Como montar um pacote de remuneração que atrai e retém talentos

O que compõe um pacote de remuneração, como estruturar salário, benefícios e variáveis e tornar a proposta competitiva.

2 de Setembro de 2026

Leitura de 7 min

Quando um candidato avalia uma proposta de trabalho, ele não enxerga apenas o salário. Ele enxerga o conjunto. Plano de saúde, flexibilidade, benefícios, possibilidade de crescimento, reconhecimento, remuneração variável. Tudo isso entra no cálculo, mesmo que inconscientemente.

Empresas que entendem isso constroem pacotes de remuneração mais competitivos sem necessariamente gastar mais. O que muda é a forma como os elementos são estruturados, comunicados e alinhados ao que o profissional realmente valoriza. Leia mais no artigo abaixo.

Índice:

  • Os componentes de um pacote de remuneração completo
  • Como estruturar o pacote de forma estratégica
  • Os erros mais comuns na estruturação do pacote
  • O pacote como espelho da cultura
  • ARTIGO: Salário e remuneração não são a mesma coisa

    Antes de estruturar um pacote, é essencial ter clareza sobre os conceitos. Salário e remuneração não são sinônimos, e essa distinção tem impacto tanto na gestão quanto na percepção do colaborador.

    O salário é o valor fixo contratado, o que aparece na folha de pagamento e está assegurado pela CLT. A remuneração é o conjunto completo: salário-base, benefícios obrigatórios e opcionais, remuneração variável, incentivos e qualquer outra forma de valor que a empresa entrega ao colaborador em troca do seu trabalho.

    Quando o RH fala apenas de salário, ele comunica uma parte da proposta. Quando fala de remuneração total, comunica o valor real que a empresa oferece. Essa diferença de enquadramento tem impacto direto na atratividade da proposta e na percepção de valorização por parte do colaborador.

    Leia também: Remuneração estratégica: conheça os diferentes tipos

    Os componentes de um pacote de remuneração completo

    Um pacote de remuneração bem estruturado reúne elementos fixos, variáveis e não financeiros que, juntos, formam a proposta de valor ao colaborador.

    Salário-base

    É o ponto de partida e precisa ser competitivo em relação ao mercado. Um salário abaixo da faixa de mercado dificilmente é compensado por benefícios extras, especialmente para profissionais com mais opções disponíveis. O benchmarking salarial por cargo, nível e setor é a ferramenta essencial para calibrar esse componente com precisão.

    O plano de cargos e salários é o instrumento que estrutura essa lógica internamente, definindo faixas, critérios de progressão e parâmetros de reajuste. Sem ele, as decisões salariais tendem a ser inconsistentes, o que gera percepção de injustiça e aumenta o turnover.

    Benefícios obrigatórios e opcionais

    Os benefícios obrigatórios, como vale-transporte, FGTS e 13º salário, são o mínimo legal. O que diferencia uma proposta são os benefícios opcionais: plano de saúde com boa cobertura, vale-alimentação e vale-refeição com valores competitivos, auxílio home office, auxílio mobilidade, vale-cultura e benefícios de bem-estar.

    Benefícios flexíveis, que permitem ao colaborador escolher como usar o valor disponível, têm ganhado espaço justamente porque reconhecem que perfis diferentes têm necessidades diferentes. Um profissional com filhos pequenos valoriza benefícios distintos de um recém-formado que mora sozinho.

    Remuneração variável

    A remuneração variável é o componente do pacote atrelado a resultados: bônus por metas, comissões, participação nos lucros e resultados (PLR) e premiações por desempenho. Ela cumpre dois papéis simultâneos: recompensa o resultado entregue e alinha o interesse do colaborador com o crescimento da empresa.

    Para que funcione bem, precisa de critérios claros, metas alcançáveis e comunicação transparente sobre como o cálculo é feito. Remuneração variável com regras opacas ou metas inalcançáveis tem efeito contrário ao desejado: gera frustração e desengajamento.

    Incentivos de longo prazo

    Em posições estratégicas e de liderança sênior, incentivos de longo prazo como stock options, participação acionária e planos de vesting são instrumentos poderosos de retenção. Eles criam um vínculo financeiro entre o resultado da empresa e o patrimônio do profissional, o que aumenta o comprometimento e reduz o risco de perda para a concorrência.

    Esse componente ainda é pouco utilizado fora do ecossistema de startups e empresas de tecnologia, mas vem ganhando espaço em organizações de diferentes setores que disputam talentos estratégicos.

    Componentes não financeiros

    Uma proposta de remuneração competitiva hoje inclui elementos que não aparecem no holerite, mas têm alto valor percebido. Flexibilidade de jornada, modelo híbrido ou remoto, dias de folga adicionais, programas de desenvolvimento, possibilidade de crescimento interno e uma liderança que investe no colaborador são fatores que influenciam a decisão de aceitar ou permanecer.

