separação entre o ser humano e o profissional. A empresa que ignora essa realidade paga o preço no engajamento, na saúde mental e na retenção.

    Ele foi direto sobre sua própria trajetória: "Nessa jornada de mudança de finanças para pessoas, agora eu estou migrando de pessoas para causas. Num mundo que acha que você precisa transgredir para crescer, eu sou a prova viva que isso não é verdade."

    A IA é o presente. O humano é a responsabilidade.

    Adriana Aroulho trouxe a síntese mais precisa sobre o papel da tecnologia: "A inteligência artificial é o presente. Mas o papel do humano é se responsabilizar pelos dados e pelos resultados gerados."

    A frase conectou o debate do dia inteiro: a IA executa. O humano decide, cuida, lidera e responde.

    A universidade que ainda não aprendeu a perguntar

    Pierre Lucena fez uma provocação direta ao sistema de formação: enquanto o mercado exige novas habilidades, as universidades ainda colocam conteúdo sem preparar os alunos para o novo tempo. "Agora ninguém precisa fazer as tarefas mecânicas. E as universidades que só colocam conteúdo para os alunos estudarem não estão preparando essa geração para o que está por vir."

    A mudança, para ele, virá pela demanda: "A inovação surge pela resolução de problema. Precisamos fazer uma revolução do trabalho para voltar a colocar as pessoas no mercado. Os trabalhos mecânicos serão extintos. Mas a revolução precisa passar pelo acesso à educação."

    A geração que está deixando um mundo melhor

    Fábio Barbosa encerrou com uma observação que ficou no ar: "Se a gente não deixou um mundo melhor para os nossos filhos, as novas gerações estão deixando um mundo melhor para nós. Nunca vi uma geração tão atenta ao meio ambiente, com tanta responsabilidade social."

    O que o primeiro dia do CONARH 2026 deixou como mensagem

    Ao longo de um dia inteiro de debates, uma ideia se repetiu em todas as palestras, em diferentes formas e vozes: a tecnologia avança, mas o diferencial é humano.

    Afeto, propósito, confiança, gratidão, autenticidade e responsabilidade foram as palavras que mais apareceram. Não como conceitos abstratos, mas como práticas de liderança com impacto direto em resultado, engajamento e retenção.

    "O principal papel do líder é fazer a gestão da sua energia. Com isso, inspirar a energia e a saúde mental das suas equipes." Marcelo Munerato encerrou sua participação com a imagem que resumiu o espírito do dia: "Uma vela pode acender milhares de outras sem perder sua própria luz. Que possamos brilhar juntos sem apagar o brilho de ninguém."

    O CONARH 2026 ainda tem mais dias pela frente. Mas o primeiro já entregou o essencial: o futuro da gestão humana começa com quem lidera escolhendo ser, antes de qualquer coisa, humano.

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    O iFood Benefícios foi patrocinador do Grande Auditório do CONARH 2026 e acredita que cuidar de pessoas é a base de qualquer resultado sustentável. Por isso, oferecemos uma solução multibenefícios completa: vale-alimentação, vale-refeição, mobilidade, saúde, educação, cultura, bem-estar e home office em um único cartão, com mais de 11 milhões de estabelecimentos físicos credenciados.

    Se você é gestor de RH e quer fortalecer a experiência do colaborador com benefícios que fazem sentido no dia a dia, conheça as soluções do iFood Benefícios. Se você é colaborador e acredita que essa proposta pode contribuir para sua empresa, compartilhe com o RH.

    Continue acompanhando o Acrescenta para saber de tudo que ainda vai rolar nos próximos dias de CONARH 2026. Você também pode ver conteúdos exclusivos nas rede sociais do iFood Benefícios:

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