    O EVP, Employee Value Proposition, é o conceito que reúne todos esses elementos em uma proposta integrada. Empresas com EVP bem definido atraem candidatos mais alinhados e retêm colaboradores com mais consistência.

    Aprofunde-se: Remuneração por performance: benefícios e riscos

    Como estruturar o pacote de forma estratégica

    Ter os componentes certos não é suficiente. A forma como o pacote é estruturado e comunicado define como ele é percebido pelo profissional.

    Faça benchmarking com regularidade

    O mercado de remuneração muda. O que era competitivo dois anos atrás pode estar defasado hoje, especialmente em setores com alta disputa por talentos. Pesquisas salariais anuais, como as conduzidas pela Robert Half, Mercer e Hay Group, são referências consolidadas para calibrar o pacote em relação ao mercado.

    Segmente por perfil e nível

    Um pacote único para todos os cargos e senioridades tende a ser pouco eficiente. Profissionais em início de carreira valorizam componentes diferentes de gestores sêniores ou especialistas técnicos. Estruturar variações do pacote por nível hierárquico e por família de cargos é mais trabalhoso, mas produz propostas mais competitivas com o mesmo orçamento.

    Defina critérios claros para a remuneração variável

    A eficácia da remuneração variável depende diretamente da qualidade dos critérios que a sustentam. Metas precisam ser específicas, mensuráveis e percebidas como justas. O colaborador que não entende como vai ser avaliado ou que considera as metas impossíveis de atingir não se engaja pelo incentivo variável. Ele apenas aguarda para ver o que acontece.

    Comunique o pacote completo, não apenas o salário

    Uma das oportunidades mais desperdiçadas pelas empresas é a comunicação do pacote de remuneração total. Muitos colaboradores subestimam o valor do que recebem porque só enxergam o salário líquido, sem considerar o custo do plano de saúde, os benefícios flexíveis, o PLR e outros componentes.

    Apresentar o total remuneration statement, um demonstrativo que mostra o valor integral do pacote, é uma prática simples com impacto significativo na percepção de valorização e na retenção de talentos.

    Os erros mais comuns na estruturação do pacote

    Ignorar o que o colaborador realmente valoriza

    Investir em componentes que os colaboradores não valorizam é um dos desperdícios mais comuns em gestão de remuneração. Pesquisas internas regulares sobre o que o time prioriza são a forma mais direta de direcionar o orçamento para onde ele gera mais retorno em satisfação e retenção.

    Criar inconsistências internas

    Pacotes muito diferentes para funções similares, sem critérios claros, geram percepção de injustiça que corrói o clima organizacional. A transparência salarial, ainda que parcial, é uma tendência crescente e uma resposta legítima a essa demanda.

    Não revisar o pacote com o tempo

    Um colaborador que recebe a mesma proposta de entrada após cinco anos de empresa, sem revisões de mercado ou progressões claras, tende a buscar reconhecimento fora. A retenção de quem já está dentro precisa ser tão intencional quanto a atração de quem está fora.

    Saiba mais: Modelos de remuneração: como escolher a estratégia ideal

    O pacote como espelho da cultura

    A forma como uma empresa remunera diz muito sobre o que ela valoriza. Uma empresa que investe em saúde mental, flexibilidade e desenvolvimento comunica uma cultura que respeita a pessoa além do cargo. Uma empresa que paga apenas o mínimo legal e trata tudo como custo a ser minimizado comunica o oposto.

    O pacote de remuneração não é apenas uma ferramenta de atração e retenção. É uma expressão concreta dos valores da organização e da forma como ela enxerga a relação com quem trabalha nela. Quando essa expressão é coerente com o que a empresa diz que é, ela fortalece a marca empregadora de dentro para fora.

    Benefícios que fazem parte de um pacote de remuneração competitivo precisam ser simples de gerir e valorizados por quem os recebe. O iFood Benefícios reúne vale-alimentação, vale-refeição, mobilidade, saúde, educação, cultura, bem-estar e home office em um único cartão flexível, com mais de 11 milhões de estabelecimentos credenciados.

    Se você é gestor de RH e quer fortalecer o pacote de remuneração da sua empresa, conheça as soluções do iFood Benefícios. Se você é colaborador e acredita que essa proposta pode contribuir para sua empresa, compartilhe com o RH.

    Continue acompanhando o Acrescenta para mais conteúdos sobre remuneração, gestão de pessoas e as tendências que estão redesenhando o mundo do trabalho.

    Aproveite e siga o iFood Benefícios nas redes sociais:

    📸 Instagram: @ifood.beneficios
    🎵 TikTok: @ifoodbeneficios
    💼 LinkedIn: iFood Benefícios

    Benefícios corporativos

    Compartilhe esse post

    Copiar Link
    Compartilhar no Whatsapp
    Compartilhar no LinkedIn
    Compartilhar no Twitter
    Compartilhar no Facebook

    Últimas publicações

    Mais sobre: Benefícios corporativos